Seguro-defeso no Pará: Beto Faro debate impactos da MP 1.323 com pescadores
Rodada de reuniões com entidades de 8 estados avalia riscos de exclusão e novas regras para o benefício de pescadores artesanais
A equipe técnica do senador Beto Faro (PT-PA) iniciou, nesta terça-feira (10), uma rodada de reuniões com entidades ligadas à pesca artesanal para avaliar os impactos da Medida Provisória (MP) 1.323/2025. O texto propõe alterar as regras do seguro-defeso, benefício pago aos trabalhadores durante o período de proibição da pesca, e tem gerado preocupação no setor produtivo.
O primeiro encontro reuniu lideranças de oito estados: Pará, Rio Grande do Sul, Amapá, Sergipe, Piauí, Maranhão e Minas Gerais. A escuta foi conduzida pelos assessores Raul Ristow Krauser e Anita Leocádia, partindo do reconhecimento de que o programa convive com questionamentos que colocam em xeque a renda de milhares de famílias.
Novas regras e mudanças no cadastro
Entre as principais alterações da MP está a transferência da concessão do benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a partir de novembro de 2025. O governo pretende endurecer a fiscalização com o uso de cruzamento de dados, biometria e a obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Único (CadÚnico).
As entidades alertam que a exigência de documentos fiscais e relatórios de comercialização pode excluir pescadores de áreas remotas, como a região Norte, onde o acesso à internet e à formalização é limitado.
“O objetivo dessa escuta é verificar se os pontos de atenção identificados pelo mandato coincidem com o que as entidades vivenciam nos diferentes territórios. O desafio é corrigir distorções sem penalizar quem realmente precisa”, afirmou o senador Beto Faro.
Demandas por crédito e representação
No campo do crédito, a principal reivindicação é a equiparação das linhas destinadas aos pescadores artesanais às do trabalhador rural. Além disso, o setor critica a exclusão do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), principal espaço de decisão sobre os recursos do seguro-defeso.
“Acredito que o combate às fraudes é necessário, mas ele não poderá ocorrer à custa da exclusão de quem depende do seguro-defeso para sobreviver. É preciso olhar para a dinâmica específica da pesca, que é marcada pela sazonalidade e dependência ambiental”, defendeu Faro.
Entenda a MP 1.323/2025
- Gestão: o benefício passou do INSS para o Ministério do Trabalho em novembro de 2025
- Tecnologia: exigência de registro biométrico e cruzamento de dados de outros programas sociais
- Comprovação: necessidade de nota fiscal da venda do peixe e recolhimento previdenciário
- Geografia: comprovação de domicílio obrigatória em municípios impactados pelo defeso
- Tramitação: o Congresso Nacional analisa 44 emendas que buscam flexibilizar essas exigências para o setor artesanal
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