Investimento em Mounjaro chega a quase R$ 4 mil em Belém e patente passa por impasse na Câmara
Redução no preço também chama atenção para a necessidade de cautela e o perigo de opções falsificadas
As canetas emagrecedoras, como o Mounjaro, ocupam o primeiro e segundo lugar entre os medicamentos mais pesquisados nos sites das principais farmácias com unidades em Belém. O item está atualmente avaliado entre R$ 1.754 e R$ 3.645, a depender da dosagem, mas isso pode mudar, caso o projeto de Lei 68/2026, que tramita em regime de urgência no Câmara dos Deputados, seja aprovado. O texto prevê a quebra da patente do produto, o que, segundo o autor da proposta, deputado federal Mário Heringer (PDT-MG), deve baratear o produto e torná-lo mais acessível.
A demanda pelo tratamento na capital paraense cresceu, sobretudo, para fins estéticos, como explica o médico Rubens Tofolo Jr, endocrinologista paraense e presidente da Regional Pará da Sociedade Brasileira de Diabetes. Segundo ele, a quebra da patente, embora reduzem os preços, preocupa pela possibilidade de abrir espaço a opções falsificadas no mercado. Nesse sentido, a atenção deveria estar também voltada a fiscalização.
“A quebra da patente pode implicar na redução dos preços, mas os riscos de surgirem medicamentos falsos também existem, por isso devemos todos, médicos e pacientes, combater essa prática, garantindo a compra em farmácias autorizadas”, explica o especialista.
O preço da caneta pode variar conforme a dose prescrita, sendo que a dose mais baixa, de 2,5 mg, custa cerca de R$ 1.400, enquanto a de 5 mg sai em média R$ 1.800. A progressão segue acompanhando a dosagem nas demais: com a dose de 7,5 mg por R$ 2.600; 10 mg a R$ 3.000; e as de 12,5 mg e 15 mg com valores que chegam a média de R$ 3.600.
O endocrinologista ainda lembra que outras opções famosas, como o Ozempic e o Wegovy, ambos utilizados no tratamento de diabete e obesidade, também terão a quebra da patente no próximo mês. “Ainda temos o pedido de liberação de pelo menos 15 canetas genéricas, o que significa que essa quebra representa uma redução esperada de cerca de 40% dos preços”, estima.
Existem outros medicamentos que podem substituir o Mounjaro, como explica o endocrinologista, entretanto, “isso somente o endocrinologista pode avaliar”, argumenta. “É Importante ressaltar que diabetes e obesidade são doenças que necessitam de atenção e mudanças no estilo de vida”, continua. Parte do tratamento inclui também alimentação balanceada, longe de ultraprocessados, álcool, gorduras e açúcares pobres, e, principalmente, prática de atividades físicas. “Nenhum remédio sozinho garante um resultado satisfatório”, conclui.
Legislação
Na prática, o projeto de lei obriga a liberação da patente, sob a justificativa de o uso ser de interesse público. A proposta modifica a lei 9.279/96, sobre propriedade industrial, para permitir a quebra da patente em casos como esse, de emergência ou interesse público. Nesse formato, o titular da patente ainda recebe 1,5% do preço do produto, pago pelo próprio Governo.
A iniciativa recebeu o caráter de urgência na Câmara, e, com isso, a possibilidade de ser votada em plenário, sem passar pelas comissões. No entanto, enfrenta argumentos contrários, que enxergam, na medida, a possibilidade de insegurança jurídica. Segundo os contrários, as indústrias, como a farmacêutica nesse caso, podem se sentir desmotivados a investir se acharem que podem ter o Governo interferindo nos negócios.