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Atividade econômica cai 4,5% no Pará, no trimestre até maio

No mesmo período, índice da Região Norte recuou 6,9%, segundo Boletim Regional do BC

Roberta Paraense

Os indicadores de atividade mostram sinais de recuperação parcial da economia brasileira. Esta foi a avaliação do Banco Central (BC), em Boletim Regional divulgado no final da última semana. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central da Região Norte recuou 6,9% no trimestre até maio, em relação ao encerrado em fevereiro (0,6%), de acordo com dados dessazonalizados (ajustados para o período), com retração de 4,5% no Pará e de 15,2% no Amazonas.

O BC aponta também que a diminuição das vendas do comércio varejista, mais acentuada do que a observada na média do país, refletiu, em grande parte, o isolamento social intenso no período mais severo da pandemia do novo coronavírus. Indicadores de acompanhamento mais tempestivos sugerem recuperação das vendas em junho e início de julho, em linha com a redução do distanciamento social.

O economista Roberto Sena, também supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), entidade que desenvolve pesquisas que subsidiam a economia no Estado, elenca os dois principais setores da economia paraense, os quais puxam os índices positivos: o comércio e serviço. “Se formos levar em consideração os meses mais críticos da pandemia, temos um sinal de melhora. Mas isso não quer dizer aquecimento, e sim que houve, com dinheiro circulando, uma movimentação maior na economia”, explicou.

Roberto Sena destaca que o serviço e o comércio têm grande destaque na geração de empregos no Pará, seguidos da indústria e da construção civil. “Eles são grandes geradores de mão de obra no Estado, o que faz ter uma grande importância na economia. O que temos percebido é que o desemprego ficou mais tímido e as pessoas, com o uso dos auxílios emergenciais, proporcionados pelo Governo Federal, passaram a ter mais poder de compra. E tendo esse poder de consumo, aumentam os trabalhos, a demanda e a produção”, destacou Sena.

O economista também destaca que os setores extrativistas mineral e da agricultura são importantes para o Produto Interno Bruto (PIB) no Pará, no entanto, não são tradicionais geradores em massa de renda e emprego à população.

O Banco Central ainda observa que, mesmo com melhor conhecimento da dimensão dos impactos iniciais da pandemia, o grau de incerteza sobre o ritmo de recuperação da economia permanece acima do usual, sobretudo a partir do final deste ano, concomitantemente ao esperado arrefecimento dos efeitos dos auxílios emergenciais.

Todavia, a atividade econômica mostra sinais de recuperação parcial, com setores mais diretamente afetados pelo distanciamento social ainda bastante deprimidos, apesar da recomposição de renda gerada pelos programas de governo [como o auxílio emergencial].

Especialista em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Felipe Gomes alerta para um possível retrocesso neste semestre. “Apesar da economia ficar parada com as medidas de isolamento social, foi injetado muito dinheiro, com as medidas paliativas do Governo, para ajudar os mais afetados. No entanto, foram contempladas também pessoas que não tinham nenhum recurso antes da covid-19, que não trabalhavam e nos últimos meses tiveram uma renda que foi usada para o consumo e, por isso, os setores do comércio e do serviço são os mais beneficiados. Essa renda acabando, podemos voltar a uma retração”, observou.

Para se ter ideia, no Pará, o benefício do auxílio emergencial já injetou na economia cerca de R$ 6,3 bilhões, o que, em miúdos, representa 5,2% do total do valor pago em todo o Brasil e 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) local. O valor corresponde também a mais de 50% do que foi pago na região Norte, que é de R$13 bilhões. Os índices foram levantados pela Caixa Econômica Federal (CEF) até o dia 10 de julho.

Na avaliação por regiões, o Banco Central explica que os impactos econômicos da pandemia foram relevantes e de intensidade relativamente semelhante, com exceção do Centro-Oeste, que registrou efeitos menos pronunciados.

A retração da atividade econômica entre as regiões do país variou de 3,5% no Centro-Oeste a 8% no Nordeste, no trimestre encerrado em maio, na comparação com o período anterior (dados com ajustes sazonais).

Agro

O agronegócio contribui em média com 21% para a composição do PIB dos municípios, representando a base econômica de grande parte deles e fonte de ocupação para parcela substantiva da população. O campo absorve cerca de 1.500.292 milhões de pessoas no Pará. O Estado é líder na produção nacional de açaí, abacaxi, cacau, dendê, mandioca e pimenta do reino. Também destaca-se na produção de limão, banana e coco, ocupando, respectivamente, o 2º, 3º e 4º lugar no ranking nacional.

O vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Fernão Zancaner, destaca que a produção, durante o período mais severo do isolamento social, em função do novo coronavírus, pouco foi tão afetada como outros segmentos.

“Trabalhamos em campo aberto, sem aglomeração de pessoas, o que evita o risco de muito contato e contágio com as atividades urbanas. Com isso, o setor foi beneficiado com a sua natureza de atividade. Existiram alguns entraves com o abastecimento de insumos, mas não foi significativo. Então, ele sofreu menos com a covid, com isso, não tivemos diminuição de safra, muito pelo contrário, houve um aumento, como vemos os dados. A valorização do dólar também beneficiou o agro, visto a valorização das commodities. Com tudo isso, percebemos a importância do agro em nosso Estado”, apontou.

Economia
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