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Guerra entre EUA e Irã pode encarecer passagens e impactar voos internacionais na Amazônia

TAP opera o trajeto que liga a Amazônia legal a Europa e já sente o impacto do conflito no bolso

Maycon Marte

A escalada de tensões no Oriente Médio e seus impactos diretos sobre o mercado internacional de petróleo já provocam efeitos concretos na aviação comercial. A TAP Air Portugal, que mantém operações estratégicas na Amazônia brasileira, admite preocupação com o cenário e não descarta ajustes em rotas e frequências, caso a crise se intensifique.


Segundo o diretor da companhia para as Américas, Carlos Antunes, o setor aéreo enfrenta a possibilidade de uma das maiores crises de combustível da história recente. O principal fator de pressão é o aumento acelerado do querosene de aviação, diretamente ligado à instabilidade geopolítica e à oferta global de petróleo.

“Existe uma preocupação muito grande e existe a possibilidade de redução de voos em todo o mundo por causa daquilo que pode ser uma das maiores crises de combustível que a gente já viveu”, afirmou. Ele destaca que o combustível representa cerca de 30% dos custos operacionais de uma companhia aérea, o que torna o impacto imediato e significativo.

Dados apresentados pelo executivo mostram a dimensão do problema: o barril de combustível de aviação, que no início de março estava na faixa de US$ 100, praticamente dobrou em abril, chegando perto de US$ 200. A alta de quase 100% em um dos principais insumos do setor cria um efeito cascata sobre toda a operação.

Apesar disso, as empresas não conseguem repassar integralmente esse aumento ao consumidor. “Uma parte desse custo tem que passar para o bilhete. Mas ele não pode ser repassado totalmente, porque senão geraria um choque de demanda”, explicou Antunes. Segundo ele, aumentos excessivos nas tarifas tendem a reduzir a ocupação das aeronaves, o que compromete a sustentabilidade das rotas.

O equilíbrio entre custo e demanda é considerado um dos principais desafios da aviação comercial, um setor conhecido por operar com margens reduzidas. “As companhias aéreas não têm margem para absorver isso tudo. A rentabilidade é muito baixa e depende de fatores diversos, inclusive da abertura ou fechamento do Estreito de Hormuz”, destacou, em referência a uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.

Nesse contexto, a manutenção de rotas, especialmente as de longo curso, como as que conectam Europa e Norte do Brasil, passa a depender diretamente do comportamento da demanda diante de tarifas mais elevadas. Caso a ocupação caia de forma consistente, a tendência é de redução de frequências ou até suspensão de operações específicas.

Antunes ressalta que a empresa já vem aplicando reajustes nas passagens, mas em patamar inferior ao aumento dos custos. “A gente não conseguiu carregar 30% a mais nos preços. Deve ter sido algo em torno da metade disso”, disse. Ainda assim, o executivo reconhece que os passageiros já percebem o encarecimento das tarifas e que a tendência é de continuidade desse movimento.

Outro ponto de preocupação é o tempo necessário para normalização do abastecimento global. Mesmo em um cenário de estabilização geopolítica, a recomposição dos estoques de combustível de aviação não ocorre de forma imediata, prolongando os efeitos da crise sobre o setor.

A TAP mantém operações regulares ligando Belém e Manaus a Lisboa, consolidando-se como uma das principais portas de entrada de turistas europeus na região. Diante do cenário, a companhia afirma que monitora continuamente o mercado e avalia medidas para preservar a operação, mas reconhece que o contexto internacional impõe incertezas. A evolução do conflito no Oriente Médio e seus desdobramentos sobre o preço do petróleo serão determinantes para definir os próximos passos da aviação global.