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Sistema separa água da chuva em áreas de depósito de resíduos em Barcarena

Tecnologia direciona esse volume diretamente para o meio ambiente, após análise de qualidade, reduzindo o envio de água limpa para as estações de tratamento.

Gabi Gutierrez

A gestão da água da chuva em áreas industriais é um dos pontos mais sensíveis em complexos de produção localizados na Amazônia, onde o volume de precipitação é alto ao longo do ano. Em Barcarena, no nordeste do Pará, um novo sistema foi implantado em um depósito de resíduos de bauxita com o objetivo de separar a água da chuva que não teve contato com material industrial.

Na estrutura que atua no município paraense, parte da água que escoa por áreas operacionais precisa ser coletada e tratada antes de ser devolvida ao meio ambiente, o que aumenta a demanda sobre sistemas de tratamento. A ideia é direcionar esse volume diretamente para o meio ambiente, após análise de qualidade, reduzindo o envio de água limpa para as estações de tratamento.

Sistema separa água da chuva em áreas reabilitadas

A tecnologia foi aplicada em áreas em processo de reabilitação do depósito de resíduos sólidos. Esses locais passam por impermeabilização, cobertura com solo natural e plantio de vegetação, etapa que, segundo a empresa responsável pela operação, impede o contato da água da chuva com o material residual.

O Grupo Liberal visitou as instalações da operação para conhecer o funcionamento do sistema e acompanhar as explicações técnicas sobre o processo de separação e monitoramento da água.

Segundo Paschoal Cataldi, gerente executivo da área de resíduos da Hydro, o modelo foi desenvolvido com base em estudos e passou por dois anos de testes antes de entrar em operação. “Isso foi concebido desde o conceito, construído com base em estudo e monitoramento. Ficamos dois anos testando o funcionamento do sistema antes de operar de forma contínua”, afirmou.

Ele explica que a lógica do sistema é evitar que água limpa seja direcionada para tratamento industrial. “A ideia é justamente separar a água de chuva que não teve contato com resíduo. Essa água, por natureza, não precisa passar por estação de tratamento”, disse.

Como funciona o monitoramento da água

Antes de ser liberada ao meio ambiente, a água passa por monitoramento de parâmetros como turbidez, pH e condutividade.

“Os instrumentos medem a turbidez. Se a água tiver turva, significa que está misturando alguma coisa que não devia. Tem um limite de 100 e a gente trabalha em 10, 15. Mede também o pH, que deve estar em torno de sete. A norma permite até praticamente 10, mas a gente fica abaixo disso porque é água da chuva”, explicou Cataldi.

Segundo ele, o sistema funciona com mecanismos de redundância para garantir segurança no processo.

“Isso é feito em redundância. Se qualquer instrumento disser que está errado, mesmo que seja defeito do equipamento, ele não permite abrir para jogar para o meio ambiente. A segurança é justamente essa: se houver dúvida, não libera”, afirmou.

Estrutura redireciona água em caso de alteração

O representante da empresa detalhou, ainda, que o sistema novo verifica quando há qualquer variação nos parâmetros ambientais, a água não é liberada diretamente ao meio ambiente e segue para tratamento na própria unidade.

Cataldi reforça que o sistema foi desenhado para responder automaticamente a qualquer inconsistência. “Se houver qualquer alteração, o sistema fecha e essa água vai para o canal de tratamento. Só é liberada quando está dentro dos parâmetros”, disse.

O volume de água que passa pelo sistema é monitorado continuamente e deve ser devolvido aos cursos d’água da região dentro da capacidade natural das vazões, sem alteração das características dos corpos hídricos.

O monitoramento é feito em tempo real e os resultados são enviados em relatórios periódicos para a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas).