Palmacon 2026 vai ampliar debate sobre futuro da palma de óleo e destacar potencial do Pará
Principal evento brasileiro da cadeia produtiva da palma de óleo reunirá especialistas, produtores, empresas, governo e investidores na Estação das Docas em Belém
A palma de óleo, matéria-prima de um dos produtos vegetais mais consumidos no mundo, será o centro de uma agenda que pretende aproximar conhecimento, negócios, inovação e sustentabilidade. Em 2026, a Palmacon chega à Estação das Docas, em Belém, para reunir diferentes elos da cadeia produtiva da palma de óleo em uma programação dedicada aos desafios e às oportunidades do setor no Brasil.
Realizada pela Associação Brasileira dos Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), a Palmacon 2026 será realizada nos dias 16 e 17 de novembro, das 9h às 18h. A programação reunirá produtores, pesquisadores, representantes do poder público, instituições financeiras, empresas e investidores em dois dias de painéis, debates e conexões, além de uma área de exposição com marcas, tecnologias, máquinas, equipamentos, serviços e soluções para o setor.
Mais do que uma conferência voltada exclusivamente ao agronegócio, a proposta é ampliar o conhecimento da sociedade sobre uma atividade que tem no Pará seu principal polo brasileiro e que, segundo a Abrapalma, reúne potencial de expansão econômica, geração de empregos, inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável.
“A nossa ideia é que a conferência não é uma conferência do setor para o setor. Ela é uma conferência do setor para a população”, declarou Victor Almeida, presidente da Abrapalma.
Pará concentra mais de 90% da produção brasileira
O Brasil ainda ocupa uma posição modesta no mercado mundial da palma de óleo, apesar das condições favoráveis para o cultivo. Indonésia e Malásia lideram a produção global, enquanto o Brasil aparece entre os maiores produtores, mas distante da escala alcançada pelos países asiáticos.
De acordo com Almeida, o país deve produzir cerca de 700 mil toneladas de óleo de palma em 2026. A dimensão brasileira, porém, ainda é pequena diante da produção mundial: somente a Indonésia produziu 48 milhões de toneladas no ano passado, segundo os números apresentados pelo presidente da Abrapalma.
O Pará responde por mais de 90% da produção nacional. O estado possui aproximadamente 283 mil hectares plantados, distribuídos por cerca de 40 municípios, principalmente no nordeste paraense. Tailândia, Tomé-Açu, Moju e Acará concentram grande parte dessa produção.
Roraima e Bahia também possuem cultivos, mas em escala menor. Em Roraima, são cerca de 6 mil hectares, enquanto a dimensão da atividade na Bahia é mais difícil de estimar em razão da presença significativa de agricultura de subsistência.
“A nossa produção de óleo, estimada para esse ano, é de 700 mil toneladas de óleo. Só para ter um parâmetro, a Indonésia produziu 48 milhões de toneladas de óleo no ano passado. Então, o Brasil ainda é relativamente pequeno dentro do todo”, informou Almeida.
Do supermercado aos biocombustíveis
O óleo de palma tem presença diversificada na economia. Conhecido popularmente no Brasil como azeite de dendê, o óleo bruto é utilizado na indústria de alimentos e também está presente em produtos de higiene, limpeza e cosméticos.
Segundo a Abrapalma, cerca de 90% da produção brasileira é destinada à indústria de alimentos, enquanto aproximadamente 10% é utilizada na produção de biodiesel. A versatilidade da matéria-prima, entretanto, abre espaço para novas aplicações, como bioplásticos, bioresinas e combustíveis sustentáveis para a aviação.
“O óleo de palma está em 50% dos produtos da gôndola de um supermercado. Vai desde produtos de higiene e limpeza, alimentos, até cosméticos”, detalhou Almeida.
A expansão do mercado de biocombustíveis será um dos temas da Palmacon 2026. O debate deverá abordar o potencial brasileiro para ampliar a participação de diferentes fontes de óleo vegetal na matriz energética e as oportunidades para o dendê.
Atualmente, quase 90% do biodiesel produzido no Brasil tem a soja como matéria-prima. Para a Abrapalma, a palma pode desempenhar um papel maior nesse mercado por apresentar elevada produtividade de óleo por hectare.
“O dendê é a fonte mais produtiva por hectare. É a que você, com menos área plantada, consegue produzir mais óleo”, afirmou Almeida.
Uma cadeia que agrega valor dentro do Pará
Além da produção agrícola, um dos diferenciais apontados pela Abrapalma é a capacidade de verticalização da cadeia dentro do próprio estado. Da produção do fruto ao processamento industrial e, em alguns casos, à fabricação do produto final, diferentes etapas podem ocorrer em território paraense.
O fruto é transformado em óleo bruto em indústrias instaladas no interior. O produto passa por processos de refino e pode chegar à indústria de bens de consumo. A presença de grandes empresas e de empreendimentos que avançam na verticalização contribui para manter empregos e renda dentro do estado.
“É uma das poucas cadeias do agro paraense que você faz toda a verticalização e a agregação de valor dentro do estado”, declarou o presidente da Abrapalma.
A atividade também possui forte impacto sobre o mercado de trabalho. O setor emprega atualmente cerca de 20 mil pessoas diretamente e apresenta demanda adicional de mão de obra durante a safra, que ocorre principalmente entre agosto e dezembro.
Em áreas rurais, a estimativa apresentada pela Abrapalma é de aproximadamente um trabalhador para cada dez hectares plantados. A remuneração, considerando salário, benefícios e premiações de produção, pode chegar a cerca de R$ 3 mil mensais em determinados postos de trabalho, segundo Almeida.
Para o setor, esse perfil contribui para manter trabalhadores no interior e reduzir a pressão migratória em regiões com menor oferta de emprego.
“Então, você gera emprego no campo, mantém essas pessoas no interior, evita o êxodo rural e dá uma boa remuneração em regiões que normalmente não têm disponibilidade de emprego”, disse Almeida.
Agricultura familiar ganha espaço
A agricultura familiar é outro eixo estratégico da cadeia paraense. Atualmente, cerca de 39 mil hectares de palma estão em propriedades de agricultores familiares, o equivalente a quase 15% da área plantada no estado, de acordo com os dados apresentados pela Abrapalma.
O segmento também vem ganhando participação na expansão da cultura. Nos últimos anos, grande parte do crescimento da área cultivada ocorreu entre agricultores familiares e pequenos produtores. Propriedades com menos de 100 hectares já respondem por aproximadamente 22% da produção de dendê.
Em média, um agricultor familiar cultiva cerca de dez hectares. Quando o plantio chega ao pico produtivo, a partir do oitavo ano, a receita pode alcançar aproximadamente R$ 20 mil mensais a preços atuais, segundo a entidade. Com custos estimados em cerca de metade desse valor, a renda líquida pode chegar a R$ 10 mil por mês.
“A gente está falando de uma região que a renda média familiar é de um salário mínimo. Uma renda quase cinco a seis vezes maior do que a renda média da região”, afirmou Almeida.
A Palmacon 2026 terá um painel dedicado justamente às histórias de agricultores familiares, com o objetivo de apresentar experiências concretas e estimular a entrada de novos produtores na atividade.
Colômbia como referência de expansão
Entre os destaques da programação está o debate sobre a experiência colombiana. A Colômbia é atualmente o maior produtor de palma de óleo da América Latina e será apresentada como um caso de expansão da atividade.
Há cerca de 30 anos, Brasil e Colômbia tinham áreas plantadas semelhantes, em torno de 60 mil hectares. Desde então, porém, os dois países seguiram trajetórias diferentes. A Colômbia chegou a aproximadamente 700 mil hectares, enquanto o Brasil alcançou cerca de 280 mil hectares.
Representantes do governo e empresas colombianas participarão da discussão para apresentar políticas, estratégias e experiências que contribuíram para a expansão da cultura no país.
“A nossa ideia é trazer aqui pessoas do governo da Colômbia, empresas colombianas, para apresentar o que foi feito lá para conseguir atingir esse crescimento”, informou Almeida.
Conhecimento, negócios e novas oportunidades
Além dos painéis, a Palmacon 2026 contará com uma área de exposição voltada à conexão entre fornecedores e os diferentes elos da cadeia produtiva. Estarão presentes empresas de máquinas e equipamentos, mudas, financiamento, serviços e outras soluções, além das próprias empresas produtoras associadas à Abrapalma.
A programação foi estruturada para tratar desde as tendências do mercado global de óleos vegetais até biocombustíveis, sistemas agroflorestais, certificação, agricultura familiar e experiências internacionais.
Para a Abrapalma, a iniciativa também tem uma função estratégica: mostrar ao público as dimensões de uma cadeia que, embora tenha forte presença no território paraense, ainda é pouco conhecida por grande parte da população.
“A ideia aqui é que todos entendam melhor, entendam mais sobre o setor, tenham orgulho do setor, acho que como paraenses, porque é um setor, realmente, que o Pará tem destaque, assim como o açaí, e tem potencial para ter ainda mais destaque”, disse Almeida.
Ao reunir produtores, empresas, pesquisadores, instituições financeiras, governo e investidores, a Palmacon 2026 pretende colocar em discussão não apenas o que a cadeia da palma já representa para o Pará, mas também o que ela pode representar no futuro.
O desafio, segundo a Abrapalma, é transformar o potencial existente em novas oportunidades de produção, tecnologia, agregação de valor, sustentabilidade e renda — especialmente para agricultores familiares e comunidades do interior.
“O nosso intuito aqui é que a gente tenha mais agricultores interessados em plantar o dendê”, concluiu Almeida.
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