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Inflação em Belém supera média nacional e é pressionada por alimentos e serviços

IPCA-15 de março mostra alta de 0,68% na capital paraense, com destaque para alimentação; recuos em transportes e habitação não foram suficientes para conter o índice

Maycon Marte

A prévia da inflação oficial indica que Belém segue com dinâmica própria de preços, mais pressionada que a média nacional. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) mostram que, em março de 2026, a capital paraense ficou em 0,68%, acima do índice brasileiro, de 0,44%. O resultado reflete, principalmente, o peso mais elevado de alimentos e serviços essenciais no orçamento local.

Entre os grupos que mais influenciaram o comportamento do índice, Alimentação e Bebidas teve destaque, com alta de 1,92% em Belém, mais que o dobro da média nacional (0,88%). Na avaliação do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), essa diferença não foi uniforme entre os grupos pesquisados, mas chama atenção a concentração especialmente em itens essenciais ao consumo das famílias.

“Esse resultado reflete a forte alta de preços dos produtos regionais, como o açaí, além da elevação de itens básicos como feijão, ovos, leite e carnes”, avalia o supervisor técnico do Dieese/PA, Everson Costa.

Saúde e cuidados pessoais também exerceram pressão mais intensa em Belém, com alta de 0,82%, frente a 0,36% no país, influenciada por reajustes em planos de saúde e produtos de higiene. O mesmo ocorreu com o grupo Despesas pessoais, que subiu 1,37% na capital paraense, acima dos 0,82% registrados nacionalmente, reforçando a tendência de encarecimento dos serviços urbanos.

Recuo

Embora supere a média nacional em algumas situações, outros grupos registraram reduções no mesmo período analisado. Um dos exemplos é o segmento de Habitação, que apresentou movimento distinto: enquanto no Brasil houve aumento de 0,24%, na capital paraense foi registrada leve variação negativa, de -0,02%, indicando estabilidade nos custos.

O grupo Transportes também ajudou a conter a inflação em Belém. Diferentemente do cenário nacional, onde houve alta de 0,21%, a capital registrou queda de -0,27%, puxada principalmente pela redução na tarifa de ônibus urbano, resultado de políticas de gratuidade e ajustes tarifários. Ainda assim, esses alívios não foram suficientes para equilibrar o índice geral, segundo parecer do Dieese/PA.

Nos demais grupos, como artigos de residência, educação e comunicação, as variações foram mais moderadas e sem impacto expressivo isolado, mas contribuíram para a composição do índice. Vestuário, por exemplo, apresentou queda de -0,44% em Belém, enquanto no Brasil houve alta de 0,47%.

De forma geral, o supervisor técnico do Dieese/PA, Everson Costa, aponta que a inflação mais elevada em Belém decorre da combinação de aumentos mais intensos em itens essenciais, especialmente alimentos e serviços. Mesmo com recuos pontuais em segmentos como transportes e habitação, o conjunto de pressões foi suficiente para manter o índice acima da média nacional.