Ibovespa cai 0,24% na Quarta-Feira de Cinzas e soma terceira baixa seguida
Bolsa brasileira fecha aos 186 mil pontos, com Vale em queda e Petrobras em alta moderada; dólar sobe a R$ 5,24 após ata do Fed e cenário externo misto
Passado o Carnaval, o humor do mercado brasileiro foi mais de ressaca do que de retomada. O Ibovespa encerrou a Quarta-Feira de Cinzas (18) em queda de 0,24%, aos 186.016,31 pontos, recuo de 447,99 pontos. É a terceira sessão consecutiva no vermelho, após perdas de 1,02% na quinta-feira (12) e 0,69% na sexta-feira (13).
O índice até ensaiou uma alta na abertura, embalado por um início de sessão mais otimista, mas perdeu força ao longo do dia e virou para baixa, em um movimento que destoou de Wall Street. Nos Estados Unidos, os principais índices fecharam no campo positivo, embora tenham reduzido ganhos durante a tarde.
No câmbio, o real também perdeu fôlego: o dólar comercial avançou 0,22%, a R$ 5,241. Já os contratos de juros futuros (DIs) oscilaram ao longo da curva, em ritmo diferente dos Treasuries norte-americanos.
O pano de fundo internacional teve como destaque a ata do Federal Reserve, que revelou divergências internas sobre o rumo da política monetária. O documento indicou uma pausa nos cortes de juros por ora, mas deixou em aberto a possibilidade de retomada adiante. A leitura veio acompanhada de dados robustos da economia dos EUA, como produção industrial acima do esperado, reforçando a percepção de atividade resiliente.
Na Europa, o clima foi mais favorável. Bolsas fecharam em alta após divulgação de indicadores econômicos e balanços corporativos, enquanto investidores também avaliaram possíveis implicações de uma saída antecipada de Christine Lagarde da presidência do Banco Central Europeu.
No cenário doméstico, o Banco Central do Brasil trouxe novo alívio nas expectativas de inflação. O Boletim Focus apontou, pela sexta semana consecutiva, redução na projeção para o índice de preços, movimento acompanhado de perto pelos agentes financeiros.
Vale desaba e Petrobras avança
Entre os pesos-pesados do índice, a principal pressão negativa veio da Vale (VALE3), que caiu 3,57%.
Do outro lado, a Petrobras (PETR4) subiu 0,81%, desempenho considerado moderado diante da disparada dos contratos futuros de petróleo no exterior. O avanço das cotações ocorre em meio à escalada de tensões envolvendo Estados Unidos e Irã, com receios de um conflito mais amplo nos próximos dias.
As petroleiras juniores aproveitaram melhor o movimento: PRIO (PRIO3) avançou 2,32% e Brava (BRAV3) subiu 2,54%.
Os bancos oscilaram em ritmo morno. Banco do Brasil (BBAS3) teve a maior alta do setor, com ganho de 1,53%. Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 0,46%, enquanto Bradesco (BBDC4) recuou 0,29%.
No varejo, o saldo foi majoritariamente positivo, mas o destaque negativo ficou com Assaí (ASAI3), que caiu 2,63%.
A Braskem (BRKM5) recuou 0,61%, após um grande banco rebaixar a recomendação para venda em meio ao ambiente desafiador do setor petroquímico global.
Já o setor aéreo teve desempenho mais animado. A Embraer (EMBJ3) subiu 1,60% após anunciar a entrega dos dois primeiros A-29 Super Tucano à Força Aérea Uruguaia. Fora do Ibovespa, a Azul (AZUL53) avançou 2,41% ao garantir US$ 300 milhões em investimentos de companhias aéreas americanas e credores, no processo de reestruturação para sair do Chapter 11.
Agenda econômica
A ressaca é curta. Nesta quinta-feira, os investidores acompanham a divulgação do IBC-Br de dezembro, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Também entram no radar dados dos Estados Unidos, como balança comercial e pedidos de auxílio-desemprego.
Em ano eleitoral, a política tende a ganhar cada vez mais espaço no enredo dos mercados. Mas, até outubro, quando as urnas definirem os rumos do país, ainda há muitos pregões pela frente — e cada sessão promete seu próprio desfile na avenida da Bolsa.
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