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Inovação, negócios e valor: Belém recebe etapa Norte da Jornada Nacional de Inovação da Indústria

Evento reúne lideranças empresariais e especialistas para discutir caminhos da inovação e da competitividade industrial na Amazônia

Jéssica Nascimento

Belém sedia, nesta terça-feira (11) e quarta-feira (12), a etapa Norte da Jornada Nacional de Inovação da Indústria, iniciativa que reúne lideranças empresariais, especialistas e instituições de fomento para debater estratégias de inovação, infraestrutura e desenvolvimento tecnológico voltadas ao fortalecimento da indústria na Amazônia.

Promovido por entidades do setor produtivo, o encontro busca construir soluções para ampliar a competitividade da indústria regional, estimular novos modelos de negócios e agregar valor às cadeias produtivas do Norte, historicamente marcadas pelo extrativismo.

Pará quer avançar além do papel de fornecedor de matérias-primas

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), Alex Carvalho, sediar a etapa regional representa uma oportunidade de projetar o estado no debate nacional sobre inovação industrial e reposicionar a economia paraense.

“O evento tem para nós uma dupla inovação. Primeiro, colocar mais uma vez o Pará em evidência já mostra um legado da COP 30, pela participação efetiva da região Norte”, afirmou.

Segundo ele, a iniciativa também reforça a necessidade de transformar o perfil produtivo local.

“Há décadas ainda não conseguimos transpor o desafio de deixar de ser meros fornecedores de matérias-primas e nos tornar um território de inovação capaz de agregar valor aos nossos produtos”, disse.

Carvalho defende que a articulação entre ciência, tecnologia e investimentos é essencial para consolidar esse processo.

“É uma junção de forças, um ponto de convergência em prol de um desenvolvimento que a gente acredita verdadeiramente sustentável”, destacou. 

Distância dos centros tecnológicos é obstáculo

Entre os principais desafios para o avanço da inovação na indústria paraense está a distância dos grandes polos de pesquisa e tecnologia do país.

De acordo com o presidente da Fiepa, o estado já passou da fase de invisibilidade no ecossistema de inovação, mas ainda precisa fortalecer a integração entre iniciativas públicas e privadas.

“A inovação é um processo de testagem, mas depende de fatores de alinhamento. Não adianta ter boas ideias e um ambiente propício se não houver convergência das ações para que as coisas aconteçam dentro do nosso território”, explicou.

Ele destaca que a aplicação prática da inovação passa pela criação de um ambiente favorável à atração de investimentos. “Precisamos trazer ciência, tecnologia e aplicação, e isso está diretamente ligado à harmonia e à atração de investimentos para que os negócios prosperem”, disse.

Escuta nacional apontou desafios estruturais

A Jornada Nacional de Inovação da Indústria faz parte de um movimento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para ouvir empresários, especialistas e a sociedade em diferentes regiões do país.

Segundo Jefferson Gomes, diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da CNI, o processo envolveu consultas com milhares de pessoas e empresas.

“As indústrias brasileiras resolveram sair pelo Brasil afora escutando as pessoas para saber o que precisam fazer para desenvolver novos negócios”, afirmou.

De acordo com ele, as demandas mais recorrentes estão relacionadas à infraestrutura, formação de talentos e acesso a investimentos.

“A infraestrutura que tem em São Paulo é diferente da que tem aqui. Então a pergunta é: o que está faltando? Energia, logística, internet?”, refletiu.

Outro ponto levantado foi a chamada “evasão de cérebros”, quando profissionais qualificados deixam a região em busca de oportunidades em outros centros.

“Como é que você vai manter esses cérebros aqui? Quais são os projetos estratégicos para isso?”, avaliou.

Para Gomes, o desenvolvimento tecnológico precisa estar conectado ao impacto social. “No final das contas, como é que conseguimos trazer desenvolvimento social para a região? Porque a demanda da população precisa vencer”, disse.

Startups começam a integrar soluções industriais

A aproximação entre startups e indústrias é uma das estratégias para impulsionar a inovação no estado. Segundo Renata Batista, gerente de Sustentabilidade e Inovação do Sebrae no Pará, o potencial regional está diretamente ligado à riqueza de recursos naturais e às cadeias produtivas locais.

“Hoje temos uma grande vocação estabelecida, que é a nossa riqueza em recursos naturais. Isso, associado à potencialidade do setor industrial e com o apoio do Sebrae, traz infinitas possibilidades”, afirmou.

Ela cita exemplos de startups que já atuam em parceria com o setor produtivo.

“Já atendemos startups que trabalham com gestão de resíduos da construção civil, que antes geravam impacto ambiental negativo e hoje estão incorporados na indústria”, revelou.

Também há iniciativas no campo da educação tecnológica. “Temos edutechs que desenvolvem equipamentos voltados ao setor educacional em parceria com grandes indústrias”, disse.

Segundo Renata, o papel do Sebrae é conectar empresas e soluções inovadoras. “Atuamos na orientação dessas startups para que tenham modelos de negócios rentáveis e competitivos e também articulamos com grandes indústrias que precisam dessas soluções”, concluiu.