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Fórum Norte e Nordeste debate infraestrutura urbana e desafios das mudanças climáticas em Belém

Caixa Econômica alerta para avanço dos desastres naturais no país e defende planejamento urbano, saneamento e moradias resilientes para enfrentar eventos climáticos extremos

O Liberal

A ampliação dos desastres naturais e a necessidade de fortalecer a infraestrutura urbana foram o tema central do X Encontro do Fórum Norte e Nordeste da Indústria da Construção (FNNIC), em Belém. No evento, a diretora executiva da Caixa Econômica Federal, Daniele Mendonça, alertou para a rapidez com que os impactos e os ventos climáticos adversos têm tomado conta de todo o território nacional. Ela dá ênfase à atuação da instituição frente ao tema e aponta que, das 662 cidades que solicitaram auxílio do “Saque-Calamidade” em meio a grandes desastres, 100 delas eram da região Norte do país e outras 75 do Nordeste.

A diretora destacou que o principal desafio está no planejamento das cidades para enfrentar eventos climáticos cada vez mais frequentes. Segundo ela, os dados de 2025 mostram um cenário alarmante, com todas as regiões do país afetadas por calamidades. “As mudanças climáticas são inevitáveis, e por isso precisamos investir em infraestrutura, planejamento urbano e saneamento para tornar as cidades mais resilientes e proteger a população”, afirma.

Ela defende o papel do setor da construção civil e de fóruns de debate como o FNNIC na elaboração de soluções estruturais para o futuro das cidades, sobretudo das regiões mais vulneráveis.

“A participação do Fórum Norte e Nordeste é fundamental para pensar projetos alinhados com esse modelo de cidades resilientes. Precisamos repensar a construção de moradias, a infraestrutura urbana e o saneamento, utilizando estudos e sistemas de monitoramento de desastres climáticos”, disse.

Para o presidente do Fórum, Marcos Holanda, esse diálogo entre autoridades, especialistas e o setor produtivo é uma agenda urgente e estratégica para o país. “O Brasil é, na verdade, uma composição de diversas realidades regionais. A ausência de uma entidade regional forte, capaz de representar os interesses do Norte e Nordeste, trouxe dificuldades significativas”, enfatiza.

Holanda lembra que até 2022, em uma década, cerca de 100 bilhões de reais que seriam investidos em projetos do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) nessas regiões foram realocados para as regiões Sul e Sudeste.

“Felizmente, observamos um progresso significativo, pois de 2022 a 2025 houve um aumento de 58% na quantidade de unidades habitacionais construídas pelo programa, um resultado que nos orgulha. Especificamente no Pará, o crescimento foi de 103% nesse período, e no Nordeste, o aumento foi de 101%. Esses dados comprovam a contribuição fundamental do fórum, bem como a efetiva absorção das discussões pelo Ministério das Cidades e pela Caixa Econômica Federal”, concluiu Holanda.

Medidas

Para lidar da melhor maneira e mais rápida, a instituição aposta em diálogo com diversos setores e intervenções práticas aos atingidos. “Destaco dois pontos importantes: a atuação da Caixa em parceria com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e as Defesas Civis na identificação e avaliação das calamidades, e a iniciativa do Ministério do Trabalho que autoriza o saque imediato do FGTS para municípios em situação de calamidade reconhecida”, afirma a diretora da Caixa.

Após o reconhecimento oficial da situação de calamidade, o banco agiliza o acesso aos recursos pelos trabalhadores. “Uma vez reconhecida a calamidade, a Caixa agiliza o processo e permite que o trabalhador solicite o saque do FGTS pela internet, sem precisar se deslocar até uma agência”, destaca.

Além do acesso aos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a Caixa também mobiliza estruturas emergenciais para atender a população diretamente nos locais afetados. Esse apoio mais estrutural se dá por meio de serviços móveis, normalmente com caminhões-agência, que facilitam o atendimento nas regiões e para as pessoas afetadas.

A participação da instituição na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), realizada em Belém no último ano, também serviu ao mesmo propósito, com a apresentação de um protocolo específico de atuação para situações de calamidade climática, com medidas destinadas a acelerar o atendimento às vítimas e apoiar municípios atingidos.

“Até 2022, o mundo já observava transformações importantes no clima, mas no Brasil o debate ainda era incipiente. Os eventos extremos estavam mais concentrados nas regiões Sudeste e Sul, com excesso de chuvas ou períodos de seca. Nos últimos anos, porém, essa realidade mudou de forma muito significativa”, explica a diretora, sobre a necessidade de se dedicar ao tema.