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GASOLINA EM BELÉM

Gasolina sobe mais de R$ 0,10 em Belém após aumento do ICMS e impacta orçamento dos motoristas

Preço nos postos da capital variou entre R$ 6,35 e mais de R$ 7, segundo consumidores; aumento de tributo elevou custo do combustível em fevereiro.

Jéssica Nascimento

17 de fevereiro de 2025 às 15:05

O aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da gasolina, que passou de R$ 1,37 para R$ 1,47 por litro no dia 1º de fevereiro, já reflete nos preços dos postos de combustíveis de Belém. Consumidores relatam reajustes que variam entre R$ 0,10 e R$ 0,20 por litro, impactando diretamente no orçamento mensal. Advogado do Sindicombustíveis Pará reforça que o preço final do combustível depende de uma série de fatores, além da tributação.

Tabela de preço dos combustíveis.
Tabela de preço dos combustíveis. (Thiago Gomes/O Liberal)

Reajuste nos postos e impacto no orçamento

Os motoristas que abastecem regularmente em Belém já perceberam a diferença nos preços. O microempreendedor do ramo automotivo Daniel Queiroz afirma que costumava pagar entre R$ 6 e R$ 6,10 por litro, mas agora o preço subiu para R$ 6,35. Em alguns postos, o aumento chegou a mais de R$ 0,20. "Antes eu colocava R$ 100 de gasolina por semana. Agora tenho que colocar mais. Eu não reduzi o uso do meu carro por conta do aumento do preço, infelizmente não tem como", lamenta.

Posto de combustível em Belém na manhã desta segunda (17).
Posto de combustível em Belém na manhã desta segunda (17). (Thiago Gomes/O Liberal)

O engenheiro eletricista Anderson Leal, que usa o carro diariamente para trabalhar, também sentiu o impacto. "Costumava pagar entre R$ 5,90 e R$ 6, agora já está na faixa de R$ 6,35. Tem postos que passam de R$ 7. Dependendo do posto, o aumento foi de até R$ 0,20", afirma. Segundo ele, o acréscimo no valor do combustível tem exigido um gasto ainda maior no orçamento diário. "Antes eu abastecia R$ 100 por dia, mas já teve dia que precisei abastecer duas vezes para manter a rotina de trabalho”, revelou. 

Anderson Leal.
Anderson Leal. (Thiago Gomes/O Liberal)

Escolha do posto e busca por qualidade

Mesmo com o aumento, muitos consumidores optam por manter a fidelidade a determinados postos, priorizando a qualidade do combustível. O contador Igor Duvinski destaca que, apesar do impacto financeiro, ele prefere abastecer em postos nos quais confia. "A gente sabe que às vezes o barato sai caro. Prefiro garantir que o combustível não vai prejudicar o motor do carro", explica.

Igor Duvinski.
Igor Duvinski. (Thiago Gomes/O Liberal)

Anderson Leal segue a mesma lógica: "Eu faço uma relação de custo-benefício. Tem postos que vendem gasolina com procedência duvidosa, então prefiro pagar um pouco mais para evitar problemas mecânicos".

Tributação e composição do preço final

Segundo Pietro Gasparetto, advogado do Sindicombustíveis Pará, o reajuste nos preços é resultado não apenas da alta do ICMS, mas também de outros fatores que compõem o valor da gasolina. "O preço do petróleo no mercado internacional, a taxa de câmbio e os custos de produção e distribuição influenciam diretamente no valor final do combustível", explica.

Atualmente, cerca de 34% do preço da gasolina comum corresponde a impostos estaduais e federais. Outros 50% são do valor do combustível na refinaria e os 16% restantes se dividem entre distribuição e revenda. 

Gasparetto destaca que os postos operam com margens de lucro reduzidas e que há liberdade na precificação. "A opinião pública frequentemente responsabiliza os postos pelo aumento, mas é essencial compreender que a maior parte do valor final do combustível vem da tributação e dos custos operacionais”, explica.

Ele ressalta que o Sindicombustíveis Pará não realiza o acompanhamento de preços devido à vedação legal. “Importante esclarecer, no entanto, que não há exigência legal de que eventual aumento seja do exato montante de impostos, havendo liberdade de preços para a definição de forma livre por parte de cada empresa”, declara. 

Fiscalização de preços 

De acordo com Pietro Gasparetto, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) fiscaliza a qualidade e quantidade dos produtos e o PROCON (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor) a ocorrência de preços abusivos. 

No entanto, o advogado explica que não há previsão legal de limite na precificação dos combustíveis. 

“A liberdade de preços no mercado de combustíveis  é garantida pela Lei nº 9.478/1997 (Lei do Petróleo), que eliminou o controle estatal sobre os preços. Desde então, os valores dos combustíveis são definidos livremente pelos agentes do mercado — refinarias, distribuidoras e postos”, afirmou.

Para Gasparetto, embora órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, tenham competência para fiscalizar e coibir práticas abusivas, eles não podem impor tabelamento ou determinar a alteração de preços, pois isso violaria a liberdade econômica garantida pela legislação.

Perspectivas e alternativas para o consumidor

Para os consumidores, a expectativa é que o governo federal tome medidas para reduzir a carga tributária sobre os combustíveis. "Se você aumenta o imposto no combustível, toda a cadeia produtiva e de suprimentos é impactada", afirma Anderson Leal.

O contador Igor Duvinski também critica a falta de políticas para alternativas energéticas na região. "Temos refinaria de álcool no próprio Pará, mas o preço do etanol continua alto. A falta de incentivo ao uso desse combustível faz com que dependamos ainda mais da gasolina”, ressalta.

Com o cenário de alta nos combustíveis, os consumidores de Belém seguem monitorando os preços e buscando formas de amenizar o impacto no orçamento, seja escolhendo postos mais confiáveis ou avaliando a possibilidade de adotar meios de transporte alternativos.