Guerra no Oriente Médio desacelera planos de viagem e gera cautela entre turistas de Belém
Segundo a CEO de uma empresa de assessoria em turismo no Pará, Izabelle Aguiar de Araujo, havia uma retomada gradual da confiança dos clientes para destinos tradicionais como a Terra Santa, em Israel, após anos de tensão
A escalada recente do conflito no Oriente Médio já começa a refletir no turismo internacional e a alterar o comportamento de viajantes em Belém. Embora não haja uma onda de cancelamentos, agências de turismo relatam mudanças de planos, queda na procura por destinos da região e um cenário marcado por incertezas — principalmente em relação à malha aérea e à segurança.
Dados do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) apontam que o agravamento da guerra, especialmente envolvendo o Irã, tem potencial de causar perdas de pelo menos US$ 600 milhões por dia em gastos de visitantes internacionais. A região, que concentra cerca de 5% das chegadas globais e 14% do tráfego internacional em trânsito, é estratégica para o setor, o que amplia os efeitos da crise para além dos países diretamente envolvidos.
Na prática, esse impacto já é percebido no mercado local. Segundo a CEO de uma empresa de assessoria em turismo no Pará, Izabelle Aguiar de Araujo, havia uma retomada gradual da confiança dos clientes para destinos tradicionais como a Terra Santa, em Israel, após anos de tensão. No entanto, com o agravamento recente do conflito, esse movimento foi interrompido.
“Esses clientes optaram por algo diferente. Esse é o movimento que muitos agentes de viagem têm sentido”, afirma.
Apesar da retração na demanda, a empresária destaca que não houve cancelamentos entre os clientes atendidos, mas sim mudanças em viagens que ainda estavam em fase de planejamento. Destinos como Israel, Jordânia, Egito, Catar, Maldivas e Emirados Árabes Unidos — tradicionalmente procurados por turistas — tiveram a demanda “praticamente congelada” nas últimas semanas.
Outro fator de preocupação entre os viajantes é a instabilidade no transporte aéreo. Os principais hubs da região, como Dubai, Abu Dhabi e Doha, que juntos movimentam centenas de milhares de passageiros diariamente, já enfrentaram interrupções operacionais com o avanço do conflito, afetando a conectividade global.
“Os passageiros e agentes ainda estão com receio de que a instabilidade afete a malha aérea, principalmente”, explica Izabelle.
A insegurança também atinge, ainda que de forma indireta, outros destinos. Clientes com viagens marcadas para a Europa, por exemplo, têm demonstrado preocupação, sobretudo diante da circulação de desinformação sobre supostas paralisações de aeroportos. Até o momento, no entanto, não há registro de mudanças concretas relacionadas à guerra em países fora da zona de conflito.
Mesmo com o cenário de incerteza, a procura por viagens não foi totalmente interrompida. De acordo com a especialista, a maioria dos clientes segue buscando informações, revisando políticas de cancelamento e mantendo o otimismo em relação às férias.
A recomendação das agências, por outro lado, é clara: evitar viagens para áreas diretamente afetadas pelo conflito. Para quem já tem viagens marcadas para regiões próximas, a orientação é monitorar constantemente o status dos voos, seguir recomendações oficiais e contratar seguro viagem — ainda que nem todas as apólices cubram situações de guerra.
Por fim, Izabelle ressalta que o turismo tende a se adaptar, mesmo diante de crises prolongadas. Ela lembra que, durante a intensificação do conflito entre Israel e Palestina em 2023, chegou a viajar ao Egito sem intercorrências.
“O mercado turístico acaba se adaptando a esse tipo de acontecimento. É um setor que movimenta bilhões de dólares, então não é interessante para ninguém que as viagens parem”, avalia.
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