O mercado de bandas cover tem espaço em Belém e movimenta músicos que encontraram nos shows uma forma de transformar a paixão pela música em renda. Com repertórios dedicados a artistas e estilos específicos, os grupos se apresentam em bares, festas particulares, casamentos, eventos empresariais e outros espaços.
Com diferentes modelos de atuação, músicos como Luciano Lima, da Geo Rocks, e Sandro Galtran, integrante de uma banda cover do Linkin Park, acumulam mais de uma década de experiência e relatam os desafios de manter os projetos ativos na capital paraense.
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A Geo Rocks foi criada em 2011, depois que Luciano Lima, formado e mestre em Geologia, decidiu deixar a área para seguir carreira na música. Desde o início, a banda se especializou no pop rock internacional. “Até hoje, a principal característica da Geo Rocks é justamente essa identidade ligada às décadas de 1980 e 1990. Trazer essas músicas de volta é o diferencial que marca nossos shows”, afirma Luciano.

Segundo ele, a banda realiza, em média, 20 apresentações por mês, mas o número varia conforme o período do ano. Em alguns meses, são 16 ou 17 shows; em outros, a agenda chega a 24 ou 26 e pode ultrapassar 30 apresentações.
A banda também realiza casamentos, aniversários, formaturas, confraternizações e eventos empresariais, além de apresentações em municípios do Pará e fora do estado.
Custos e cachês
Manter uma banda exige gastos com equipamentos, transporte, ensaios, produção e divulgação. Na Geo Rocks, o cachê varia conforme o tipo de apresentação, a distância, a estrutura necessária e a duração do show. O padrão é de duas horas, com cobrança adicional quando o tempo é maior.
Em meses de agenda mais tranquila, um integrante pode receber cerca de R$ 5 mil. Em períodos de maior movimento, como dezembro, o valor pode ultrapassar R$ 10 mil por músico. Segundo Luciano, a média fica entre R$ 7 mil e R$ 10 mil para alguns integrantes.
Na banda cover de Linkin Park, os principais custos envolvem ensaios, manutenção e reposição de instrumentos e equipamentos, além de transporte e combustível. Atualmente, o grupo realiza cerca de cinco shows por mês, considerando a média de junho e julho.
A banda também investe em recursos técnicos para reproduzir elementos das músicas do Linkin Park, como samples, programações e componentes eletrônicos. Há ainda despesas com divulgação, produção de conteúdo, identidade visual e manutenção de equipamentos.
Além dos custos financeiros, Sandro destaca o tempo dedicado à preparação. Os integrantes precisam estudar individualmente, ajustar instrumentos e timbres, ensaiar coletivamente e preparar as sessões utilizadas nas apresentações. “Mais do que simplesmente pagar ensaio e comprar corda ou baqueta, existe um investimento contínuo de dinheiro, equipamento e principalmente tempo para que, quando a gente suba no palco, o público receba um show que faça justiça ao repertório”, explica.
Mercado competitivo
Para Sandro, um dos principais desafios para empreender com música em Belém é o tamanho do mercado. “Existe muita gente boa produzindo e tocando na cidade, mas o número de espaços e oportunidades disponíveis não cresce necessariamente na mesma proporção”, afirma.
A estratégia da banda é se diferenciar pela qualidade e pela experiência oferecida ao público, com reprodução de timbres, elementos eletrônicos, dinâmica do show e outros detalhes das músicas originais.
A divulgação também é considerada fundamental para transformar o público em novas oportunidades de trabalho. Redes sociais, produção de conteúdo, registros das apresentações e relacionamento com os fãs ajudam a mostrar aos contratantes o interesse pelo projeto.
Na banda de Linkin Park, a música funciona como uma atividade complementar. Os integrantes mantêm outras profissões: há um advogado, um profissional que trabalha com produção musical e é dono de estúdio, além de Sandro, que é jornalista, e outro integrante que atua como editor multimídia.

Na Geo Rocks, segundo Luciano, a banda representa a principal fonte de renda dos integrantes, embora alguns também façam apresentações com outros grupos quando não há conflito de horários.
Para Luciano, é possível viver de música em Belém, mas isso depende da dedicação de cada profissional, da divulgação e das oportunidades conquistadas ao longo da carreira. “Quanto mais você divulga o trabalho e quanto mais as pessoas conhecem e gostam, maior é a procura pelos shows”, afirma.
*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia
