Maior hidrelétrica 100% brasileira, Belo Monte completa uma década de operação
A primeira turbina entrou em funcionamento em abril de 2016, enquanto a inauguração oficial ocorreu em maio do mesmo ano
A Usina Hidrelétrica Belo Monte completa, em 2026, uma década desde o início de sua operação, consolidando-se como um dos principais ativos do setor energético nacional. Sob concessão da Norte Energia, o empreendimento já gerou mais de 255 milhões de megawatt-hora (MWh), volume suficiente para abastecer todo o Brasil por cerca de cinco meses.
A primeira turbina entrou em funcionamento em abril de 2016, enquanto a inauguração oficial ocorreu em maio do mesmo ano. Desde então, a usina ampliou progressivamente sua capacidade até alcançar a operação plena, em novembro de 2019, com 24 unidades geradoras e potência instalada de 11.233,1 megawatts (MW).
Integrada ao Sistema Interligado Nacional, Belo Monte responde, em média, por cerca de 5% da demanda anual de energia do país. Em horários de pico, essa participação pode chegar a 16%, evidenciando sua importância para o equilíbrio do sistema.
Destaque na geração e estabilidade energética
Antes mesmo de completar um ano de operação plena, a usina já havia alcançado um marco relevante: tornou-se a maior geradora de energia do Brasil no primeiro semestre de 2020, posição que mantém desde então nesse período do ano.
Segundo o diretor-presidente da Norte Energia, Luiz Eduardo Osorio, o papel da usina vai além da quantidade de energia produzida. “Em um cenário de expansão de fontes intermitentes, como eólica e solar, Belo Monte se torna ainda mais fundamental por ser uma fonte firme e flexível, capaz de responder rapidamente às variações de consumo”, afirma.
Essa característica contribui diretamente para a estabilidade do sistema elétrico, especialmente em momentos de maior demanda ou menor geração de outras fontes.
Funcionamento como “bateria” do sistema
A dinâmica operacional da usina acompanha a sazonalidade do Rio Xingu. Nos primeiros meses do ano, quando o nível do rio está mais elevado, Belo Monte opera com alta geração, contribuindo para o enchimento dos reservatórios das regiões Sul e Sudeste. Já no segundo semestre, com a redução do volume de água, sua produção diminui, permitindo que outras hidrelétricas utilizem a água armazenada.
Esse mecanismo faz com que a usina funcione, na prática, como uma espécie de “bateria” do sistema elétrico nacional, auxiliando no gerenciamento dos recursos hídricos.
Outro diferencial é a eficiência do empreendimento: Belo Monte possui o melhor aproveitamento de área alagada por megawatt instalado do mundo, com um reservatório de 478 km² — sendo cerca de metade dessa área já parte natural do leito do rio durante períodos de cheia.
Recordes e desempenho recente
Ao longo da última década, a usina acumulou resultados expressivos. Em 2022, registrou sua maior produção anual, com mais de 31,8 milhões de MWh gerados. No ano seguinte, tornou-se a maior comercializadora de energia entre as geradoras do país.
Mais recentemente, em 2025, alcançou um índice de disponibilidade superior a 99%, o maior entre as hidrelétricas brasileiras. Na prática, isso significa que a usina atendeu quase integralmente às demandas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável pela coordenação da geração e transmissão de energia no país.
Investimentos socioambientais
Além da geração de energia, o projeto também envolve compromissos socioambientais na região do Médio Xingu. De acordo com a Norte Energia, mais de 100 planos, programas e projetos vêm sendo executados desde o licenciamento da obra.
Entre as ações realizadas estão a construção de três hospitais, 63 unidades básicas de saúde e 99 escolas, além da criação de seis bairros e obras de infraestrutura urbana. Também foram promovidas iniciativas de reflorestamento — equivalentes a cerca de três mil campos de futebol — e projetos voltados a comunidades indígenas.
O total de investimentos nessas iniciativas ultrapassa R$ 8 bilhões.
Papel estratégico
Ao completar 10 anos de operação, Belo Monte reforça sua posição como peça-chave para o setor elétrico brasileiro. A combinação de alta capacidade de geração, flexibilidade operacional e integração com outras fontes energéticas coloca a usina no centro da estratégia nacional para garantir segurança energética.
De acordo com a concessionária, o desafio agora é manter a eficiência operacional e ampliar o impacto positivo na região amazônica, conciliando geração de energia com desenvolvimento sustentável.
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