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No Pará, cooperativas de crédito podem ser alternativas aos bancos

Descubra um panorama da atuação do setor no território estadual

Valéria Nascimento
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Na prática, o Banco Central é quem define as regras e monitora a saúde financeira da cooperativa de crédito, instituição formada pela associação de pessoas para prestar serviços financeiros exclusivamente aos seus associados. É o próprio BC que destaca: as cooperativas de crédito têm os principais serviços disponíveis em bancos tradicionais, como conta-corrente, aplicações financeiras, cartão de crédito, empréstimos e financiamentos.

"A cooperativa de crédito e o banco tradicional oferecem serviços semelhantes, mas têm modelos de negócio diferentes”, diz o economista Nélio Bordalo Filho, que é conselheiro do Corecon PA/AP (Conselho Regional de Economia da 9ª Região – Pará e Amapá).

image Economista Nélio Bordalo Filho afirma que a instituição mais vantajosa é a que apresentar o melhor resultado comparativo de custos financeiros (Foto: Divulgação)

Mas, como identificar quando a troca de um banco por uma cooperativa de crédito pode realmente compensar para o próprio bolso? Bordalo Filho tem experiência como consultor empresarial em Belém e orienta: “A troca pode compensar quando o consumidor deixa de olhar apenas para a marca da instituição e passa a comparar o custo total e os benefícios efetivamente recebidos”.

O cliente é também o cooperado

Bordalo explica que, na cooperativa, o cliente também é um cooperado e, portanto, participa de uma instituição que tem como objetivo atender aos interesses econômicos dos próprios associados. Ou seja, isso pode resultar em tarifas mais competitivas, condições diferenciadas de crédito e eventual distribuição das sobras, conforme as regras e os resultados da cooperativa.

Cleomar Abreu é o diretor regional da Sicredi Ouro Verde MT/PA, uma cooperativa de crédito e instituição financeira que atua no Pará e Mato Grosso. Ele afirma que no modelo cooperativista, os resultados obtidos retornam para os associados e para a comunidade, a partir de investimentos na melhoria dos serviços e da distribuição das sobras.

Para entender como funcionam as chamadas “sobras financeiras” no cooperativismo de crédito, é preciso saber que a instituição é acessível a diferentes perfis de associados. Desde a pessoa física como também, produtores rurais, profissionais liberais, empreendedores e até empresas.

Para se associar, basta apresentar documentos pessoais, comprovante de endereço e atender aos critérios estabelecidos pela área de atuação da cooperativa. Esse novo associado realiza a integralização de sua cota de capital social, que representa sua participação como dono do negócio e esse valor passa a compor seu capital social na cooperativa.

image Cleomar Abreu, diretor do Sicredi Norte: "A migração para uma cooperativa de crédito costuma fazer sentido para quem busca mais proximidade no atendimento e a possibilidade de compartilhar os resultados da instituição da qual faz parte". (Foto: Divulgação / Sicredi Norte)

Ao se tornar associada, explica Cleomar Abreu, a pessoa deixa de ser apenas um cliente e passa a fazer parte da gestão democrática da cooperativa. “Ela tem o direito de participar das assembleias, votar e ser votada para cargos de representação, além de acompanhar os resultados e decisões da instituição”.

O que acontece com as ‘sobras financeiras’

"As sobras correspondem ao resultado positivo obtido pela cooperativa ao longo do exercício. Após as destinações legais e estatutárias, uma parte pode ser distribuída aos associados, conforme deliberação em assembleia. Essa distribuição ocorre de forma proporcional à movimentação de cada associado com a cooperativa durante o período”, diz o diretor Cleomar Abreu.

Em outras palavras, enfatiza o representante do Sicredi: “Quanto maior a utilização dos produtos e serviços, maior tende a ser sua participação nas sobras. Esse é um dos diferenciais mais importantes do cooperativismo, pois o resultado gerado retorna para quem efetivamente contribuiu para a construção desse desempenho”.

Órgão supervisor da atuação das cooperativas, o BC observa que assim como há a partilha das sobras, o cooperado está sujeito a participar do rateio de eventuais perdas, em ambos os casos na proporção dos serviços usufruídos.

Para Nélio Bordalo, “o que importa é descobrir qual instituição é mais eficiente para o seu próprio perfil financeiro”, diz ele, completando: “Para tanto, o consumidor deve avaliar a solidez e a transparência da instituição, a qualidade do atendimento, os canais digitais, a facilidade de acesso ao crédito e a segurança das operações.

“Em termos econômicos, a melhor escolha será aquela que oferecer o melhor equilíbrio entre custo, benefícios, segurança e conveniência. Portanto, não existe uma instituição universalmente melhor: existe aquela que é mais adequada ao perfil financeiro de cada consumidor”, afirma Bordalo Filho.

Veja a lista dos produtos e serviços disponíveis para os associados:

Contas correntes: para movimentação do dinheiro no dia a dia.

Cartões: para compras e pagamentos.

Crédito pessoal e empresarial: empréstimos para pessoas físicas e empresas.

Financiamentos: opções específicas para a compra de veículos e imóveis.

Crédito rural: focado no setor do agronegócio.

Investimentos: opções para aplicar e render o dinheiro.

Seguros: proteção para a vida, bens e negócios.

Consórcios: planos para aquisição programada de bens.

Previdência privada: planos de aposentadoria e futuro financeiro.

Meios de pagamento: ferramentas para receber e realizar pagamentos.

Atendimento digital: canais virtuais para movimentar a conta e acessar serviços.

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Economia
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