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Unidade a R$ 10: caranguejo fica 18% mais caro no ano e tem alta de 30% em 12 meses em Belém

Levantamento do Dieese/PA aponta impacto do defeso e da menor oferta, enquanto vendedores relatam dificuldade para manter estoques e preços elevados nos mercados da capital

Jéssica Nascimento

O preço do caranguejo voltou a subir com força em Belém e já pesa no bolso do consumidor. Pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese/PA), realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedcon), mostra que a unidade do crustáceo acumulou alta de 18,08% apenas no primeiro bimestre de 2026 e de 30,65% nos últimos 12 meses.

De acordo com o levantamento exclusivo enviado ao Grupo Liberal nesta quinta (19/03), o preço médio do caranguejo tipo médio passou de R$ 3,85 em fevereiro de 2025 para R$ 5,03 em fevereiro de 2026. Só na comparação entre janeiro e fevereiro deste ano, o aumento foi de 17,25%. O crescimento é bem superior à inflação oficial do período, medida pelo INPC (Índice de Preços ao Consumidor), que ficou em 3,81% nos últimos 12 meses.

Defeso e clima explicam aumento

Segundo o supervisor técnico do Dieese/PA, Everson Costa, a elevação está diretamente ligada a fatores sazonais e ambientais, principalmente o período de defeso do caranguejo-uçá, quando a captura e comercialização são restringidas para garantir a reprodução da espécie.

“O defeso reduz significativamente a oferta do produto nos mercados, já que a captura legal fica limitada e os estoques diminuem. Mesmo após o fim do período, a recomposição da cadeia de abastecimento ocorre de forma lenta, mantendo os preços elevados por algum tempo”, explica.

Ele também destaca a influência das condições climáticas na região amazônica, que impactam diretamente na captura do animal.

Preço chega a R$ 10 nas feiras

Na prática, o consumidor já sente o aumento. Em feiras livres da capital, o preço varia conforme o tamanho do crustáceo.

“O preço do caranguejo nessa época tá variando de R$ 7 até R$ 10 a unidade. O caranguejo médio tá custando R$ 7 e o grande tá R$ 10”, relata o vendedor Raimundo Álvaro, da Feira da 25 na Avenida Romulo Maiorana. 

Ele explica que o custo maior na compra obriga o repasse ao consumidor. “Pra gente trabalhar, a gente paga mais caro. Aí tivemos que aumentar aqui”, disse.

Estoque limitado e vendas moderadas

Durante o defeso, os vendedores trabalham com estoque reduzido e sob controle. Caso o produto acabe, as vendas são interrompidas.

“De hoje para amanhã, se acabar todos os caranguejos que têm aqui, a gente não trabalha mais”, afirma Raimundo. “As vendas estão razoáveis. Eu não vou dizer que estão boas”, relatou.

O período de restrição, segundo ele, segue até o início de abril, quando há nova liberação gradual.

Oferta menor mantém preços elevados

Outro vendedor da Feira da 25, Sidney Martin, confirma que o defeso pressiona os preços e reduz a disponibilidade do produto.

“Nesse período, o preço do caranguejo fica um pouco caro por causa do defeso. A unidade está entre R$ 7, R$ 8, R$ 10, dependendo do tamanho”, diz.

Ele avalia que o valor deve se manter nesse patamar, mas com menor quantidade disponível. “A tendência é diminuir a quantidade”, declarou.

Sidney também destaca a importância do cumprimento das regras ambientais. “A gente trabalha tudo no documento, tudo certinho, porque também é a favor do seguro defeso. Se o ser humano destruir a natureza, a gente tá ferrado”, disse.

Preços médios por unidade do caranguejo - tipo médio (Fonte: Dieese/Pa)

  • Fevereiro/2025: R$ 3,85
  • Dezembro/2025: R$ 4,26
  • Janeiro/2026: R$ 4,29
  • Fevereiro/2026: R$ 5,03

Variações percentuais

  • Fevereiro/2026 em relação a janeiro/2026: +17,25%
  • Acumulado do 1º bimestre de 2026 (jan–fev): +18,08%
  • Acumulado dos últimos 12 meses (fev/2025 a fev/2026): +30,65%

Comparação com a inflação

  • Inflação oficial (INPC) no mesmo período: 3,81%