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Presidência do Brasil: conheça os pré-candidatos que disputam o cargo até o momento

Convenções partidárias para formalizar as chapas começam nesta segunda-feira (20/7) e vão até 5 de agosto; Lula busca 4º mandato

O Liberal

Com as eleições de 2026 se aproximando, 11 pré-candidatos já foram lançados por diferentes partidos na corrida pelo Palácio do Planalto. As convenções partidárias, que oficializarão essas pré-candidaturas, iniciam nesta segunda-feira (20/7) e seguem até 5 de agosto. Entre os nomes, destacam-se o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores - PT), em busca de seu quarto mandato, e o senador Flávio Bolsonaro (Partido Liberal - PL), principal representante da oposição.

O quadro eleitoral ainda pode sofrer alterações significativas. O prazo final para o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é 15 de agosto, permitindo que novos candidatos surjam ou que outros desistam da disputa antes da formalização. O primeiro turno das eleições gerais deste ano está agendado para 4 de outubro, com um possível segundo turno em 25 de outubro, caso nenhum candidato obtenha a maioria dos votos válidos.

Estimativas de Voto e Cenário Eleitoral

No Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, que compila e pondera resultados de levantamentos nacionais, Lula aparece à frente de Flávio Bolsonaro nas estimativas de intenção de voto tanto no primeiro quanto no segundo turno. Até a última quinta-feira (16/7), a estimativa para o petista no segundo turno era de cerca de 46%, enquanto Flávio Bolsonaro registrava 42%.

O Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil é uma ferramenta que mostra as estimativas de intenção de voto para os pré-candidatos à Presidência, funcionando como uma "média" das pesquisas, porém atribuindo pesos diferentes a cada levantamento realizado.

Os 11 Pré-candidatos à Presidência em 2026

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Flávio Bolsonaro (PL)
  • Ronaldo Caiado (Partido Social Democrático - PSD)
  • Romeu Zema (Novo)
  • Renan Santos (Missão)
  • Samara Martins (Unidade Popular - UP)
  • Hertz Dias (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado - PSTU)
  • Edmilson Costa (Partido Comunista Brasileiro - PCB)
  • Augusto Cury (Avante)
  • Cabo Daciolo (Mobiliza)
  • Rui Costa Pimenta (Partido da Causa Operária - PCO)

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscará seu quarto mandato. Durante a campanha eleitoral de 2022, ele havia declarado que seria "um presidente de um mandato só". Contudo, nos últimos anos, o petista sinalizou a mudança de ideia, confirmando a intenção de concorrer a um quarto mandato em eventos e declarações à imprensa. Em 2025, no Rio de Janeiro, ele afirmou que o país poderia "ter pela primeira vez um presidente eleito 4 vezes", ratificando a decisão em visita à Jacarta.

Aos 80 anos, Lula disputará sua sétima eleição para presidente, tornando-se o candidato mais velho a concorrer em um pleito presidencial no Brasil. A chapa foi confirmada no fim de março, com Geraldo Alckmin (Partido Socialista Brasileiro - PSB) novamente como vice-presidente. Alckmin, que também chefia o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), foi exonerado de sua função ministerial dias após o anúncio da chapa, cumprindo o limite de descompatibilização até 4 de abril para ocupantes de cargos no Executivo que pretendem disputar as eleições, com exceção para presidente e vice-presidente.

Flávio Bolsonaro (PL)

Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PL) lançou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto em dezembro de 2025, após ser escolhido pelo pai para ser o candidato do partido à Presidência. A decisão foi confirmada em nota assinada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. A escolha ocorreu após semanas de divergências internas entre membros da família Bolsonaro e da oposição sobre a liderança da direita bolsonarista.

Flávio Bolsonaro ingressou na política em 2002, eleito deputado estadual no Rio de Janeiro. Exerceu quatro mandatos na Assembleia Legislativa antes de se tornar senador em 2018, sendo reeleito em 2022. Ele é considerado o principal candidato da oposição e aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto. Em abril, chegou a superar Lula em alguns levantamentos, mas pesquisas mais recentes indicaram uma queda após a divulgação de reportagem do The Intercept Brasil sobre pedidos de recursos para financiar um filme sobre o ex-presidente.

Ronaldo Caiado (PSD)

O Partido Social Democrático (PSD) lançou o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência no fim de março. O anúncio foi oficializado pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, que será o vice na chapa. Durante o evento, Caiado criticou o PT, defendeu a pacificação do Brasil e propôs uma anistia "ampla, geral e irrestrita", incluindo o ex-presidente.

Caiado renunciou ao governo de Goiás em 31 de março. Ele foi escolhido pelo PSD após disputar internamente a vaga com os governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Júnior (Paraná), que desistiu da corrida na semana anterior ao anúncio. Leite expressou descontentamento com a decisão, afirmando que a escolha por Caiado mantinha a "radicalização polarizada".

Político experiente com mais de três décadas de trajetória na Câmara dos Deputados e no Senado, Caiado já havia lançado sua pré-candidatura em abril de 2025, pelo União Brasil, mas desistiu devido a pressões internas e se desfiliou. Em janeiro, filiou-se ao PSD. Embora tenha apoiado Bolsonaro em 2018 e 2022, ele se afastou do bolsonarismo durante a pandemia e repudiou os atos de 8 de janeiro. Visto como um dos principais representantes do "agro", ele aparece com 2,7% das intenções de voto na pesquisa mais recente da AtlasIntel. Caiado já disputou a Presidência em 1989, ficando em 10º lugar.

Romeu Zema (Novo)

Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, anunciou sua pré-candidatura à Presidência em agosto do ano passado, em São Paulo. Na ocasião, ele criticou Lula e prometeu "varrer o PT do mapa". Zema admitiu afinidade com as propostas do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas ressaltou que poderia não contar com seu apoio. Ele apoiou Bolsonaro nas eleições de 2018 e 2022.

Empresário mineiro, Zema estreou na política em 2018, elegendo-se governador de Minas Gerais no segundo turno com mais de 70% dos votos válidos, tornando-se o primeiro governador eleito pelo Novo. Foi reeleito em 2022 com 56,18% dos votos válidos no primeiro turno. Antes da política, atuou por 26 anos como CEO do Grupo Zema, com atuação em varejo, distribuição de combustível, concessionárias, serviços financeiros e autopeças. Em 2022, declarou um patrimônio de quase R$ 130 milhões.

Zema pode ser o terceiro candidato lançado pelo Novo à Presidência. Em 2018, João Amoêdo obteve 2,5% dos votos válidos, e em 2022, Felipe D'Ávila registrou 0,47%. Zema renunciou ao mandato de governador de Minas em 22 de março para ser candidato à Presidência.

Renan Santos (Missão)

Cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos lançou sua pré-candidatura à Presidência em janeiro, pelo Missão, legenda idealizada por integrantes do próprio MBL. O movimento, criado em 2014, ganhou projeção nacional durante as manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Juntamente com Kim Kataguiri (União), Santos se destacou em mobilizações de rua e nas redes sociais. O MBL apoiou a candidatura de Bolsonaro em 2018 e defendeu o voto nulo no segundo turno de 2022. Kataguiri afirmou em dezembro do ano passado que apoiar Bolsonaro em 2026 estava "fora de cogitação" e que Santos seria o representante do movimento.

Samara Martins (UP)

O Partido Unidade Popular (UP) lançou Samara Martins como pré-candidata à disputa pelo Palácio do Planalto no início de fevereiro. Samara tem 36 anos, é dentista e vice-presidente nacional do partido. Ela também atua no Movimento de Mulheres Olga Benário e na Frente Negra Revolucionária. O nome de Samara Martins não aparece nas pesquisas de intenção de voto. Na última eleição, o UP lançou Léo Péricles, que obteve 0,05% dos votos válidos.

Hertz Dias (PSTU)

Também em fevereiro, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) lançou a pré-candidatura de Hertz Dias à Presidência da República. Hertz é professor de História da rede pública em São Luís, no Maranhão. Em 2022, ele foi candidato ao governo do Estado e conquistou 0,15% dos votos (5.191 votos).

Edmilson Costa (PCB)

Em março, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) lançou a pré-candidatura de Edmilson Costa à Presidência da República. Edmilson é doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e possui pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da mesma universidade.

Augusto Cury (Avante)

Augusto Cury, psiquiatra e autor de dezenas de livros – incluindo o best-seller "O Vendedor de Sonhos" – teve sua filiação e pré-candidatura ao Palácio do Planalto anunciadas pelo Avante em 5 de abril. Cury já havia manifestado nas redes sociais a intenção de disputar a eleição e buscava um partido. Em publicação, a legenda destacou: "O povo brasileiro não aguenta mais essa polarização e é preciso virar essa página com alguém que consiga fazer o nosso país avançar com prosperidade e qualidade de vida para as pessoas!".

Esta será a primeira vez que Cury disputa um cargo eletivo. Em 2022, o Avante chegou a lançar o deputado federal mineiro André Janones para presidente, mas ele não oficializou a candidatura e se retirou da disputa para apoiar Lula.

Cabo Daciolo (Mobiliza)

Cabo Daciolo, bombeiro militar aposentado, pastor evangélico e ex-deputado federal, anunciou sua pré-candidatura à Presidência no início de abril pelo Mobiliza (antigo Partido da Mobilização Nacional - PMN). Ele ganhou notoriedade em 2011 ao liderar uma greve de bombeiros no Rio de Janeiro e foi eleito deputado federal em 2014.

Esta será a segunda tentativa do ex-parlamentar de chegar ao Palácio do Planalto. Em 2018, filiado ao Patriota, ele encerrou a disputa presidencial em sexto lugar, com 1,26% dos votos, superando nomes como Marina Silva e Henrique Meirelles. Anteriormente, Daciolo havia mencionado que concorreria ao Senado em 2026.

Rui Costa Pimenta (PCO)

Rui Costa Pimenta, jornalista e presidente do Partido da Causa Operária (PCO), teve sua pré-candidatura à Presidência lançada no fim de maio. Ele é um dos fundadores da legenda. Essa não é a primeira vez que Pimenta disputa uma eleição presidencial, tendo sido candidato em 2002, 2010 e 2014. Seu melhor desempenho foi em 2002, quando recebeu 38.619 votos, o equivalente a 0,05% do total.

Rui Costa Pimenta participou da fundação do PT e atuou como diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na Grande São Paulo, antes de deixar o partido em 1992.