São Paulo vota expulsões de Mara Casares e Douglas Schwartzmann por caso do camarote; entenda
O caso veio à tona no fim do ano passado e virou também objeto de inquérito de uma força-tarefa do Ministério Público (MP-SP) e da Polícia Civil
O Conselho Deliberativo do São Paulo decide nesta quarta-feira (22) se expulsa Mara Casares e Douglas Schwartzmann. Eles são acusados pelo uso irregular do Camarote 3A do MorumBis, em um caso que também é objeto de inquérito de uma força-tarefa do Ministério Público (MP-SP) e da Polícia Civil.
Internamente, a Comissão de Ética do Conselho avaliou a situação e, em parecer fornecido ao colegiado, declarou unanimidade em recomendar a expulsão. Durante o processo, Mara e Schwartzmann tiveram oportunidade de defesa e ambos se disseram inocentes.
Segundo apurado, há tendência de aprovação das expulsões. O relatório aponta a condenação de ambos por gestão irregular e dano à imagem do clube, sugerindo outras punições mais brandas além da expulsão.
Entenda a Votação e Punições
A reunião para a decisão será em modo híbrido e com voto secreto. A votação será aberta na noite desta quarta-feira e fechará na tarde de quinta-feira. Para cada caso, é necessária a aprovação de dois terços, o equivalente a 169 dos 253 conselheiros aptos a votar.
Além da expulsão, outras punições sugeridas incluem a perda de mandato no Conselho Deliberativo, inelegibilidade, suspensão (por dano à imagem) e obrigação de ressarcir prejuízos ao clube. Segundo o Regimento Interno do São Paulo, caso haja condenação, os acusados podem recorrer em até 10 dias após o veredito.
Douglas Schwartzmann é conselheiro vitalício. Mara Casares era conselheira eleita, mas renunciou em dezembro. A comissão a julga por entender que os fatos analisados aconteceram enquanto ela exercia a função. A perda de mandato, neste caso, seria uma "pena simbólica", mas pode refletir em inelegibilidade futura.
Acusações de Exploração Clandestina
Mara e Schwartzmann são acusados de exploração irregular de um camarote do MorumBis. Eles foram flagrados em gravação de conversa que revelou o esquema, chamado por eles mesmos de "clandestino" no áudio.
A gravação falava especificamente do show da Shakira, realizado no estádio em 2024. A investigação policial, porém, aponta que a prática acontecia pelo menos desde 2022. Schwartzmann disse que usou mal as palavras e que não há provas de que tenha recebido dinheiro.
Já Mara Casares apontou que fazia um favor a uma parceira da diretoria feminina, que ela encabeçava. O MP-SP indicou que Adriana tinha negócios com Mara no São Paulo desde 2022.
Investigação do MP-SP e Polícia Civil
Em paralelo ao processo do São Paulo, a força-tarefa que investiga o clube colheu depoimento de Douglas Schwartzmann, Mara Casares e Rita de Cássia Adriana Prado. Segundo apurado, Schwartzmann apresentou às autoridades argumentação semelhante à da Comissão de Ética, mas há evidências que contradizem sua versão.
O MP-SP já intimou o atual presidente Harry Massis Jr. a depor, além de outros sete diretores: Roberto Soares Armelin, Érica Ruiz Podadera, Marcio Carlomagno, Érica Duarte, Jaqueline Meirelles, Sergio Augusto Fonseca Pimenta e Eduardo Toni. Todos devem ser ouvidos como testemunhas, assim como o ex-presidente Júlio Casares.
Outros Envolvidos e Posição da Diretoria
Marcio Carlomagno, ex-superintendente do clube, já foi expulso. Ele foi citado no áudio que originou a investigação e é acusado de envolvimento na exploração clandestina de camarotes no MorumBis. Como não é conselheiro, sua expulsão foi determinada diretamente pela Comissão Disciplinar do São Paulo.
Em nota, o presidente do São Paulo, Harry Massis Jr., disse ser favorável à expulsão dos envolvidos. "Se a Comissão de Ética recomendou esta decisão, tenho plena confiança na investigação do órgão e acredito que é o melhor para a instituição", comentou Massis.
O presidente ainda ressaltou: "Na minha gestão, honestidade e integridade são valores inegociáveis e lutarei a qualquer custo para tornar o clube mais transparente e respeitoso com os nossos torcedores."
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