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Mercado de produtos coreanos ganha espaço em Belém impulsionado por K-pop e K-dramas

Empreendedores apostam no crescimento do interesse pela cultura sul-coreana, mas apontam logística como um dos principais desafios para atender o mercado do Norte

Gabi Gutierrez

O crescimento da cultura sul-coreana no Brasil, impulsionado principalmente pela popularização do K-pop e dos K-dramas, também começa a se refletir no mercado de produtos importados em Belém. Alimentos, bebidas, doces, macarrões instantâneos e outros itens consumidos por artistas e personagens de produções coreanas passaram a despertar o interesse de consumidores que buscam experimentar produtos vistos nas telas.

Em Belém, esse movimento abriu espaço para negócios especializados. É o caso do empreendimento criado há dois anos pelo casal Jean Lucas Bremgartner e Juliana Bremgartner. O negócio começou com vendas por delivery e participação em eventos relacionados à cultura coreana, asiática e ao universo geek. Há menos de cinco meses, os empresários passaram a contar também com um espaço físico na capital paraense.


A ideia surgiu a partir de uma experiência que os próprios empreendedores já tinham como consumidores. Fãs de K-pop e K-dramas, Jean e Juliana encontravam dificuldades para comprar produtos coreanos em Belém, especialmente por causa do frete e do tempo de entrega para a Região Norte.

“Eu tinha muita dificuldade de ter acesso. A gente que está aqui para o Norte sempre aguarda muito para chegar as coisas aqui. O tempo de entrega, às vezes, é muito longo, e o frete é muito alto”, relata Jean.

Antes de transformar o interesse pessoal em negócio, o casal também passou a observar o comportamento de outros consumidores. A participação em eventos e a presença nas redes sociais ajudaram a identificar a existência de um público interessado em produtos específicos da Coreia do Sul.

No início, a operação era feita com compras no varejo, o que reduzia a margem de lucro. Com o tempo, os empresários passaram a entender melhor a demanda e a estruturar o empreendimento.

Mercado em expansão

Para Jean, o mercado de produtos coreanos em Belém está em uma fase de expansão. Segundo ele, quando o negócio começou, em 2024, o interesse pela cultura sul-coreana já existia, mas ainda não tinha alcançado a dimensão observada atualmente.

“Teve uma evolução muito grande de lá para cá. Em 2024 a gente via que já existia, até porque a gente já consumia, mas de lá para cá realmente deu uma virada de chave”, afirma.

A percepção dos empresários acompanha uma mudança no comportamento do consumidor. O que antes poderia ser encontrado principalmente em lojas especializadas ou adquirido durante viagens passou a ser procurado por consumidores que desejam experimentar produtos associados ao cotidiano retratado em produções sul-coreanas.

Esse movimento transforma a cultura em uma oportunidade de mercado para empreendedores que conseguem atender a um público com interesses e hábitos de consumo bastante específicos.

Na Hallyu K-Space, a proposta é trabalhar exclusivamente com produtos fabricados na Coreia do Sul. A loja comercializa itens como snacks, bebidas, doces e lamen, além de outros produtos relacionados à cultura coreana.

A especialização, segundo os proprietários, é justamente um dos diferenciais do empreendimento. Ao contrário de estabelecimentos que trabalham com produtos asiáticos de diferentes países, a empresa concentra a operação em produtos coreanos.

Logística é principal desafio

Apesar das oportunidades, atuar com produtos importados na Região Norte apresenta desafios. Para os empresários, a logística é atualmente um dos principais obstáculos para o crescimento do negócio.

A mudança do modelo de delivery para uma loja física aumentou a necessidade de reposição dos produtos. Com maior fluxo de consumidores, alguns itens precisam ser repostos com mais rapidez, mas o tempo necessário para que as mercadorias cheguem ao Pará nem sempre acompanha o ritmo das vendas.

“Uma coisa que eu sempre bato na tecla é que, por mais que seja um negócio que esteja em expansão, a gente sempre pontua muito em relação a estudar”, afirma Jean.

A logística também influencia diretamente os custos da operação. Para empresas que trabalham com produtos importados e precisam trazer mercadorias de outras regiões, o transporte pode representar uma parcela importante da estrutura de custos e afetar o preço final ao consumidor.

Empreender exige conhecimento da cultura

Além dos desafios relacionados à operação, os empresários destacam outro ponto considerado fundamental para quem pretende investir nesse segmento: conhecer a cultura com a qual se está trabalhando.

Para Jean, o crescimento do interesse pela cultura coreana pode levar novos empreendedores a enxergarem apenas o potencial comercial do setor, sem necessariamente compreenderem o público consumidor.

“Se quem for assistir tiver essa intenção de empreender só por achar que é lucrativo, que é legal, que está em alta, estude um pouco, procure saber, procure entender”, orienta.

Segundo ele, os consumidores que frequentam a loja costumam ter conhecimento sobre K-pop, K-dramas, artistas e produtos e, portanto, possuem expectativas específicas em relação aos estabelecimentos especializados.

O casal também buscou ampliar o próprio conhecimento sobre a Coreia do Sul. Jean e Juliana estudaram o idioma coreano e procuram conhecer aspectos da cultura para aplicar esse conhecimento na operação e na comunicação com os clientes.

A preocupação, segundo os empresários, é evitar a reprodução de estereótipos e erros relacionados à cultura que está sendo utilizada como base para o negócio.

Formado em publicidade, Jean já tinha interesse em empreender antes da criação da loja. A experiência como consumidor, porém, ajudou a identificar uma oportunidade específica no mercado paraense.

A dificuldade de encontrar produtos que o casal consumia apenas durante viagens foi o ponto de partida para transformar uma necessidade pessoal em uma ideia de negócio.

O empreendimento começou de forma enxuta e foi sendo estruturado conforme os empresários conheciam melhor o comportamento dos consumidores. Eventos temáticos foram utilizados como uma das formas de aproximação com o público antes da abertura do espaço físico.

A estratégia permitiu testar produtos, observar a procura e entender quais itens despertavam maior interesse.

Agora, com a operação física, o desafio passa a ser acompanhar o crescimento da demanda sem perder a capacidade de abastecimento.

Para os empresários, a perspectiva é de continuidade da expansão do segmento. O aumento da oferta de produtos e a popularização da cultura coreana podem ampliar ainda mais o público consumidor em Belém, criando espaço para novos negócios e serviços relacionados ao setor.