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Feirantes do Ver-o-Peso reclamam de queda no movimento após alta no preço de frutas

Maiores aumentos de janeiro a maio ficaram com a laranja pera (75,5%), melancia (50,82%) e melão amarelo (49,20%)

Natália Mello

Feirantes do complexo do Ver-o-Peso, a maior feira a céu aberto da América Latina, reclamam da queda no movimento após altas constantes no preço das frutas. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) nesta segunda-feira (6), os maiores aumentos no acumulado de janeiro a maio deste ano ficaram com o quilo da laranja pera (75,5%), da melancia (50,82%) e do melão amarelo (49,20%), todos acima da inflação calculada para o período pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimada em 4,93%.

Somente no mês de maio, o levantamento, feito em feiras livres e supermercados da Grande Belém, apontou uma alta de 6,63% no quilo do maracujá; seguido do quilo da acerola, com alta de 3,29%; manga rosa (kg), com alta de 3,16%; melão amarelo (kg), com alta de 2,75%; e limão (kg), com alta de 1,95%. Ainda no mês cinco do ano de 2022, poucas frutas sofreram recuos de preços, com destaque para a goiaba vermelha (kg), com queda de 3,34%; seguida do abacate (kg), com queda de 2,87%; e do abacaxi (unid), com queda de 1,75%.

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Voltando para o acumulado do ano, também foi registrado um aumento expressivo nos preços do mamão (kg), com alta de 30,62%; maracujá (kg), com alta de 25,71%; e banana prata (kg), com alta de 6,60%. No mesmo período, as frutas que apresentaram recuos nos preços foram o abacate (kg), com recuo de 28,43%; seguido do limão (kg), com queda de 12,02%; e goiaba vermelha (kg), com queda de 7,57%.

Seu Benedito Nascimento é feirante há 25 dos seus quase 46 anos de Ver-o-Peso. Ele conta que um dos maiores aumentos foi o da laranja. Uma saca com um cento custa para ele, antes, entre R$ 10 e R$ 15. Atualmente, a mesma quantidade da fruta comprada para a revenda na feira passou a custar em torno de R$ 30. “Diminuiu muito o movimento. Quem vinha aqui comprar duas sacas, compra um agora, quem vinha comprar um, agora não leva nenhum”, afirma.

De acordo com o feirante, os produtores de quem ele compra argumentam que o combustível é um dos principais fatores para as altas, que causaram, diretamente, uma perda de 50% do fluxo de clientes na barraca. “Por conta de comprar mais caro, vendia a R$ 20, R$ 30, hoje vendo a R$ 50. Aí quando começa a complicar a venda das frutas, vamos para vender as regionais, pupunha, cupuaçu, uxi. A gente vai virando”, finaliza.

A cuidadora Glória Moreno, de 48 anos, diz que não deixou de comprar frutas devido à preocupação com os pais, que são idosos, e precisam ter frutas na alimentação. “A laranja não deixo de comprar porque é vitamina c e é muito bom. Mas tudo aumentou, e não dá para comprar menos, a única coisa que diminuí foi a laranja. Às vezes compro no supermercado porque tem promoção”, diz.

A feirante Telma do Socorro está também há bastante tempo no mercado, cerca de 30 anos dos seus 50, e afirma ter observado o aumento generalizado no preço das frutas. “A melancia, eu comprava a R$ 0,60, R$ 0,70, hoje está custando R$ 2, R$ 3 na Ceasa. Aí decido se compro mais em conta e vendo o pedaço. E caiu o movimento, porque aumentou o preço. As nossas goiabas, vendíamos a R$ 3, hoje vendemos R$ 5, o quilo”, comenta.

A manicure Leila Queiroz, de 54 anos, também reclama das altas nos preços, e arrisca dizer que não existe mais vantagem entre os preços da feira do Ver-o-Peso e dos supermercados. “Antes era uma opção para comprar mais barato, mas não está mais, não vale a pena vir aqui, não. No supermercado a gente compra bem pouco mais caro, mas mais selecionado. Difícil. Antes comprava um cacho de banana a R$ 5, hoje comprei a R$ 13 reais. Aumentou absurdamente”, finaliza.

De maio de 2021 a maio de 2022, o Dieese revelou reajustes ainda mais altos.

Confira os reajustes nos preços das frutas

 

  • Melão Amarelo (kg): 96,15%
  • Melancia (kg): 55,93%
  • Laranja pera (kg): 37,99%
  • Abacate (kg): 31,13%
  • Goiaba vermelha (kg): 30,17%
  • Mamão (kg): 23,23%
  • Maracujá (kg): 20,11%
  • Banana prata (kg): 11,13%
  • Manga rosa (kg): 10,37%
  • Acerola (kg): 6,65%
  • Limão (kg): 6,09%
Economia
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