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Gasolina varia de R$ 5,99 a R$ 6,99 em postos de Belém e motoristas pesquisam para economizar

Dieese aponta variação de até R$ 0,58 por litro e impacto no orçamento das famílias, enquanto a Sindicombustíveis Pará afirma que as diferenças de preço entre postos são normais e refletem a concorrência e os custos de operação do mercado

Jéssica Nascimento

Consumidores de combustíveis em Belém têm enfrentado uma diferença significativa nos preços da gasolina entre postos da cidade. Em um posto localizado na Avenida Duque de Caxias, no bairro do Marco, o litro era vendido por R$ 5,99 nesta segunda-feira (15), enquanto em estabelecimentos próximos o valor chegava a até R$ 6,99. A variação também foi relatada em outras áreas da capital paraense, reforçando a percepção de instabilidade nos preços praticados.


Motoristas ouvidos no local afirmam que a diferença influencia diretamente na escolha do posto onde abastecer. Segundo relatos, a prática de pesquisar preços se tornou comum antes de encher o tanque, com consumidores comparando valores até entre bairros e, quando possível, abastecendo em municípios vizinhos para economizar. Entre os valores citados, o litro da gasolina variou de R$ 5,23, em casos mais baratos, até R$ 7,86, no preço mais alto já registrado por entrevistados na cidade.

Pesquisa virou hábito entre motoristas

Para quem depende do carro diariamente, a comparação de preços já faz parte da rotina. O motorista de aplicativo Stephan Tavares afirma que a variação é perceptível até entre redes conhecidas.

“Costumo pesquisar os preços dos combustíveis antes de abastecer. Geralmente a gente passa analisando os preços quando a gente tá na rua, verificando os preços e aí a gente sempre costuma abastecer na mesma rede”, disse.

Ele relata que, quando possível, chega a abastecer fora da capital para reduzir custos. “Quando eu tenho oportunidade de ir pro lado de Ananindeua, a gente aproveita e abastece lá porque o valor é mais em conta”, declarou.

Diferença entre postos chama atenção em toda a cidade

O programador de sistemas Rodrigo Machado também observa oscilações frequentes. Segundo ele, alguns postos trabalham com promoções pontuais, enquanto outros mantêm preços mais altos de forma constante.

“Tenho percebido diferença entre os preços de gasolina, principalmente esse posto tem feito essa promoção. De vez em quando ele baixa pra esse valor - de R$ 5,99. Alguns dos postos baixam esse pra esse preço, mas não são todos”, afirmou.

Ele cita ainda a variação entre regiões da cidade. “Tem postos da Doca em que a gasolina tá R$ 6,55. E eu tô percebendo essa diferença de um posto pra outro”, disse.

Estratégia inclui até escolha por filas e localização

Entre aposentados, a lógica de escolha também mudou. Otávio Maciel diz que a decisão muitas vezes é tomada na rua, observando o movimento dos postos.

“Tenho percebido muita diferença no preço da gasolina entre os postos de Belém, de forma constante. Eu faço a pesquisa dos preços vendo as filas nos postos. A gente encosta onde é mais barato”, contou.

Ele relata que a diferença já pesa no orçamento. “O preço da gasolina mais caro que eu paguei em Belém foi R$ 7,86. O preço mais barato foi na estrada. Foi R$ 5,23”, destaca. 

Dieese aponta impacto e diferença de até R$ 0,58 por litro

Segundo o supervisor técnico do Dieese/PA (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Everson Costa, a variação entre postos da capital é significativa e reforça a importância da pesquisa antes do abastecimento.

“Gasolina em Belém apresenta diferença de até R$ 0,58 por litro entre postos e segue entre as capitais com preços elevados do país”, afirmou.

Ele explica que, com base em levantamento da ANP, o preço médio na capital paraense segue acima de várias outras cidades brasileiras

“Segundo análise do DIEESE/PA, o consumidor paraense encontrou o combustível sendo comercializado entre R$ 6,41 e R$ 6,99 por litro, com preço médio de R$ 6,66 por litro.”

Costa destaca o impacto direto no orçamento das famílias. “Em um tanque de 50 litros, por exemplo, essa diferença representa uma economia potencial de até R$ 29,00 para o consumidor.”

Comparação com outras capitais e impacto econômico

O Dieese também observa que, embora Belém não tenha o maior preço médio do país, o valor ainda é elevado no cenário nacional e influencia diversos setores da economia.

“O consumidor paraense encontrou o combustível sendo comercializado entre R$ 6,41 e R$ 6,99 por litro, com preço médio de R$ 6,66 por litro”, reforça Everson Costa ao citar o levantamento.

O órgão destaca ainda que os combustíveis têm efeito em cadeia. Além do transporte individual, o custo impacta diretamente o transporte coletivo, a logística de mercadorias e o preço final de alimentos e serviços.

Tendência é de estabilidade, mas cenário segue instável

Para as próximas semanas, o Dieese/PA avalia que o cenário tende à estabilidade, embora não descarte pequenas variações.

“O cenário (até o momento!) aponta para uma relativa estabilidade dos preços, com possibilidade de pequenas reduções”, afirmou Everson Costa.

Ele ressalta, porém, que fatores externos seguem influenciando o mercado. “Contudo, fatores como a cotação internacional do petróleo, a variação cambial, os custos logísticos da Região Norte e a dinâmica de concorrência no mercado local continuam sendo elementos que podem limitar reduções mais significativas”, pontuou.

Sindicombustíveis atribui variações ao livre mercado

Na avaliação do setor, as diferenças entre postos são consideradas normais dentro da dinâmica de concorrência. O advogado do Sindicombustíveis Pará, Pietro Gasparetto, afirma que os preços refletem realidades distintas de operação.

“É absolutamente normal que haja diferenças de preços entre postos de combustíveis de uma mesma cidade, inclusive com variações relevantes entre estabelecimentos”, disse.

Ele explica que custos operacionais e estratégias comerciais influenciam diretamente os valores. “Cada posto possui uma realidade econômica distinta. Há diferenças, por exemplo, nas condições comerciais de compra junto às distribuidoras, nos prazos de pagamento negociados, nos custos operacionais, na localização do estabelecimento, no fluxo de veículos, despesas com aluguel, segurança, energia, folha de pagamento e até mesmo na estratégia comercial adotada”, explicou.

Gasparetto também destaca o papel das promoções. “Alguns postos podem realizar promoções pontuais em determinados dias da semana ou operar temporariamente com margens reduzidas por razões comerciais”, disse.

Segundo o representante do setor, a proximidade entre postos também contribui para a variação observada em algumas regiões da cidade.

“A concorrência local também influencia diretamente. Em alguns corredores comerciais de Belém, por exemplo, há postos muito próximos uns dos outros, o que naturalmente tende a pressionar os preços para baixo”, afirmou.