MENU

BUSCA

Preço do açaí segue alto em Belém, mas com expectativas de redução; veja quando deve baixar

Entressafra pressiona tradicionalmente os preços nesta época do ano

Maycon Marte e Jéssica Nascimento

O comércio de açaí na capital paraense enfrenta os desafios do período de entressafra, que torna o fruto mais escasso e, consequentemente, mais caro. O litro do tipo médio ainda oscila entre R$ 40 e R$ 50, a depender do ponto de venda, do clima e da origem do produto. Vendedores locais apostam numa redução dos preços nos próximos meses, de julho em diante, quando a oferta também deve crescer.

A normalização dos valores em Belém deve ocorrer apenas no segundo semestre, como explica o agricultor Cid Ornela, que também trabalha com o cultivo do açaí no estado. "A safra começa no final de julho e vai até dezembro, isso tem relação direta com a genealogia da planta. Logo, toda a safra se concentra nesses meses e aí entra a regra da oferta e da procura", detalha.

Essa relação entre preço e demanda é ainda mais delicada no caso do açaí por se tratar de um produto perecível. Ornela ressalta que, quando há maior disponibilidade do fruto, é preciso comercializá-lo o quanto antes para preservar a qualidade. Fora da safra, os paraenses mantêm o mesmo consumo, mas sem a oferta equivalente, o que pressiona os preços.

"De janeiro a junho, a produção nativa é quase zero, mas a demanda continua, já que o paraense tem o açaí no hábito alimentar. Ou seja, alta demanda e pouca oferta, pois nesse período apenas áreas plantadas em terra firme, com altos custos em adubação e irrigação, respondem por parte da produção", pontua Ornela.

Mesmo reconhecendo que os preços permanecem elevados, a vendedora Lays Sampaio observa uma leve queda nos dois últimos meses. "No momento o preço continua alto, mas em relação ao mês passado houve uma redução de uns 20%. Hoje está na média de R$ 40", avalia, referindo-se ao tipo médio.

Animada com as pequenas quedas, ela ainda evita trabalhar com o tipo grosso, normalmente o mais caro. "O grosso eu nem estou tirando porque ainda não está compensando. Chegou a custar R$ 100 o litro, enquanto o médio chegou a R$ 50", explica Sampaio.

Realidade semelhante é vivida pelo batedor de açaí Elias Guimarães. "Continua alto porque continua em falta, mas vai melhorar em junho, em julho", descreve. Apesar da demanda aquecida, ele não tem sentido grandes impactos nas vendas diárias e aguarda a melhora esperada para os próximos meses, especialmente julho.