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Pipoca gourmet ganha espaço em Belém e atrai novos negócios no setor de alimentação

Expansão do setor é impulsionada por novos produtos e canais como lojas físicas, delivery e eventos

Thaline Silva*

O mercado de pipoca gourmet tem ganhado espaço em Belém, impulsionado pela busca dos consumidores por experiências gastronômicas diferenciadas. Tradicionalmente associado a momentos de lazer, como sessões de cinema, eventos esportivos e reuniões familiares, o alimento passou por um processo de reinvenção, com a incorporação de ingredientes mais elaborados e sabores inovadores. A proposta vai além da versão tradicional com manteiga e sal, incluindo combinações como chocolate meio amargo, Nutella, ovomaltine e até ingredientes regionais, como cupuaçu, açaí e castanha-do-Pará. Em alguns casos, a criatividade chega a opções inusitadas, como pipoca de camarão com cheddar.

Esse movimento tem atraído empreendedores que identificam potencial de crescimento no segmento, considerado ainda em consolidação na capital paraense. A expansão do setor é sustentada tanto pela diversificação de produtos quanto pela ampliação dos canais de venda, que incluem pontos físicos, delivery e atuação em eventos.

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Oportunidade de negócio 

Os empresários Joel Muniz e Ladywess Costa atuam há nove anos no segmento. Joel afirma que a decisão de investir no negócio partiu da identificação de uma lacuna no mercado local. Segundo o empresário, a proposta sempre foi oferecer mais do que um produto, apostando em uma experiência diferenciada para o consumidor. “A ideia surgiu ao perceber uma oportunidade em um segmento ainda pouco explorado em Belém. Enxerguei na pipoca uma forma de inovar, trazendo não apenas um produto, mas uma experiência gastronômica”, destaca.

 

 

 

 

 

 

 

 

Os empresários Danielle Melul e Alex Melul se preparam para inaugurar uma franquia no mercado de São Brás. A empresária aponta a ausência de opções semelhantes como fator decisivo para o investimento. Segundo ela, o modelo de negócio busca oferecer consumo imediato e variedade, com funcionamento diário e mais de dez sabores disponíveis. “Hoje em Belém, as pipocas gourmet são conhecidas principalmente por encomenda. A nossa proposta é permitir que o cliente consuma na hora, com variedade e também opção de delivery”, destaca.

Para Danielle, o porte da capital paraense e o perfil do consumidor local tornam o ambiente favorável para novos investimentos no setor. “Belém é uma capital grande que precisa estar servida de qualidade. A pipoca gourmet vai além do convencional e há espaço para esse tipo de experiência”, afirma.

Lucros e funcionamento do negócio

De acordo com Joel Muniz, o mercado de pipoca gourmet pode ser rentável, desde que haja planejamento e controle de gestão. A empresa dele comercializa, em média, cerca de 60 pacotes por dia, além de atuar com combos, como os de pipocas doces (20 unidades por R$ 80) e salgadas (20 unidades por R$ 67). O negócio também diversifica suas operações com ponto fixo, foodbike e entregas por delivery.

“É um mercado rentável, principalmente quando bem estruturado. A margem pode ser interessante, mas depende muito da gestão, controle de custos e estratégia de vendas. Não é só vender, é saber posicionar e escalar o negócio”, explica Muniz. Segundo o empresário, há períodos de maior demanda, como datas comemorativas, férias escolares e eventos corporativos, o que evidencia certa sazonalidade. Ainda assim, estratégias como parcerias e presença em diferentes canais ajudam a manter o fluxo constante de vendas.                              

No caso da franquia que será inaugurada por Danielle, os preços variam entre R$ 12 e R$ 45, com opções que vão desde porções individuais até embalagens maiores para compartilhamento. A proposta inclui produtos com preparo artesanal, sem processos industrializados, e uso de insumos selecionados.

Perspectivas e desafios

Os empreendedores avaliam que o segmento ainda possui amplo potencial de crescimento em Belém. Para Joel, embora o mercado esteja em processo de consolidação, há espaço para expansão, especialmente com a valorização de sabores regionais. “O público abraçou a proposta, principalmente pela inovação e qualidade. Uma tendência forte é a valorização dos sabores amazônicos, que conectam o cliente com a cultura local”, afirma.

Danielle também considera o cenário promissor e aposta na diversificação das formas de atuação, incluindo presença em eventos públicos e privados. No entanto, ela aponta como desafio a consolidação da marca no mercado local. “Muitas novidades fazem sucesso inicial, mas são voláteis. Não queremos ser apenas uma novidade passageira, mas nos solidificar como uma marca segura”, ressalta.

Entre os principais desafios citados estão a manutenção do padrão de qualidade, a logística e a necessidade de educar o consumidor sobre o valor agregado do produto. Ainda assim, a avaliação geral é de que o setor apresenta oportunidades para empreendedores que apostam em identidade própria, inovação e conexão com a cultura regional.

*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia