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Inverno amazônico impulsiona consumo de tacacá em Belém

Com aumento de até 10% na procura, tacacazeiros reforçam produção e enfrentam alta nos custos dos insumos durante o período chuvoso

Maycon Marte

O período do inverno amazônico, marcado por chuvas mais intensas em Belém, influencia tanto a rotina de quem produz quanto de quem consome tacacá na capital paraense. Para o tacacazeiro Nilson Mendes, a estação chuvosa representa aumento na procura pelo prato típico, especialmente no fim da tarde, horário tradicional de consumo. Os valores também se organizam conforme o período, com ingredientes normalmente mais caros ou com a qualidade afetada, o que o empreendedor garante não afetar o lucro.

Embora a cidade seja chuvosa ao longo de todo o ano, o volume de precipitações cresce principalmente entre fevereiro e março. Nesse intervalo, o movimento tende a aumentar, o que exige reforço na produção. “Sempre procuro aumentar”, afirma sobre a quantidade preparada, ao explicar que adapta a oferta à demanda típica do período. O fluxo de clientes cresce em torno de 10%, em comparação aos dias mais quentes e ensolarados, que também mantém um público, apesar do calor.

Aumento de 50% no volume de vendas

A preparação para atender a demanda extra é percebida principalmente no ajuste dos volumes de ingrediente. “Em vez de eu comprar 30 garrafas de tucupi, compro 50 e, em vez de pedir 100 maços de jambu, compro 150, já que sempre a procura aumenta nesse período de inverno”, avalia. Esse incremento representa um aumento de 50% a 60%, em relação ao habitual.

O inverno também interfere na cadeia de abastecimento. Ingredientes como tucupi, jambu, chicória, cheiro-verde e salsinha sofrem influência direta das chuvas, tanto em qualidade quanto em preço. Nilson relata que o tucupi é adquirido de mais de um fornecedor, estratégia que ajuda a manter o padrão do produto mesmo diante das variações sazonais. Ainda assim, ele reconhece que os custos costumam subir nessa época.

Lucro na quantidade e fidelização

Apesar do aumento nos preços dos insumos, o tacacazeiro afirma que procura manter o valor final cobrado ao cliente, fixado em R$ 23 atualmente. A decisão, segundo ele, é uma forma de fidelizar o público, que consome o prato durante todo o ano. Mesmo com impacto na margem de lucro, Nilson diz conseguir manter a atividade sustentável.

Do outro lado do balcão, a autônoma Liliane Castro, de 38 anos, confirma que o clima mais chuvoso funciona como incentivo adicional para consumir o prato. “Nesses momentos friozinhos, só pensar em tomar o tacacá quentinho é tudo”, afirma. Cliente frequente e moradora das redondezas, ela conta que costuma ir ao ponto de venda acompanhada da esposa e do cachorrinho.

Ela conta que, apesar da rotina de trabalho, a família consegue consumir tacacá cerca de três a quatro vezes por mês. Mas, enfatiza que a preferência pelo prato não depende exclusivamente do clima: é consumido tanto em dias frios quanto quentes. Ainda assim, reconhece que o período chuvoso reforça a vontade de tomar a iguaria tradicional da culinária paraense.