IR 2026: Pará tem só 51% das declarações enviadas e reta final deve concentrar entrega
Com 490 mil envios até 5 de maio, estado ainda tem cerca de 49% dos contribuintes pendentes; especialistas apontam aumento na procura por serviços e risco de erros na reta final
O envio das declarações do Imposto de Renda 2026 no Pará segue dentro do padrão histórico, mas ainda exige atenção dos contribuintes na reta final. Dados mais recentes apontam que, até o dia 5 de maio, às 14h, foram entregues 490.267 declarações, o que representa cerca de 51% do total esperado para este ano.
A expectativa da Receita Federal é de que o estado alcance 957.504 declarações em 2026, número superior ao registrado em 2025, quando o balanço final foi de 947.684 envios. Com isso, aproximadamente 49% dos contribuintes paraenses ainda precisam prestar contas ao Fisco até o fim do prazo.
O cenário indica que, mais uma vez, deve haver concentração de envios nos últimos dias, movimento considerado recorrente em todo o país. Além do volume, o período também é marcado por aumento na procura por serviços contábeis, especialmente para elaboração, revisão e regularização de declarações.
Entre as principais demandas registradas neste ano estão a escolha entre os modelos simplificado e completo, a conferência de documentos, dúvidas sobre deduções, além da regularização de pendências de anos anteriores. Também cresce a busca por auxílio em casos de declarações pré-preenchidas com informações divergentes e na retificação de dados após o envio.
Outro ponto de atenção são os erros mais comuns que levam os contribuintes à malha fina. Entre eles estão a omissão de rendimentos, inconsistências relacionadas a dependentes, divergências entre valores informados e dados enviados por empresas, bancos e planos de saúde, além de erros de digitação e falhas na declaração de investimentos, aluguéis e até ganhos com apostas esportivas.
Neste ano, mudanças nas regras também chamam atenção, como a atualização dos valores de obrigatoriedade — com rendimento tributável anual acima de R$ 35.584 — e novidades como a inclusão de rendimentos com apostas esportivas, a possibilidade de uso do nome social e a redução dos lotes de restituição, que passaram de cinco para quatro. Outro destaque é o chamado “cashback” do Imposto de Renda, que prevê restituição automática para contribuintes não obrigados a declarar, mas que tiveram valores retidos ao longo do ano.
Além disso, há um avanço no uso da declaração pré-preenchida, impulsionado pela ampliação do cruzamento de dados pela Receita Federal, o que também tem contribuído para a identificação mais rápida de inconsistências.
Para o contador Cleber Albuquerque, o ritmo atual confirma um comportamento já conhecido dos contribuintes. “O ritmo está dentro do padrão histórico, mas ainda exige uma aceleração importante nessa reta final. No Pará, já temos cerca de 51% das declarações enviadas, o que mostra que praticamente metade ainda falta declarar. Isso reforça que os contribuintes continuam deixando para a última hora, o que é algo tradicional”, explica.
Segundo ele, a tendência é de intensificação dos envios nas semanas finais. “A própria Receita Federal destaca que esse movimento é comum em todo o país, com aumento significativo do volume próximo ao fim do prazo”, afirma.
Sobre a procura por serviços, Cleber aponta que a elaboração da declaração completa lidera a demanda. “Muitos contribuintes buscam o modelo completo para aproveitar deduções e reduzir o imposto a pagar ou aumentar a restituição. Também há muitas dúvidas sobre qual modelo escolher, se o simplificado ou o completo, já que o resultado pode variar bastante”, diz.
Ele também observa crescimento na busca por regularização. “Tem muita gente descobrindo que deveria ter declarado em anos anteriores e não sabia. Além disso, aumentou bastante a procura por retificação, porque a Receita está cruzando dados com mais rapidez e apontando inconsistências logo após o envio”, destaca.
Entre os erros mais frequentes, o contador reforça a omissão de rendimentos como principal problema. “Às vezes o contribuinte esquece uma renda extra ou algum rendimento e isso já é suficiente para cair na malha fina. Também são comuns problemas com dependentes, divergência de valores com informes de bancos, empresas e planos de saúde, além de erros simples de digitação”, explica.
Ele chama atenção ainda para novas fontes de renda que passaram a exigir maior cuidado. “Neste ano, entram com mais força os rendimentos com apostas esportivas, além de investimentos e criptomoedas, que também geram dúvidas e erros na hora de declarar”, completa.
Sobre as mudanças, Cleber destaca tanto ajustes nas regras quanto no comportamento dos contribuintes. “Houve atualização nos limites de obrigatoriedade e novidades como o cashback do Imposto de Renda e a redução dos lotes de restituição. Mas o que mais chama atenção é o aumento do uso da declaração pré-preenchida, que cresceu bastante nos últimos anos e está ainda mais forte em 2026”, afirma.
Apesar da praticidade, ele faz um alerta: “A pré-preenchida facilita, porque já traz dados da Receita, mas não tira a responsabilidade do contribuinte de conferir todas as informações. É fundamental checar tudo com os documentos em mãos para evitar problemas futuros”, orienta.
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