Food trucks movimentam economia e criam oportunidades em Belém
Setor reúne empreendedores que encontraram no comércio de rua uma oportunidade de renda e crescimento
Os food trucks se consolidaram como uma alternativa gastronômica urbana em Belém, movimentando a economia local e gerando empregos em diferentes regiões da cidade. Com funcionamento concentrado no período noturno e presença em espaços públicos tradicionais, como a Praça Brasil, no bairro do Umarizal, o setor reúne empreendedores que encontraram no comércio de rua uma oportunidade de renda e crescimento.
Além de oferecer refeições rápidas e preços variados, os food trucks criam uma dinâmica econômica que envolve produção de alimentos, logística, contratação de funcionários e relacionamento direto com os clientes. A atividade também atrai consumidores de diferentes perfis sociais e contribui para a ocupação de espaços públicos de convivência.
O empreendedor Carlos Lisboa, de 34 anos, atua há seis anos no setor e afirma que começou a trabalhar com food truck após não conseguir prosseguir com a profissão de radiologista. Em vez de alugar um ponto comercial, decidiu montar um carrinho de lanche, atualmente com cinco unidades em Belém.
Ele conta que o movimento varia ao longo do ano. Em períodos mais fracos, como no início do ano, o negócio atende cerca de 150 a 200 clientes por dia. Já no fim do ano, a demanda pode chegar a 400 ou 500 pessoas diariamente. Os produtos mais vendidos são hambúrgueres e lanches rápidos, com preços que variam aproximadamente entre R$12 e R$37. Atualmente, o negócio emprega entre 30 e 35 trabalhadores.
Apesar do crescimento, o empreendedor destaca que o setor exige planejamento e dedicação. “O ‘valer a pena’ vale. A gente consegue ter lucro com isso, mas os desafios são grandes, como as situações climáticas e os roubos”, afirma. Ele explica que a rotina começa ainda pela manhã, com a preparação dos alimentos, embora o atendimento ao público ocorra geralmente das 17h até meia-noite.
Negócio que nasceu na faculdade
A empreendedora Andrezza Guerra iniciou sua doceria em 2015, enquanto ainda cursava a faculdade, vendendo doces para custear os estudos. Dois anos depois, passou a trabalhar com um carrinho na Praça Brasil, onde hoje mantém um trailer. Segundo a empreendedora, a proximidade com os clientes é uma das principais vantagens do modelo. “O food truck aproxima a gente do cliente, é olho no olho”, afirma.
O negócio funciona diariamente e atende entre 100 e 200 clientes em dias comuns. Durante o chamado “Festival de Tortas”, realizado duas vezes por semana, o movimento pode ultrapassar 500 atendimentos.
Os produtos mais vendidos são as fatias de torta, com preços que variam entre R$25 e R$30. Também há itens mais baratos, como brigadeiros vendidos por cerca de R$3 a R$4.
Para manter o funcionamento, o empreendimento conta com cerca de 10 trabalhadores no atendimento durante eventos e mais de 25 pessoas envolvidas na produção dos alimentos. Entre os principais custos estão taxas, energia elétrica, manutenção da estrutura e pagamento de funcionários.
Regularização
Apesar do crescimento, os trabalhadores relatam que entrar no setor exige persistência e adaptação. A obtenção de licenças depende do local de funcionamento e do cumprimento de requisitos definidos pelos órgãos públicos. Além disso, fatores como sazonalidade, segurança e condições climáticas influenciam diretamente o faturamento.
Dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedcon) apontam que, em 2024, 60 food trucks estavam devidamente licenciados no município. Já em 2025, outros 39 empreendedores procuraram o órgão para iniciar o processo de licenciamento, indicando a continuidade da expansão do setor na capital paraense.
De acordo com a pasta, para trabalhar no segmento, é necessário formalizar o pedido junto ao Município e apresentar documentação como: contrato social ou CCMEI; RG e CPF dos sócios; comprovante de residência; CNPJ; inscrição no Cadastro Mobiliário Municipal (CMC); regularidade no CADIN; descrição dos equipamentos conforme normas sanitárias; indicação de auxiliares; Carteira de Saúde e certificado de Manipulador de Alimentos; CRLV do veículo em nome do requerente; declarações de que não possui outro Termo de Permissão de Uso (TPU); licença sanitária, quando se tratar de alimentos; e comprovante de pagamento da taxa de expediente (DAM).
A Sedcon ressalta que a regularização garante a organização do espaço público, a segurança alimentar e o fortalecimento da atividade econômica na cidade.
Consumidores buscam preço e ambiente
Para os consumidores, os food trucks combinam praticidade, preços acessíveis e a possibilidade de lazer em espaços abertos. A odontopediatra Beatriz Carrera, de 36 anos, costuma frequentar a Praça Brasil com a filha de 8 anos e vê o local como uma opção de convivência familiar. Moradora do bairro do Marco, ela explica que o ambiente ao ar livre é um dos principais motivos para escolher esse tipo de programa, especialmente quando está acompanhada da criança, que pode brincar enquanto a família faz o lanche. Beatriz diz que a visita à praça também acabou se tornando um hábito depois que a filha experimentou os lanches pela primeira vez e passou a pedir para voltar.
Ela afirma que vários fatores influenciam na escolha pelos food trucks, como o sabor, o preço, a praticidade e o ambiente. Para a consumidora, o fato de o atendimento acontecer em um espaço aberto torna a experiência mais agradável do que em ambientes fechados, além de permitir momentos de convivência em família. Beatriz também avalia que a comida oferecida nesses estabelecimentos pode ser, em alguns casos, uma alternativa mais equilibrada do que o fast food tradicional, o que contribui para a preferência pelo local quando a família decide lanchar fora de casa.
Na avaliação dela, os preços cobrados pelos food trucks são compatíveis com os de outros estabelecimentos e considerados acessíveis para quem já tem o hábito de comer fora. Ainda assim, ela acredita que a variedade do cardápio pode melhorar, especialmente com a inclusão de opções veganas ou com menos carne vermelha, o que ampliaria o público atendido. Beatriz conta que, ao olhar o cardápio pela primeira vez, procurou alternativas desse tipo, mas não encontrou. Mesmo assim, diz que costuma alternar entre food trucks e restaurantes tradicionais, dependendo da ocasião e da disponibilidade da família.
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