Vendas de itens juninos crescem em Belém impulsionadas pela Copa do Mundo

Lojistas e feirantes da capital paraense registram aumento na procura por adereços e roupas de São João

Gabriel da Mota
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As vendas de itens juninos registram crescimento em Belém neste início de junho. O movimento econômico na capital paraense é impulsionado pela grande busca por adereços, tecidos e roupas prontas para as festividades de São João, combinada com a procura por produtos voltados para a Copa do Mundo. Lojistas, feirantes e estilistas da região movimentam o comércio local com expectativas de faturamento superior ao do ano passado, lidando com reajustes em materiais tradicionais e quedas nos preços de pedrarias.  

A gerente de vendas Bruna Costa informou que as bandeirinhas e os balões de São João são os produtos mais procurados. "Itens como anáguas verde e amarela estão saindo bastante. É um tecido que já está ficando escasso para nós", declarou a gerente. Segundo Bruna Costa, a coincidência com o período esportivo acelerou a movimentação nas prateleiras.

"Ajudou bastante porque casou um com o outro. A gente juntou o útil ao agradável. A expectativa de incremento nas vendas é de uns 15%", projetou a gerente.  

image Bruna Costa, gerente de vendas (Carmem Helena / O Liberal)

Setor de aviamentos para quadrilhas lidera movimento

Em outro ponto comercial da cidade, o gerente de vendas Cleoson Moreira explicou que o perfil do consumidor mudou ao longo das últimas semanas. "Na verdade, a gente já vendeu muito material para as quadrilhas, principalmente em maio. Agora, estamos nos acessórios para as pessoas que vão para as festas e para os eventos de escola que começaram. Também damos opções de materiais para enfeites", detalhou o gerente.

image Cleoson Moreira, gerente de vendas (Carmem Helena / O Liberal)

O estabelecimento registrou aumento na procura por chapéus com pedrarias voltados para artesãos e quadrilheiros. Cleoson Moreira também atribui a movimentação positiva à oferta de adereços temáticos para o torneio mundial de futebol.

"Ainda não consigo mensurar uma porcentagem exata de diferença em relação ao ano passado porque vamos sentar para analisar agora. Mas a expectativa de crescimento é com certeza maior, ficando em torno de 20% a 30% a mais", afirmou o gerente.

Consumidores compram trajes prontos para driblar reajuste de insumos industriais

A alta nos preços das matérias-primas modificou o comportamento de compra de profissionais autônomos na Grande Belém. A feirante Simone Silva, de 46 anos, moradora do bairro da Terra Firme, estava comprando trajes juninos prontos em um ponto ambulante, e relatou que os valores das peças variam de R$ 40 a R$ 55. "Para mim está ótimo de preço, porque estou economizando com pano e costureira. A renda está muito cara", avaliou a feirante.

image Simone Silva, 46, feirante (Carmem Helena / O Liberal)

A trabalhadora revende as confecções em seu armarinho, localizado no bairro da Terra Firme, pelo valor estimado de R$ 120 após aplicar adereços extras.

"Eu nunca comprava quase nada pronto, eu mesma fazia. Como teve muito reajuste, estou optando por comprar pronto. O material está muito caro, principalmente renda, fitilho e chapéu. O milheiro do chapéu disparou: a gente comprava por R$ 70 ou R$ 80 e agora está R$ 250", justificou Simone Silva.

Estilistas finalizam adereços com queda nos preços de pedrarias importadas

Diferente do setor de tecidos e palhas, o segmento de pedrarias registrou redução de custos no atacado. O estilista e coreógrafo Andrio Costa, de 20 anos, realiza compras dos últimos insumos para a quadrilha junina Império de São João, de Vila do Conde, no município de Barcarena, e confirmou que o planejamento começou cedo.

"Estamos desde abril comprando material. Agora estamos apenas nos ajustes finais para o São João", explicou o estilista.

O profissional pontuou que encontrou condições financeiras mais favoráveis para finalizar a ornamentação das roupas deste ano na capital. "Os preços dos materiais estão nos mesmos valores e alguns outros estão mais em conta. Muitas pedrarias estão mais baratas. No ano passado, uma pedraria que custava R$ 50, este ano está saindo por R$ 40. Os valores estão melhores", concluiu Andrio Costa.

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