Ingressos caros e show no intervalo: Copa de 2026 adota o padrão do entretenimento dos EUA
Copa do Mundo nos EUA aposta em experiência de entretenimento, mas valores elevados de ingressos e consumo geram impacto entre torcedores
A Copa do Mundo de 2026 chega aos Estados Unidos, México e Canadá sob a promessa de unir futebol e espetáculo em uma escala inédita. Em território norte-americano, onde eventos como o Super Bowl, as finais da NBA Finals e a World Series já são conhecidos pela combinação entre esporte e grandes shows musicais, o Mundial de futebol passa a incorporar de forma ainda mais explícita essa tradição.
A final da Copa de 2026 terá, pela primeira vez, um show no intervalo, em modelo semelhante ao que ocorre no futebol americano. No dia 19 de julho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, artistas como Madonna, Shakira e o grupo de K-pop BTS estão previstos para se apresentar, em um formato que reforça a aproximação entre o futebol e o entretenimento de massa nos Estados Unidos, algo já consolidado em eventos como as apresentações de Michael Jackson, Coldplay e Bad Bunny em edições do Super Bowl.
Além do espetáculo dentro de campo, a experiência do torcedor também se estende aos espaços de convivência criados pela organização. Um dos principais exemplos é o FIFA Hospitality Village, área VIP montada para o público antes e depois das partidas. O espaço reúne lojas oficiais, alimentação, bebidas, lounges e ativações interativas ligadas ao torneio.
A reportagem encontrou torcedores brasileiros no local, onde o acesso pode chegar a valores elevados. Segundo relato, a entrada no espaço custou cerca de três mil dólares, aproximadamente R$ 15,3 mil na cotação atual.
O alto custo também se reflete nos ingressos para as partidas. Sem conseguir comprar entradas na venda oficial da FIFA, o brasileiro Neff Silva adquiriu um bilhete por meio de revenda informal para assistir ao jogo França x Senegal. O valor pago foi de mil dólares, pouco mais de cinco mil reais.
“Foi de última hora, vindo para o estádio, no shopping, e consegui. Foi um pouco salgado, mas vale a pena”, afirmou. Ele também destacou a intenção de acompanhar outros jogos durante o torneio, caso consiga novos ingressos.
“Se eu conseguir outros ingressos, eu vou. Esse foi muito aleatório, mas espero ver mais partidas por aqui”, disse.
Mesmo para quem já está dentro do estádio, os custos seguem elevados. No MetLife Stadium, palco da decisão e de outras partidas do Mundial, os preços de alimentação chamam atenção: um lanche pode chegar a cerca de R$ 230. Uma garrafa de água custa cinco dólares, enquanto um hot-dog sai por 14 dólares. Já um combo com dois hambúrgueres, duas batatas fritas e dois refrigerantes chega a 45 dólares.
Com ingressos disputados, experiências VIP sofisticadas e uma estrutura pensada para o entretenimento além do futebol, a Copa do Mundo nos Estados Unidos reforça o modelo de evento esportivo como grande produto de consumo e espetáculo global.
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