PIB do Pará cresce 7,85% e supera média nacional, aponta Fapespa
A alta ocorreu no terceiro trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior
Impulsionado pela agropecuária e pela construção civil, o Produto Interno Bruto (PIB) do Pará cresceu 7,85% no terceiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado ficou bem acima da média nacional, que avançou 1,82%, segundo dados da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).
No acumulado do trimestre, a economia paraense movimentou R$ 72,5 bilhões, o equivalente a 2,2% do PIB brasileiro. Apesar de uma leve retração de 0,1 ponto percentual na participação em relação ao trimestre anterior, o Estado manteve ritmo de crescimento alinhado ao cenário nacional, porém em intensidade significativamente maior.
Para Thays Santos, técnica em Gestão de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia e Inovação da Fapespa, o indicador é fundamental para orientar políticas públicas e decisões do setor produtivo. “O PIB é o principal indicador da atividade econômica de um estado. Ele permite identificar os vetores de crescimento e reduzir a defasagem das informações, aumentando a transparência e fortalecendo a tomada de decisão”, explica.
Ela diz que o desempenho acima da média nacional evidencia a força da economia estadual. “A agropecuária teve um desempenho expressivo, a indústria cresceu de forma consistente e a construção civil foi um dos grandes destaques do período. Esse resultado reflete o dinamismo do setor produtivo e o volume de investimentos públicos e privados em andamento no Estado”, afirma.
Agropecuária lidera crescimento
A agropecuária foi o principal motor da expansão econômica, com alta de 30,22% frente ao terceiro trimestre de 2024 — quase o triplo da taxa nacional (10,14%). O avanço foi puxado principalmente pela agricultura, beneficiada por condições climáticas favoráveis em diversas regiões do Estado.
A produção de milho apresentou crescimento estimado de 48,4% na primeira safra e 45,2% na segunda. Soja, mandioca e laranja também registraram expansão. Na pecuária, o aumento da produção aliado à valorização do boi gordo contribuiu para o resultado positivo do setor.
Indústria avança com força da construção civil
A indústria paraense cresceu 12,06% no comparativo anual, enquanto o setor industrial brasileiro avançou 1,71%. O destaque foi a construção civil, que registrou expansão de 71,28%, impulsionada pelo volume de obras públicas e privadas, especialmente aquelas relacionadas à preparação de Belém para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30).
“A preparação de Belém para a COP30 contribuiu para esse cenário. As obras e investimentos ligados à infraestrutura e à mobilidade urbana têm gerado impactos positivos na atividade econômica, mostrando que grandes eventos podem deixar um legado estruturante para o desenvolvimento”, destaca Thays Santos.
A atividade de produção e distribuição de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana cresceu 23,52% em relação ao mesmo período de 2024, favorecida por condições hidrológicas positivas. Já a indústria de transformação avançou 5,60%, com desempenho expressivo nos segmentos de produtos de madeira, metalurgia e bebidas.
Em sentido oposto, a indústria extrativa mineral apresentou retração de 3,88% na comparação anual, influenciada por diferenças na dinâmica produtiva estadual em relação ao cenário nacional, onde a atividade foi impulsionada principalmente pela extração de petróleo e gás.
Serviços crescem em ritmo mais moderado
O setor de serviços registrou alta de 1,01% no Pará, levemente abaixo da média brasileira (1,29%). Comércio e serviços de manutenção e reparação cresceram 5,76%, enquanto as atividades imobiliárias avançaram 12,28%.
Por outro lado, a administração pública apresentou queda de 5,98% na comparação anual, o que limitou o desempenho do setor como um todo. Ainda assim, serviços e comércio seguem como importantes geradores de emprego formal no Estado. Dados do Caged apontam saldo positivo de vagas com carteira assinada no período.
Crescimento se mantém no acumulado do ano
No acumulado até o terceiro trimestre de 2025, o Valor Adicionado Bruto (VAB) do Pará avançou 7,30%, mais que o dobro da taxa nacional (2,54%), refletindo a contribuição conjunta da agropecuária, indústria e serviços.
Para Atyliana Dias, diretora de Estatística e de Tecnologia e Gestão da Informação da Fapespa, o resultado consolida um ciclo de expansão. “O Pará segue crescendo acima da média nacional. Isso reafirma a importância da economia paraense no cenário brasileiro e evidencia que o Estado está consolidando um ciclo de crescimento sustentado, apoiado em investimentos e diversificação produtiva.”
O presidente da fundação, Marcel Botelho, também atribui o desempenho às estratégias adotadas nos últimos anos. “Esses dados mostram os resultados de políticas públicas assertivas e conectadas com os setores produtivos do Estado. Apesar dos impactos externos serem significativos, é a política local que gera confiança e estabilidade aos setores produtivos”, pontua.
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