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Preços do pescado sobem em Belém e pressionam custo da alimentação

Período de proteção a reprodução de espécies justifica o preço elevado, segundo peixeiro local

O Liberal

Os preços de pescados seguem em alta no Pará e refletem um movimento mais amplo de encarecimento de alimentos na Região Norte. Em janeiro de 2026, a maioria dos peixes comercializados nos principais mercados municipais da capital paraense registrou aumento de preços na comparação com dezembro de 2025, segundo levantamento conjunto do DIEESE/PA e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Belém (Sedcon). Das 21 espécies pesquisadas, 16 apresentaram reajuste, consolidando um cenário de carestia no início do ano.

O peixeiro local Alessandro Rodrigues, que atua em uma das feiras mais tradicionais da capital paraense, defende que os preços estão de fato mais altos, mas que isso se justifica pelo período do defeso. Nesse período a caça e a pesa de espécies específicas fica proibida, conforme o tempo de reprodução, para garantir a continuidade das espécies.

Entre as maiores altas mensais, o filhote liderou com reajuste de 18,07%, seguido de gurijuba (15,13%), corvina (13,28%), bagre (12,62%) e pescada gó (12,00%). Outras espécies também tiveram aumentos expressivos, como curimatã e sarda (ambas com 11,98%), serra (10,60%) e dourada (10,53%). 

Até mesmo pescados tradicionalmente mais acessíveis, como pescada-branca (8,20%), arraia (3,54%) e xaréu (2,76%), registraram elevação de preços. Houve ainda reajustes mais moderados em tainha (1,16%), mapará (0,88%) e traíra (0,32%).

Na direção oposta, apenas cinco espécies ficaram mais baratas no período, com destaque para a piramutaba, que teve queda de 13,56%, e o cação, com recuo de 7,68%. Tambaqui (-0,44%) e pratiqueira (-0,30%) também apresentaram leve redução, movimento associado a fatores como oferta pontual e características específicas de comercialização.

Comparação anual

Na análise dos últimos 12 meses, o levantamento aponta um aumento generalizado dos preços do pescado em Belém. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, 20 das 21 espécies pesquisadas ficaram mais caras, muitas com variação superior à inflação acumulada do período, medida pelo INPC/IBGE (4,26%).

A sarda apresentou a maior alta acumulada, de 42,10%, seguida da traíra (36,80%), pescada gó (34,23%) e pescada-branca (26,90%). Também tiveram reajustes relevantes: corvina (25,94%), pratiqueira (24,61%) e dourada (23,75%). Além dessas, espécies como gurijuba (21,93%), tamuatá (20,19%), serra (19,25%), cação (18,68%), filhote (17,76%), bagre (15,73%) e mapará (14,13%).