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TAP aposta em Belém como porta de entrada para a Europa e amplia estratégia com turismo e stopover

Fluxo entre o continente europeu e a capital paraense tem crescido, com o interesse do turista estrangeiro

Maycon Marte

A rota entre Belém e Lisboa tem se consolidado como um dos principais eixos de conexão entre a Amazônia e a Europa, tanto pelo volume de passageiros quanto pelo potencial de crescimento. Segundo o diretor da TAP Air Portugal para as Américas, Carlos Antunes, a capital paraense já movimenta cerca de 60 mil passageiros por ano apenas pela companhia, em um fluxo estimado de aproximadamente 70 mil viajantes anuais na ligação entre a região e o continente europeu. O número leva em conta apenas os passageiros transportados diretamente pela TAP, mas, segundo o executivo, a demanda real é ainda maior, considerando viajantes que optam por conexões em outros hubs nacionais, como Brasília e São Paulo.


“Há uma parcela significativa de passageiros que sai de Belém, desce para outros centros e acaba fazendo conexões com outras companhias, muitas vezes percorrendo trajetos mais longos e perdendo tempo de viagem”, explica.

Esse cenário evidencia, na avaliação da empresa, um potencial de expansão ainda não totalmente explorado. Ao evitar deslocamentos adicionais dentro do Brasil, a rota direta tende a reduzir o tempo de viagem e aumentar a competitividade da capital paraense como ponto de embarque internacional.

A divisão do perfil dos passageiros também ajuda a explicar o comportamento da rota. De acordo com Antunes, cerca de metade da demanda tem origem local, passageiros que viajam por motivos diversos, como negócios, estudo ou visitas familiares. Os outros 50% estão ligados ao turismo. Nesse aspecto, Belém apresenta características distintas de Manaus, que, segundo o executivo, possui uma vocação mais fortemente turística. “Belém tem uma população maior que utiliza mais o voo, enquanto Manaus recebe mais turistas”, afirma.

Além do fluxo direto, a TAP aposta em estratégias para estimular novas viagens e ampliar o tempo de permanência dos passageiros em seus destinos. Uma das principais ferramentas é o programa “Portugal Stopover”, que já inclui Belém entre as cidades elegíveis e vem sendo promovido como diferencial competitivo da companhia.

A iniciativa permite que passageiros que partem do Brasil com destino a outras cidades europeias façam uma parada em Portugal, sem custo adicional na tarifa aérea, por até dez dias. Na prática, o viajante pode transformar uma conexão em uma segunda experiência turística. “É como fazer duas viagens em uma só”, resume Antunes.

O programa também oferece benefícios adicionais, como descontos em hotéis, restaurantes e atrações culturais em cidades portuguesas, ampliando o apelo da parada intermediária. A estratégia dialoga diretamente com uma tendência crescente no setor de turismo internacional, conhecida como “bleisure”. Seria a combinação de viagens de negócios com momentos de lazer.

Nesse modelo, um passageiro que viaja a trabalho para cidades como Roma ou Milão pode incluir alguns dias em Lisboa antes, ou após seus compromissos profissionais, sem aumento no custo da passagem aérea. Para a companhia, a proposta amplia o valor percebido da viagem e incentiva a escolha pela TAP em rotas que ligam o Brasil à Europa.

Com operação regular e demanda consolidada, Belém passa a ocupar um papel estratégico no planejamento da empresa para a América do Sul. A expectativa é de que o fortalecimento da rota, aliado a iniciativas como o stopover, contribua para ampliar o fluxo internacional na região e reforçar a posição da capital paraense como um dos principais pontos de conexão aérea da Amazônia com o mercado europeu.