Em cenários opostos, Remo e Paysandu se preparam para eleições presidenciais
Próximas gestões terão desafios dentro e fora de campo para administrar a partir de 2027
O segundo semestre de Remo e Paysandu será agitado não apenas dentro de campo. Em meio às disputas do Campeonato Brasileiro, onde os azulinos querem a permanência na Série A e os bicolores o acesso à Série B, os clubes terão que lidar com os processos eleitorais para a escolha dos novos presidentes.
Por regimento interno, os atuais mandatos de Antônio Carlos Teixeira e Márcio Tuma terão o ciclo encerrado ao final deste ano em Remo e Paysandu, respectivamente. No entanto, ambos têm a possibilidade de concorrer à reeleição. No Leão, o mandato é três anos, enquanto no Papão são de apenas dois anos.
E esta condição de tentar um segundo mandato é a realidade em ambos os lados da Almirante Barroso. Internamente, conforme apuração do Núcleo de Esportes de O Liberal, tanto Antônio Carlos Teixeira como Márcio Tuma cogitam prolongar a estadia na presidência dos clubes.
Porém, o próximo mandato - seja com ambos reeleitos ou novos personagens na política dos clubes - tende a ser de desafios, principalmente pela forma como o ano de 2026 se apresentou para Leão e Papão.
Reflexo Brasileirão
No Remo, o principal ponto da próxima gestão tende a ser as finanças. Nesta temporada, com a ida à primeira divisão do Brasileirão, o clube teve um caixa reforçado na medida em que os gastos foram aumentando.
Em julho, o clube divulgou um "crescimento histórico", com o patrimônio sendo avaliado em mais de R$ 281 milhões, apresentando um salto de mais de R$ 100 milhões em um ano.
"Primeiro ajustar contas de acordo com a paixão do torcedor. Muitas vezes o dirigente quer manter o clube financeiramente estável. Mas só vai conseguir isso se tiver paz dentro de campo. Conseguindo resultados, formação de um grande time, tem paz para trabalhar as contas do clube e manter a estabilidade, que o sonho de todo torcedor, inclusive da direção", avaliou Paulo Fernando, comentarista e diretor da Rádio Liberal+.
Já do outro lado, o caminho usado em 2026 foi o inverso. A queda à Série C na última temporada externou um Paysandu em profunda crise financeira, com a maioria dos atletas acionando o clube na justiça e o montante de dívida, só de 2025, batendo a casa dos R$ 15 milhões.
A saída foi aderir a "recuperação judicial", manobra adotada por alguns clubes do Brasil para evitar a falência em meio às dívidas extensas.
"O atual presidente do Paysandu (Márcio Tuma) teve o tempo e tranquilidade que os outros (presidentes) não tiveram. Ele não teve que se preocupar em pagar os (salários) atrasados, apenas em manter a folha em dia, ter um clube enxuto como está fazendo", destacou.
No entanto, uma ressalva nesta situação enfrentada pelo Paysandu: "Mas assim que isso (período de recuperação judicial) acabar, a 'bola de neve' vem aí e essa pseuda calmaria vai acabar, porque as contas vão bater na porta do clube e se não tiver como pagar vem problema de novo", ponderou Paulo Fernando.
Política pacificada?
As duas principais forças do futebol paraense vivem cenários - aparentemente - opostos nos bastidores. Enquanto o Remo indica um clima de calmaria com a atual gestão, o Paysandu vem de um intenso processo de renúncia presidencial, com Roger Aguilera deixou o cargo na virada de ano e Márcio Tuma, então vice, assumiu em definitivo.
O indicativo de calmaria nos bastidores do Remo é reflexo do atual momento dentro de campo, pelo menos é o que avalia o jornalista Paulo Fernando. Para ele, o fato da equipe estar em uma Série A pode ter influência no "sumiço" da oposição.
"O Remo conseguiu isso por resultados em campo. Você lembra que no Remo há três, quatro anos, existia um clube dividido em vários grupos, onde ninguém se acertava. Hoje, ele (Antônio Carlos Teixeira), por ter vindo da C pra B e da B para A, conseguimos dizer que não é que não tenha mais oposição, mas que você vê que o torcedor vai junto com a realidade do clube e, assim, traz tranquilidade", pontuou Paulo Fernando.
Diferente do "mundo" azulino, o Paysandu deve seguir tendo uma oposição ativa nas eleições deste ano. O Núcleo de Esportes de O Liberal apurou que o pleito deve ter uma chapa para disputar o cargo com Márcio Tuma, mas ainda sem liderança definida.
Principais desafios
Ano após ano, os assuntos seguem sendo os mesmos: centro de treinamento e categoria de base. Remo e Paysandu ainda "engatinham" nestes dois quesitos, estando distante do praticado nos grandes centros do país e até mesmo de clubes como o Cuiabá, que possui estrutura acima da apresentada pelos titãs paraenses.
"Remo e Paysandu, e serve para os dois, tem que entender que esse é o caminho. Como um clube vai viver se não revelar ninguém? Se não consegue fazer um CT, como os dois estão atrasados há 30 anos? Esse atraso não vem de agora. Vem de 30 anos. Tudo o que estamos vendo nada mais é o que os clubes foram empurrando com a barriga. Hoje eles sofrem porque colhem o que plantaram. O CT é uma obrigação", avalia.
Nos últimos cinco anos, os dois clubes, juntos, formaram apenas dois jogadores para "servir" ao futebol brasileiro. No Remo, o lateral direito Kadu está emprestado ao Botafogo e deve permanecer em definitivo no clube a partir de 2027. No Paysandu, o Flamengo comprou o volante Pedro Henrique e o emprestou ao clube paraense até o final deste ano. Situações raras em meio a um processo que deveria ser tratado como comum.
"O Remo agora, por exemplo, precisou de um lateral esquerdo porque o Mayk se bateu. Teve que contratar um. Se tivesse uma base forte, não seria mais fácil buscar mais base? Já o Paysandu foi obrigado a usar a base. Eles só estão aí porque estão sem dinheiro. Se tivesse dinheiro, estavam repetindo os mesmos erros do passado", finalizou Paulo Fernando.