Portos do Pará impulsionam recorde nacional e ampliam protagonismo na Amazônia
Estado movimentou 127,7 milhões de toneladas em 2025 e já inicia 2026 em ritmo acelerado, com destaque para Santarém e Vila do Conde
Os portos do Pará tiveram papel decisivo para que o Brasil alcançasse, em 2025, o recorde histórico de 1,40 bilhão de toneladas movimentadas no setor portuário. O volume representa um crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior e consolida a importância do Arco Norte na logística nacional.
No cenário nacional, o estado respondeu por 127,7 milhões de toneladas, o equivalente a cerca de 9% de toda a carga movimentada no país. Para o presidente da Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica (Amport), Flávio Acatauassú, esse desempenho evidencia o protagonismo regional.
“Os portos do Pará tiveram um papel estratégico na consolidação do Arco Norte, ao movimentar 9% de toda carga movimentada pelos portos nacionais. São números expressivos ao compararmos com a movimentação de outros portos já consolidados”, afirma.
Ele diz que fatores geográficos e logísticos explicam esse avanço. “Nossa posição geográfica, mais próxima do mercado europeu, americano e mediterrâneo, combinada com o modal fluvial, nos permite ter uma logística mais eficiente, descarbonizada e competitiva”, destaca.
Hidrovias garantem competitividade
Mais da metade da movimentação no estado veio das hidrovias, que somaram 74,2 milhões de toneladas em 2025. O modelo rodo-fluvial tem sido apontado como diferencial competitivo, especialmente no escoamento da produção do Centro-Oeste.
“Esse é o nosso diferencial. A logística rodo-fluvial adotada nos permite oferecer custos mais competitivos”, explica Acatauassú.
Flávio Acatauassú é presidente da Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica (Amport) (Fabyo Cruz/Especial para O Liberal)
Terminais como Vila do Conde, em Barcarena, e o porto de Santarém lideram a movimentação estadual, impulsionados principalmente por commodities como soja, minério de ferro e bauxita. A presença de Terminais de Uso Privado (TUPs) também tem ampliado a capacidade operacional.
“Os terminais privados são fundamentais, tanto para a capacidade como para a competitividade, já que dependem de investimentos privados para sua ampliação e modernização”, ressalta o presidente da Amport.
Crescimento e desafios para 2026
Os primeiros dados de 2026 indicam que o ritmo de crescimento deve continuar. Em janeiro, o porto de Santarém registrou alta de 156,3%, movimentando 1,6 milhão de toneladas, enquanto Vila do Conde segue como principal hub logístico do estado. A projeção nacional é de que o Brasil alcance 1,44 bilhão de toneladas ainda este ano. Para Acatauassú, a região está preparada para acompanhar esse avanço, mas com ressalvas.
“Afirmativo, graças aos investimentos privados em infraestrutura portuária e parcerias com o poder público. Contudo, fatores climáticos podem alterar o regime hidrológico dos rios, que são fundamentais para a logística amazônica”, pondera.
Entre os principais desafios, ele aponta a necessidade de garantir navegabilidade durante períodos de estiagem e avançar na segurança jurídica. “Perenizar a navegação nos rios é fundamental, o que nos conecta com a insegurança jurídica ocasionada pela ausência de procedimentos claros para intervenções necessárias”, afirma.
Sustentabilidade e desenvolvimento regional
Apesar do forte crescimento, o setor ainda enfrenta desigualdades na distribuição de investimentos entre regiões do país. Ainda assim, há avanços. “Essa realidade persiste, mas as desigualdades vêm diminuindo à medida que ganhamos mais espaço no cenário nacional”, diz Acatauassú.
Para ele, o futuro do setor passa pela combinação entre expansão econômica e sustentabilidade. “Estamos investindo em tecnologia para descarbonizar ainda mais a logística, além de celebrar parcerias com o poder público e privilegiar a mão de obra local”, conclui.
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