Raphinha admite cobrança na Seleção e vê falta de conexão com torcida brasileira
Às vésperas da estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, atacante falou com a imprensa em entrevista coletiva
Um dos principais destaques do futebol europeu na última temporada, Raphinha reconhece que ainda não conseguiu repetir com a camisa da Seleção Brasileira o mesmo desempenho apresentado em seu clube. Às vésperas da estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, o atacante admitiu que sente uma diferença no tratamento recebido dos torcedores brasileiros e atribui parte disso à trajetória construída longe do país.
O jogador enfrentou problemas físicos ao longo do ciclo comandado por Carlo Ancelotti e participou de apenas seis dos 12 jogos sob o comando do treinador italiano. Apesar da sequência de lesões e da frustração por ficar fora de algumas partidas, o atacante garantiu manter uma boa relação com o técnico, com quem já viveu momentos de rivalidade no futebol espanhol, quando defendia o Barcelona e Ancelotti dirigia o Real Madrid.
Nesse período pela Seleção, Raphinha contribuiu com duas assistências, números modestos em comparação ao desempenho apresentado em seu clube, onde encerrou a última temporada com 21 gols marcados e sete passes decisivos. A diferença de rendimento tem sido motivo frequente de cobranças por parte da torcida e da imprensa.
Para o atacante, a relação com o público brasileiro é diferente daquela que construiu no exterior.
“Para ser sincero, sinto que realmente é diferente o carinho do torcedor brasileiro comigo do que o pessoal de fora”, afirmou.
Raphinha destacou que procura concentrar suas energias em corresponder às próprias expectativas e às das pessoas mais próximas, sem se preocupar em conquistar a aprovação de todos.
“Eu acredito que, se tenho que me provar para alguém, é para mim, meus pais, minha esposa e meu filho. Infelizmente, não posso mudar o gosto das pessoas. Tem gente que gosta e gente que não gosta. Tudo bem. A vontade eu vou sempre entregar, o meu melhor. Isso que seria inadmissível, não entregar o melhor”, declarou.
Na avaliação do jogador, o fato de ter deixado o Brasil ainda muito jovem dificultou a construção de uma identificação maior com o torcedor nacional.
“É natural. Eu saí muito jovem do Brasil, não consegui criar conexão”, explicou.
Mesmo reconhecendo que seu desempenho pela Seleção ainda está abaixo daquele apresentado nos clubes, o atacante rejeita a ideia de que não tenha contribuído para a equipe nacional durante o ciclo.
“Eu já consegui entregar muito pela Seleção sim. Obviamente que não podemos ser hipócritas e falar que foi igual ao clube. Mas, dentro do que passamos neste ciclo, pude entregar sim um bom futebol”, avaliou.
Raphinha também entende que as cobranças fazem parte da realidade de quem veste a camisa da Seleção Brasileira. Segundo ele, os jogadores têm consciência de que podem se aproximar do nível de atuação exibido em seus respectivos clubes.
“Somos muito conscientes de que seleção brasileira é feita de resultados e somos cobrados. E se somos cobrados de fazer o que fazemos no clube, é porque temos condições de fazer na Seleção também. Não tenho problema com isso. Posso melhorar. E não só eu, mas vários jogadores, temos essa consciência de que podemos chegar mais próximo do que fazemos nos clubes”, concluiu.
A oportunidade de transformar o discurso em resultado começa neste sábado (13). O Brasil estreia na Copa do Mundo às 19h (horário de Brasília), diante do Marrocos, em Nova Jersey, pela primeira rodada da fase de grupos.
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