Haja água! Altas temperaturas marcam a Copa do Mundo nos Estados Unidos
Termômetros chegaram a bater 38ºC na última semana durante os treinos da Seleção em Nova Jersey
"Muito quente!". Esta é a frase mais ouvida na Costa Leste dos Estados Unidos nos últimos dias. Desde a última quarta-feira, a região de Nova York enfrenta temperaturas muito elevadas, e os termômetros vêm batendo recordes.
Durante a semana, a Seleção Brasileira treinou às 11h da manhã (de Brasília), com a temperatura ultrapassando os 38°C e a sensação térmica ainda mais alta.
Para o jogo diante da Noruega, hoje no Metlife Stadium, em Nova Jersey, a previsão é de um clima mais ameno, com os termômetros marcando cerca de 30°C.
Apesar das altas temperaturas, o "fator calor" é minimizado pela Seleção Brasileira. Nascido na Paraíba, o atacante Matheus Cunha sabe bem o que é calor, mas mantém o foco na partida.
"Está muito quente até para quem é do Nordeste", brincou. "A gente costuma fazer sauna depois dos treinos, mas nos proibimos disso nesta semana. Independentemente da temperatura, o foco é jogar bem e avançar. Mas está muito quente aqui", afirmou.
Antes do início da Copa do Mundo, a Fifa determinou uma pausa para hidratação aos 22 minutos de cada tempo. Na prática, a partida passou a ser dividida em quatro momentos, medida que dividiu opiniões.
Para Marcelo Bielsa, treinador da Seleção do Uruguai, a mudança prejudica o futebol.
"Jogar quatro tempos em vez de dois altera a concepção e a cultura que foram construídas para interpretar o futebol. Essa mudança não acrescenta nada e tira muito", afirmou.
Por outro lado, Thomas Tuchel, técnico da Inglaterra, tem uma visão mais equilibrada sobre o tema. Para ele, a pausa ajuda a corrigir a equipe durante a partida, mas também altera a dinâmica tradicional do futebol.
"Eu gosto disso (da pausa para hidratação). Como treinador, é claro. Consigo influenciar mais vezes o meu time e fazer com que ele tenha a minha maneira de jogar. Mas no geral, acho que gosto mais do futebol quando ele é jogado de uma só vez, em cada tempo, porque isso cria um impulso", disse Tuchel.
Sobre a paralisação, a FIFA afirma que não recebe receita adicional pelos comerciais exibidos durante as pausas e diz que a medida foi adotada por questões de saúde dos atletas devido ao calor.
No entanto, segundo o Sports Business Journal, jornal da FOX dos Estados Unidos, detentora dos direitos de transmissão da Copa do Mundo no país, a entidade deve faturar cerca de US$ 400 milhões apenas com os espaços publicitários criados pelas 208 pausas para hidratação ao longo do Mundial.