Pará registra maior renda da série histórica, diz IBGE
Mesmo com alta, o estado fica entre os menores rendimentos do país, segundo o levamento
Em 2025, o Pará registrou o maior rendimento médio da série histórica iniciada em 2012. Dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o aumento da renda no estado veio acompanhado de uma leve redução na desigualdade social, impulsionada pelo mercado de trabalho e pela ampliação dos programas sociais.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), o rendimento médio real de todas as fontes no Pará passou de R$ 2.299 em 2024 para R$ 2.347 em 2025, crescimento de 2,1%. Apesar da alta menor que a média nacional, de 5,4%, o avanço acumulado desde 2019 foi de 19,2% no estado, mais que o dobro do registrado no país no mesmo período, de 8,6%.
O levantamento mostra que a região Norte teve um dos maiores crescimentos de renda do Brasil desde o período pré-pandemia, atrás apenas do Centro-Oeste. No Pará, o aumento foi suficiente para garantir o maior rendimento médio da série histórica estadual.
A pesquisa também aponta que 61,1% da população paraense possuía algum tipo de rendimento em 2025, o equivalente a cerca de 5,3 milhões de pessoas. O percentual ficou acima da média da região Norte, de 60,6%.
Os dados indicam ainda um crescimento importante da renda proveniente do trabalho. No Pará, o rendimento médio habitual de todos os trabalhos subiu 6%, passando de R$ 2.367 para R$ 2.508. Ainda assim, o estado ocupa as últimas posições do ranking nacional de renda.
Programas sociais
O estudo do IBGE destaca o peso dos programas sociais na composição da renda das famílias paraenses. O Pará lidera o ranking nacional de domicílios beneficiados por algum programa social do governo, como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Em 2025, 16,1% da população paraense recebia algum benefício social, percentual acima da média da região Norte, de 13,7%, e quase o dobro da média nacional, de 9,1%.
O levantamento mostra que o avanço dos programas sociais após a pandemia teve impacto direto na redução da desigualdade social, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.
A pesquisa também aponta que os rendimentos provenientes de outras fontes, como aposentadorias, pensões e benefícios sociais, representam parcela importante da renda no estado. Em 2025, 27,6% dos paraenses tinham algum rendimento vindo dessas fontes.
Desigualdade
Apesar da melhora nos indicadores, o Pará ainda aparece entre os estados mais pobres do país. O rendimento médio mensal dos 40% mais pobres no estado foi de R$ 464 em 2025, colocando o Pará na 22ª posição nacional.
O Índice de Gini, usado para medir desigualdade social, ficou em 0,492 no Pará em 2025. O número é menor que o registrado em 2019, quando o índice era de 0,528, indicando redução da concentração de renda ao longo dos últimos anos.
Segundo o IBGE, o crescimento mais acelerado da renda das faixas mais pobres da população entre 2019 e 2025 ajudou na melhora da distribuição de renda. Entre os fatores apontados estão o aumento da ocupação, a valorização do salário mínimo e a ampliação dos programas sociais.
Outro indicador que avançou foi a massa de renda no estado, que representa a soma de todos os rendimentos recebidos pela população. No Pará, ela passou de R$ 8,8 bilhões em 2019 para R$ 12,4 bilhões em 2025, alta real de 40,4% no período — acima da média nacional.
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