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Decoração de eventos impulsiona empreendedorismo em Belém e acompanha crescimento do setor no país

Em Belém, esse movimento é acompanhado por profissionais como o decorador Miguel Maia, que há duas décadas atua no segmento e observa de perto as transformações do mercado

Gabi Gutierrez

O mercado de decoração de eventos em Belém tem se consolidado como uma frente promissora para o empreendedorismo criativo, impulsionado pela forte cultura de celebrações da capital paraense e pelo crescimento contínuo do setor no Brasil. A expectativa é de que, em 2026, o segmento de eventos mantenha uma trajetória de expansão, com alta de 7,8% no consumo e movimentação de até R$ 151,9 bilhões, segundo a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos. Em Belém, esse movimento é acompanhado por profissionais como o decorador Miguel Maia, que há duas décadas atua no segmento e observa de perto as transformações do mercado.

Além do impacto econômico, o setor deve gerar cerca de 143 mil novos postos de trabalho formais, sobretudo em atividades ligadas diretamente à cadeia de eventos — cenário que favorece o surgimento e a consolidação de empreendimentos voltados à decoração, que hoje ocupam papel estratégico na entrega de experiências personalizadas.

 Miguel completa 20 anos de atuação na área este ano. Ele explica que, ao longo desse tempo, o mercado muda muito, todos os anos. "Ele [o mercado] exige cada vez mais do profissional, principalmente na busca por conhecimento e atualização”, afirma.

Segundo ele, a evolução do setor está diretamente ligada à inovação e à troca de referências. “Hoje, o profissional precisa buscar o que está acontecendo fora, fazer network, participar de feiras. Tem muita coisa vindo de fora do país, como iluminação, mobiliário, cadeiras diferenciadas. O leque de opções é muito grande.”

Exigência crescente e personalização

Com um público cada vez mais atento aos detalhes, a demanda por diferenciação tem impactado diretamente o trabalho dos decoradores. “O mercado está bem exigente. Todo mundo quer o melhor para o seu evento, quer algo diferenciado, seja nas flores, no mobiliário ou na composição. Isso exige que o profissional tenha um leque muito amplo de conhecimento para conseguir entregar”, explica.

Na prática, essa exigência se traduz em projetos mais elaborados e personalizados, especialmente em eventos de grande porte, como formaturas — um dos principais nichos de atuação do empreendedor. “Hoje, a gente trabalha muito com decoração de formaturas, mas também atendemos casamentos, aniversários de 15 anos e outros eventos. Cada um tem sua particularidade, mas todos buscam esse diferencial.”

Estrutura e geração de empregos

A complexidade dos eventos também evidencia o potencial de geração de trabalho dentro do segmento. Em uma única produção, a operação pode envolver dezenas de profissionais. “Em um evento considerado pequeno, com cerca de 700 convidados, a gente chega a trabalhar com 35 a 40 colaboradores. Tem eletricista, florista, equipe de montagem, pessoal de transporte. É muita gente envolvida”, detalha.

Esse cenário acompanha a projeção nacional de expansão do setor, que deve concentrar a maior parte dos novos empregos no chamado hub de atividades ligadas aos eventos.

Reconhecimento e satisfação

Apesar das exigências crescentes, Miguel destaca que a maior recompensa do trabalho vai além do retorno financeiro. “Claro que o financeiro é importante, mas o mais gratificante é ver o cliente satisfeito. Quando uma comissão de formatura, por exemplo, sobe ao palco para agradecer, isso não tem preço.”

Para ele, o reconhecimento está diretamente ligado à entrega de experiências que marcam momentos importantes na vida dos clientes — fator que reforça o valor do serviço no mercado local.

Desafio permanente: atualização

Com um setor em constante transformação, o principal desafio para quem atua ou deseja empreender na área continua sendo o mesmo: acompanhar as mudanças. “O conhecimento é o maior desafio. Todo evento traz uma novidade. O mercado cresce todos os dias, surgem novas tendências, novas tecnologias. Às vezes, chega a ser difícil acompanhar tudo.”

A participação em feiras e eventos especializados, principalmente em centros como São Paulo, é uma das estratégias para se manter atualizado. “Sempre tem muita novidade, é um mercado muito vasto. Quem não se atualiza, acaba ficando para trás”, alerta.