Nome limpo não basta e erros financeiros ainda barram acesso ao crédito, afirma contador
Especialista aponta comprometimento de renda, atrasos e inconsistências como fatores decisivos na aprovação
Ter o nome limpo ainda é visto por muitos consumidores como o principal requisito para conseguir crédito, mas essa percepção não reflete a realidade das instituições financeiras. Na prática, bancos e financeiras adotam critérios mais amplos, que levam em conta o comportamento financeiro atual e a capacidade real de pagamento.
Segundo o contador e head de crédito Lucas Quaresma, a análise vai além de verificar se o cliente possui dívidas em aberto. “Os bancos não buscam saber se você ‘não deve’ ou se você é ‘rico’, mas sim se você é um bom pagador e vai honrar seu compromisso”, explica.
De acordo com ele, três pilares orientam a concessão de crédito: o comprometimento de renda, o comportamento financeiro — como o histórico de pagamentos — e o relacionamento com o sistema financeiro, que inclui dados cadastrais atualizados, movimentação bancária e estabilidade de renda.
Erros comuns
Entre os principais fatores que levam à reprovação, está a dificuldade do consumidor em transmitir segurança para a instituição financeira. Isso ocorre, por exemplo, quando há excesso de parcelas ativas, atrasos recentes ou uso frequente de linhas emergenciais, como cheque especial e crédito rotativo.
“A confiança é construída com sinais claros: histórico de bom pagador, renda comprovada e baixo comprometimento da renda”, afirma Quaresma.
Outro ponto de atenção é a falta de controle sobre o nível de endividamento. O especialista destaca que o mercado trabalha, em média, com um limite de até 30% da renda comprometida com dívidas. Acima desse patamar, as chances de aprovação diminuem consideravelmente.
Comportamento recente pesa mais
Ainda que o histórico financeiro seja relevante, o comportamento recente do consumidor passou a ter maior peso na análise de crédito. A mudança está relacionada à evolução do sistema financeiro, especialmente com a implementação do Open Finance, que permite o compartilhamento de dados entre instituições.
Com isso, bancos conseguem acompanhar com mais precisão a situação atual do cliente. “Para bons pagadores que começam a atrasar, é um indicador de risco em crescimento. Por outro lado, quem se reorganiza e mantém consistência consegue melhorar sua avaliação rapidamente”, explica.
Crédito mais restrito
O cenário econômico também tem influenciado diretamente a concessão de crédito. Nos últimos anos, o aumento da inadimplência e o custo financeiro mais elevado levaram as instituições a adotarem critérios mais rigorosos.
“A retomada do ciclo de altas nos juros em 2024 encareceu o crédito, reduziu a oferta e aumentou o nível de exigência dos bancos”, diz Quaresma.
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