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Suspensão da carne brasileira pela UE é vista pela Faepa como 'guerra tarifária'

Segundo o diretor da Faepa, Guilherme Minssen, medida ultrapassa questões sanitárias e representa pressão comercial contra países exportadores da América Latina

Gabi Gutierrez

A decisão da União Europeia de suspender a importação de carne brasileira e outros produtos de origem animal é vista pela Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) como uma “guerra tarifária”. O posicionamento foi defendido pelo diretor da entidade, Guilherme Minssen, após o bloco europeu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes ao mercado europeu.

Segundo o diretor da Faepa, a medida ultrapassa questões sanitárias e representa uma pressão comercial e econômica contra países exportadores da América Latina. A suspensão foi anunciada nesta terça-feira (12) pela Comissão Europeia, que alegou preocupações relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal brasileira.

“Estamos novamente acompanhando uma guerra tarifária, uma guerra que já existe há bastante tempo”, afirmou Guilherme Minssen.

A decisão da União Europeia afeta produtos como carne bovina, carne de frango, ovos, pescados, mel e animais vivos destinados à produção de alimentos. O bloco europeu argumenta que o Brasil ainda não apresentou garantias suficientes para atender às normas sanitárias exigidas pelo mercado europeu.

Para a Faepa, no entanto, a restrição tem impacto muito mais econômico do que sanitário. Minssen destacou que o Brasil permanece como uma das maiores potências mundiais na exportação de carne bovina e que nenhum outro país possui atualmente a mesma capacidade de produção em escala.

“Não existe nenhum outro mercado capaz de substituir o mercado brasileiro, que é o melhor exportador e maior exportador de carne bovina”, declarou.

O diretor também ressaltou que o Brasil concentra grande parte das exportações no mercado asiático e mantém produção em larga escala com competitividade internacional.

“Nós exportamos com qualidade e em quantidade muito grande, alimentando principalmente o mercado asiático”, disse.

Ainda segundo a Faepa, quem mais perde com a suspensão das exportações brasileiras será o consumidor europeu, que poderá enfrentar redução na oferta de proteína animal de alta qualidade.

“Quem sai perdendo nesse momento são os europeus, que vão ter que consumir carne de outro lugar”, afirmou Minssen.

O governo brasileiro informou que pretende discutir a decisão com autoridades da União Europeia e buscar a reversão da medida nos próximos meses. O Ministério da Agricultura afirmou que o país possui um sistema sanitário reconhecido internacionalmente e que irá apresentar esclarecimentos técnicos ao bloco europeu