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Paralimpíadas

Comitê Paralímpico se posiciona sobre participação de atletas transgêneros; entenda

De acordo com o comitê, qualquer decisão deve ter uma abordagem diferenciada

O Liberal

6 de março de 2025 às 17:22

Artistas participam da cerimônia de abertura dos Jogos Paraolímpicos de Tóquio 2020 no Estádio Olímpico de Tóquio

Artistas participam da cerimônia de abertura dos Jogos Paraolímpicos de Tóquio 2020 no Estádio Olímpico de Tóquio ( Foto: CHARLY TRIBALLEAU / AFP )

Hoje, as modalidades esportivas devem estabelecer suas próprias diretrizes para a participação de atletas transgêneros, em vez de seguir uma regra única para todas, e essas decisões devem ser embasadas em estudos científicos. Foi o que afirmou o presidente do Comitê Paralímpico Internacional, Andrew Parsons, na última quinta-feira.

A declaração foi feita faltando um ano para os Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026. Parsons, que também integra o Comitê Olímpico Internacional, destacou que qualquer regulamentação precisa equilibrar inclusão e ciência. Atualmente, tanto as Olimpíadas quanto as Paralimpíadas permitem a participação de atletas transgêneros.

Um marco recente nesse cenário foi a participação da italiana Valentina Petrillo, que se tornou a primeira atleta declaradamente transgênero a competir nas Paralimpíadas. A velocista, que tem deficiência visual, disputou provas em Paris no ano passado.

“Proteger a participação feminina é essencial, mas também precisamos considerar que há um número crescente de atletas transgêneros interessados em competir no alto rendimento”, disse Parsons em entrevista à Reuters. Ele reforçou: “Nossa abordagem deve ser inclusiva e guiada pela ciência, pois é ela que pode fornecer respostas sobre essa questão em cada modalidade esportiva”.

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O Comitê Olímpico Internacional já havia decidido não impor uma regra global sobre o tema. Em 2021, a entidade determinou que cada federação esportiva deveria criar seus próprios critérios para a participação de atletas transgêneros. Algumas modalidades, como atletismo, natação e rúgbi, já estabeleceram suas diretrizes, enquanto outras ainda não definiram suas políticas.

Donald Trump

Nos Estados Unidos, a questão tomou um tom ainda mais político. O ex-presidente Donald Trump, cujo país sediará os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Los Angeles em 2028, assinou uma ordem proibindo a participação de meninas e mulheres trans em competições femininas. Além disso, ele declarou que não permitirá que atletas transgêneros compitam nos Jogos LA28, pressionando o COI a “rever completamente as regras sobre essa questão, que ele classificou como ‘absolutamente ridícula’”.

Diante desse cenário, Parsons manteve uma postura cautelosa. “Ainda faltam três anos e meio para os Jogos de Los Angeles, e muita coisa pode acontecer até lá”, comentou. “Nosso trabalho é apoiar as federações internacionais para que suas regras sejam aplicadas corretamente em cada competição”.

Preparativos para Milão-Cortina 2026

Antes disso, o foco do Comitê Paralímpico Internacional está voltado para os Jogos de Milão-Cortina 2026, que acontecem daqui a um ano. Os organizadores italianos enfrentam o desafio de concluir os principais locais de competição em um prazo apertado.

“O cronograma é desafiador, mas estamos confiantes. As autoridades italianas garantiram que tudo será entregue dentro do prazo”, afirmou Parsons. O evento reunirá mais de 600 atletas em 80 provas de seis modalidades paralímpicas, distribuídas entre Milão, Cortina e outras duas cidades, utilizando tanto instalações fixas quanto temporárias.

Além disso, os Jogos de 2026 marcarão o retorno do público às Paralimpíadas de Inverno. Após a edição de Pequim 2022 ser afetada pela pandemia, cerca de 200 mil ingressos estarão disponíveis para o evento na Itália. Aproximadamente 90% das entradas custarão 35 euros (cerca de R$ 217) ou menos.

“Estamos satisfeitos com o andamento dos preparativos”, concluiu Parsons, reforçando o compromisso da organização em entregar um evento de alto nível.