Imóveis entorno de obras da COP 30 têm valorização de até 30% após evento, revelam corretores
Revitalizações de avenidas, canais e mercados em Belém impulsionam preços de imóveis e transformam o perfil de bairros históricos da capital paraense
Após as intervenções urbanas realizadas pelo governo do estado para a COP 30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), Belém viu os imóveis valorizarem significativamente. Corretores e moradores relatam aumentos de até 30% no valor de venda e ainda maiores na locação, especialmente em bairros próximos às obras de infraestrutura.
O impacto não se limita ao preço: o perfil de bairros tradicionais como São Brás, Marco e Marambaia também mudou, refletindo um fenômeno de gentrificação - processo de transformação urbana onde bairros populares ou degradados recebem investimentos, valorizando imóveis e atraindo moradores de maior renda.
Aluguel dispara durante e após a COP 30
“Durante a COP 30, o que mais valorizou foi o aluguel. Foi o apertar do play de uma nova Belém, de uma nova cidade, de um novo olhar”, relata Claudia Craveiro, corretora de imóveis e conselheira do Creci Pará (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Pará).
Segundo ela, a locação teve aumento expressivo durante o evento, chegando a 63% em alguns casos:
“Nossa cidade foi fotografada e filmada para o mundo inteiro, e isso gerou um plus na locação que se manteve mesmo depois da conferência.”
Claudia destaca que o efeito foi observado não apenas na capital, mas é um fenômeno global: “Qualquer cidade que recebe infraestrutura diferenciada, reformas e novos projetos de urbanização vê o desenvolvimento imobiliário se acelerar.”
Vendas também sobem, mas de forma mais gradual
Segundo Valter Matos, gestor de vendas no mercado imobiliário de Belém, o mercado residencial também registrou valorização:
“O mercado de venda valorizou, porém de forma mais moderada e gradual. A alta mais expressiva foi no aluguel, impulsionada pela demanda de curto prazo e pela expectativa da COP 30.”
O especialista alerta para o efeito da valorização sobre os moradores antigos: “Proprietários tendem a permanecer ou migrar para aluguel mais rentável, enquanto inquilinos enfrentam pressão de aumento de preços e, em muitos casos, deixam os imóveis.”
Bairros históricos ganham novo olhar
O bairro de São Brás, antes pouco valorizado, agora atrai empreendimentos de alto padrão, com imóveis entre R$ 1 milhão e R$ 1,2 milhão. Claudia Craveiro explica:
“O bairro conecta com o Marco, que hoje equipara-se em valorização ao Umarizal, que sempre foi o bairro mais valorizado de Belém.”
Marambaia também se transformou: apartamentos que custavam R$ 400 mil hoje chegam a R$ 600 mil, uma valorização de até 30%.
Morador de uma cobertura no bairro do Marco, André Salgueiro, confirma a percepção: “Aqui no prédio mesmo, a valorização foi em torno de 30% a 40% após a compra. Eu percebi que o bairro do Marco vem crescendo muito, tanto em estrutura como em comodidade.”
Ele acrescenta que a localização próxima a escolas e ao trabalho pesou em sua decisão de mudança.
Risco de gentrificação e especulação imobiliária
O mercado aquecido também traz desafios. Claudia alerta:
“Temos que ter cuidado com a especulação imobiliária. A valorização não é só metro quadrado, depende do estado do imóvel, da decoração e outros fatores mercadológicos.”
Valter Matos ressalta sinais de gentrificação: “Há substituição de moradores por perfis de maior renda e aumento da pressão imobiliária em áreas centrais. Esse processo tende a impactar o IPTU no médio prazo, via atualização do valor venal.”
Oportunidade e limite do mercado
Apesar do crescimento expressivo, André Salgueiro acredita que os preços devem encontrar um teto: “Como está valorizando muito nos bairros próximos às obras, tende a estagnar. Ainda pode haver um pouco de aumento, mas o mercado vai dar uma segurada.”
Ele aproveitou o momento para alugar um dos dois apartamentos que possui, multiplicando em seis vezes o valor do aluguel por 20 dias durante a COP 30.
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