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Turismo brasileiro deve alcançar R$ 218 bilhões e paraenses dizem que viajar ficou mais difícil

Levantameto da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) confirma o comportamento dos paraenses

Gabi Gutierrez

Viajar em 2025 tem exigido mais organização e escolhas estratégicas por parte dos paraenses. Embora o desejo de viajar siga aquecido, os custos ainda impõem a necessidade de planejamento antecipado por parte dos consumidores. Mesmo assim, o setor turístico brasileiro segue em expansão. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a alta temporada 2025/2026 deve registrar crescimento de 3,7% no faturamento em relação ao período anterior.

De acordo com a entidade, o turismo brasileiro deve faturar R$ 218,77 bilhões entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, período que concentra cerca de 44% da receita anual do setor. Apesar da expansão, os custos com transporte continuam influenciando diretamente as decisões dos viajantes, levando muitos consumidores a ajustar escolhas e buscar alternativas mais econômicas.

A produtora de rádio Giulliana Castro, que viajou em 2025 para São Luís (MA) com amigos, conta que a decisão só foi possível após encontrar valores considerados acessíveis. Ainda assim, ela percebeu diferenças significativas em relação a viagens feitas antes da pandemia. “Em relação à última vez que tinha viajado, em 2019, senti muita diferença, principalmente nos valores de passagem”, afirma.

Passagem aérea vira principal corte de gastos

Segundo Giulliana, o aumento no preço das passagens aéreas foi o fator que mais impactou o planejamento da viagem. Para reduzir custos, a escolha foi trocar o avião pelo transporte rodoviário. “Passagem aérea foi o primeiro corte de gastos necessário. Foi, com certeza, o aumento que mais impactou no bolso”, relata.

O movimento acompanha o comportamento observado nacionalmente. Apesar da recente desaceleração dos preços, dados do IPCA mostram que, nos dez meses encerrados em outubro de 2024, as passagens aéreas acumularam queda de 14,4%, enquanto as passagens de ônibus interestaduais recuaram 1,8%. Ainda assim, o transporte segue como um dos principais fatores de pressão no orçamento das viagens.

Hospedagem pesa mais que alimentação

Na divisão dos gastos, a hospedagem foi o item que mais pressionou o orçamento da viagem de Giulliana. Por outro lado, a alimentação apresentou melhor custo-benefício no destino escolhido. “A hospedagem foi o que mais pesou. Já a alimentação tinha um custo-benefício muito bom”, explica.

Segundo a CNC, os gastos dos turistas durante a alta temporada tendem a se concentrar principalmente em bares e restaurantes, que devem movimentar R$ 97,3 bilhões, seguidos pelo transporte rodoviário, com previsão de R$ 34,1 bilhões em receitas. Já os setores de hospedagem e transporte aéreo costumam concentrar boa parte de seus ganhos de forma antecipada, no momento da reserva.

Planejamento antecipado vira regra para viajar

Para conseguir viajar sem comprometer as finanças, o planejamento antecipado foi essencial. A produtora afirma que pagou despesas com antecedência e avaliou diferentes opções de transporte e hospedagem. “Me planejei bastante, paguei tudo antes e escolhi as opções mais baratas para não passar sufoco”, diz.

Esse comportamento acompanha o perfil de um consumidor mais cauteloso, em um cenário de aumento do fluxo turístico. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que, entre janeiro e setembro de 2025, 96,2 milhões de passageiros foram transportados no país, volume 9,8% superior ao registrado no mesmo período de 2024. Nos voos internacionais, o crescimento foi ainda maior, com alta de 15,6%, impulsionada pela maior presença de turistas estrangeiros.

Crescimento do turismo convive com consumidor mais cauteloso

O otimismo do setor também se reflete na geração de empregos. A CNC estima a criação de 87,6 mil postos de trabalho formais durante a alta temporada 2025/2026, o maior volume desde 2014. Mais de 70% das vagas devem se concentrar no segmento de alimentação, seguido pelos setores de transporte e hospedagem.

Apesar do cenário positivo para o turismo brasileiro, viajar em 2025 ainda é considerado mais difícil por parte dos consumidores, especialmente quando comparado ao período pré-pandemia. “Foi mais difícil do que eu imaginava. Mesmo escolhendo as melhores opções, precisei me planejar muito”, resume Giulliana.