Atitude supera conhecimento técnico e se torna chave para efetivação de estagiários
Pesquisa revela que empresas priorizam disposição para aprender e comportamento profissional; especialista de RH e estudantes confirmam tendência no mercado
Um levantamento recente indica que características comportamentais, como disposição para aprender, postura adequada e comprometimento, são determinantes para o crescimento profissional — especialmente para quem está iniciando a carreira. De acordo com uma pesquisa nacional conduzida pelo Centro de Integração Empresa-Escola em parceria com o Instituto Locomotiva, realizada entre julho e outubro do ano passado, as empresas priorizam o interesse em aprender em vez do domínio técnico avançado ao avaliar estagiários.
Na avaliação da gerente de RH Anna Padinha, esse cenário reflete uma mudança clara no perfil valorizado pelas organizações. Essa percepção também é compartilhada por quem vive a rotina de estágio. Estudantes ouvidos pelo Grupo Liberal relatam que iniciativa e curiosidade são fatores decisivos para ganhar visibilidade dentro das empresas.
O estudo do Centro de Integração Empresa-Escola mostra que 84% dos empregadores consideram a abertura ao aprendizado contínuo mais relevante do que o conhecimento técnico no momento de efetivar um estagiário. Isso demonstra que não se espera que o jovem profissional saiba tudo desde o início, mas sim que apresente dedicação, evolução e atitude no ambiente de trabalho.
Entre os principais critérios para a efetivação, destacam-se comportamento profissional, compromisso com metas e resultados, além de iniciativa e desejo de crescimento. A pesquisa também revela que mais da metade das empresas efetivou acima de 50% dos seus estagiários, reforçando o estágio como uma importante porta de entrada no mercado de trabalho.
Em relação à atratividade das vagas, os empregadores reconhecem que os jovens priorizam perspectivas de crescimento profissional, chances reais de contratação efetiva e bolsa-auxílio compatível com o custo de vida.
Outro dado relevante é que, embora a maioria das oportunidades ainda seja presencial, 55% das empresas admitem que os estudantes preferem modelos mais flexíveis, sinalizando mudanças no formato de trabalho.
Atitude é diferencial decisivo
Para especialistas em recursos humanos, o comportamento segue como fator central na decisão de efetivar um estagiário. Segundo Anna Padinha, gerente de RH e diretora da ABRH-PA (Associação Brasileira de Recursos Humanos do Pará), a postura no dia a dia fala mais alto que qualquer conhecimento técnico inicial.
“O que mais se destaca é a atitude. Um estagiário que demonstra interesse genuíno, senso de responsabilidade e vontade de aprender chama muita atenção. A forma como ele se posiciona diante dos desafios do dia a dia, busca soluções e se envolve com a equipe costuma pesar mais do que qualquer conhecimento técnico inicial”, afirma.
Ela reforça que, na prática, as empresas valorizam mais as competências comportamentais. “Sem dúvida, postura e comportamento. O conhecimento técnico pode ser desenvolvido ao longo do tempo, mas atitudes como comprometimento, proatividade, ética e boa comunicação são determinantes. Empresas buscam pessoas que queiram crescer junto com o negócio e que tenham maturidade para lidar com o ambiente corporativo”, explica.
Iniciativa e aprendizado contínuo aumentam chances
Ainda de acordo com a especialista, algumas atitudes são essenciais para quem deseja conquistar uma vaga efetiva após o estágio.
“É fundamental demonstrar iniciativa, curiosidade e disposição para aprender. Fazer perguntas, buscar entender o contexto do trabalho, cumprir prazos e manter uma postura profissional no dia a dia fazem toda a diferença. Além disso, saber ouvir feedbacks e mostrar evolução contínua são sinais claros de potencial para efetivação”, destaca Anna.
Estagiários confirmam importância da postura
Na prática, quem está vivendo a experiência do estágio também percebe o peso dessas características no ambiente profissional.
O estagiário de jornalismo Lucas Silva acredita que a atitude tem impacto direto nas oportunidades. “Sim, acredito que universitários que têm mais atitude e disponibilidade para aprender, sendo pesquisadores e proativos, tendem a conseguir a efetivação”, afirma.
Ele conta que busca se destacar indo além do básico.
“Busco sair somente do óbvio e explorar lados que gosto de pesquisar, assim elaborando pautas que de fato se tornam dinâmicas e diferentes apenas do padrão, buscando a inovação e demonstrando proatividade dentro do que gosto”, explica.
Já a estagiária de jornalismo Flávia Coutinho também vê na postura um diferencial importante. “Acredito que sim. Como estagiária na Alepa, eu entendo que estou em constante aprendizado, então procuro sempre demonstrar interesse, responsabilidade e disposição para evoluir”, diz.
Sobre a rotina, ela reforça o compromisso com o desenvolvimento profissional.
“No meu dia a dia de estágio, eu procuro dar o meu melhor em tudo que faço. Sempre busco aprender mais sobre os processos e dinâmicas da casa pra fazer um bom trabalho”, completa.
O estagiário em técnico de enfermagem Gabriel Bastos compartilha percepção semelhante.
“Acredito sim que a minha vontade de aprender influencia na hora de contratar, durante esses meses de estágio como técnico de enfermagem tenho recebido muitos comentários positivos em relação às atividades que sou designado. Há grandes chances de ser contratado futuramente”, comentou.
Ele também detalha como busca se destacar na rotina diária. “Procuro sempre aprender com os enfermeiros e técnicos que já trabalham na empresa, é muito importante não só demonstrar interesse como também aprender o que é nos ensinado, desde os cuidados básicos com os pacientes para realização dos exames até sua saída do consultório”, explica.
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