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Mercado de bikes e motos elétricas cresce em Belém e já responde por até 80% do faturamento em lojas

Expansão é impulsionada por busca por economia, mobilidade urbana e mudanças de comportamento no trânsito da capital paraense; consumidores relatam redução de custos e mais praticidade no dia a dia

Jéssica Nascimento

O mercado de bicicletas e motos elétricas em Belém vem registrando crescimento consistente nos últimos meses, impulsionado principalmente pela busca por alternativas mais econômicas e práticas para enfrentar o trânsito da capital paraense. Em algumas lojas, o segmento já representa até 80% do faturamento total, com vendas que chegam a ocorrer diariamente, refletindo uma mudança no perfil de consumo e mobilidade urbana na cidade.

A tendência é observada tanto em estabelecimentos especializados quanto entre consumidores que passaram a substituir, parcial ou totalmente, carros, motos e transporte público por veículos elétricos. O movimento é associado a fatores como custo do combustível, tempo de deslocamento e maior interesse por soluções sustentáveis, especialmente em um contexto de discussões ambientais ampliadas na região com a proximidade da COP 30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas).

Vendas diárias e peso no faturamento

No bairro do Umarizal, o empresário Lamark Lourenço, sócio-proprietário de uma loja de motos e bikes elétricas, afirma que a procura tem sustentado o desempenho do negócio desde a abertura recente.

“Atualmente estamos vendendo um equipamento a cada um ou dois dias. Depende muito do dia da movimentação”, explica.

Segundo ele, o impacto no faturamento já é expressivo: “Hoje as motos e bikes elétricas estão respondendo por aproximadamente 70% a 80% do nosso faturamento”.

Os preços dos modelos variam entre R$ 15 mil e R$ 20 mil, com maior procura por veículos de apelo visual e também por opções mais acessíveis.

“As mais procuradas são aquelas motos que são mais bem avaliadas visualmente… e outros modelos são procurados também por questões de valores mais acessíveis”, afirma.

Economia, autonomia e trânsito pesado como motores do crescimento

Para Lamark, três fatores explicam a expansão do mercado: mobilidade, autonomia e economia. “Você consegue andar até 50 km com equipamento desses com carga total”, diz. Ele também destaca o impacto financeiro:

“Hoje você consegue ter uma média de economia de R$ 1.200 a R$ 1.500 por mês, a depender do trajeto”.

O empresário também aponta o trânsito como elemento decisivo na escolha dos consumidores. “Hoje você vai andar dentro do trânsito de Belém e pode levar quase uma hora e meia para fazer deslocamentos maiores”, observa.

Já o vendedor Henrique Oliveira, de uma loja no bairro da Cremação, avalia que o aumento da demanda ocorre de forma gradual, mas consistente. “A procura tem aumentado em grau moderado nesse início de ano, a expectativa é que só aumente”, afirma.

Segundo ele, o contexto urbano é determinante: “A mobilidade urbana, a alta no preço de condução pública e a inflação na compra de carros e motos impulsionam a população a buscar mais economia, praticidade e liberdade”.

Perfil do consumidor e decisão de compra

As lojas apontam que não há um perfil único de cliente. Para Lamark, o público é diverso: “Perfil B, perfil C, perfil A, todo tipo de consumidor. Nós temos modelos para todas as faixas de consumo”.

Entre os principais atrativos estão facilidade de recarga, baixo custo de manutenção e alternativas de financiamento. “Temos uma linha de financiamento facilitada e pagamentos recorrentes, além de descontos para pagamento à vista”, explica o empresário.

Henrique reforça que o consumidor típico é aquele cansado da rotina de deslocamentos. “O perfil mais comum é o cliente que está cansado do trânsito e busca economia e praticidade no dia a dia”.

Ele destaca ainda vantagens técnicas: “Motor silencioso, rapidez, segurança, autonomia e economia nas recargas em casa”.

Experiência de quem já aderiu ao modelo elétrico

Entre os usuários, a mudança de hábito é acompanhada por redução significativa de custos. A social media Taisse Naiade relata que a principal motivação para a compra foi econômica.

“Além da praticidade, a economia. Posso fazer as coisas com a minha filha tranquilamente”, afirma.

Antes, ela utilizava carro e moto com frequência, mas diz que a rotina mudou. “A diferença econômica é gigantesca. Praticamente eu uso 1 real de energia por dia”, relata.

Apesar das vantagens, ela aponta limitações na infraestrutura urbana.

“Desafios certamente são falta de estrutura para ciclistas, falta de respeito e principalmente a falta de ciclofaixas em Belém”.

Perspectivas de expansão

Para o setor, a tendência é de crescimento contínuo. Lamark projeta a venda de 30 a 40 veículos por mês como meta inicial. “O pessoal está buscando, vindo conhecer os modelos, fazer test drive. Então temos essa expectativa”, diz.

Ele acredita que o mercado deve se consolidar nos próximos meses. “É um mercado em expansão, principalmente pelo custo de aquisição, manutenção e também pelo problema logístico do trânsito em Belém”, destacou.

Qual a diferença entre motos e bikes elétricas?

A principal diferença entre bicicletas elétricas e motos elétricas está na potência do motor, na velocidade máxima e nas exigências legais para circulação.

As bicicletas elétricas (e-bikes) utilizam o motor como apoio à pedalada, podendo alguns modelos contar também com acelerador. Em geral, possuem potência limitada (entre 350W e 1000W) e velocidade máxima de 25 a 32 km/h. Por essas características, não exigem CNH, emplacamento ou pagamento de IPVA. Elas podem circular em ciclovias, ciclofaixas e, quando permitido, até em calçadas sinalizadas, além das vias urbanas comuns.

Já as motos elétricas (como scooters e ciclomotores) funcionam exclusivamente por meio do motor elétrico, acionado por acelerador, sem necessidade de pedalar. São mais potentes e podem ultrapassar facilmente 60 km/h. Por isso, são enquadradas como veículos automotores e exigem CNH (categoria A ou ACC), além de emplacamento e licenciamento. Seu uso é restrito às ruas, junto aos demais veículos, sendo proibidas em ciclovias e calçadas.