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Festival do Chocolat Amazônia é aberto em Belém com diversificação de produtos e grande público

Evento segue até domingo (26) no Hangar com a oferta de chocolate artesanal e finos genuinamente paraenses

Valéria Nascimento

O Festival Internacional do Chocolate e do Cacau e a feira 'Flor Pará' foram abertos em Belém, na noite desta quinta-feira (23), e seguem até o próximo domingo (26), com entrada gratuita no Hangar, no bairro do Marco. O evento reúne mais de 300 produtores rurais, agricultores familiares e empreendedores, com uma diversidade de produtos de chocolate e derivados. Do nibs artesanal às barras finas, mostrando a força da cadeia produtiva da cacauicultura paraense, que lidera a produção nacional de amêndoas do cacau. 

"Hoje nós somos o maior produtor de cacau nacional, estamos entre os 10 maiores produtores do mundo”, afirmou o diretor-geral da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), Jamir Macedo. Por sua vez, Giovanni Queiroz, titular da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará (Sedap), celebrou a realização da 10ª edição do festival. "Nós estamos entusiasmados com o crescimento da área plantada. Temos ganho uma produtividade extraordinária, conseguimos 917 quilos por hectare”, disse Queiroz.

O festival evidencia o avanço da verticalização da produção de cacau no Pará. Entre mais de 300 produtores, pequenos agricultores familiares estão experimentando uma grande transformação, evoluindo do simples plantio para o beneficiamento e a produção própria de chocolates, o que gera um valor agregado e mais renda às famílias.

Da árvore à barra de chocolate

Tatiana Galvão e a mãe Jussara Nascimento atendem ao público juntas no estande que comercializa chocolate 80%, 70%, 60%, 55% com biomassa de banana verde, nibs caramelizados, cocadas de cacau com cupuaçu, maracujá e coco, entre outros produtos. Frutas que mãe e filha sempre plantaram e colheram, mas que agora integram novos produtos à família agricultora.

“A gente faz parte da agricultura familiar e trabalha há mais de 40 anos com o cacau. Ou seja, há 40 anos, a gente vendia apenas as amêndoas. Mas com esses processos de assistência técnica, a participação em feiras, o apoio de órgãos como o Sebrae, a Sedap e o Senar, nós fomos despertando. Passamos a beneficiar a nossa matéria-prima, e há três anos estamos produzindo o chocolate, empreendendo com o chocolate”, contou Tatiana Galvão.

O resultado do esforço coletivo da família de Tatiana e Jussara em se qualificar profissionalmente não poderia ser melhor: em 2024, elas venceram o Festival Internacional do Xingu, em Altamira: conquistando o primeiro lugar como o melhor chocolate ao leite do Pará. No mesmo ano, participaram do festival em Belém e ficaram em segundo lugar como o melhor chocolate ao leite da Amazônia e, no ano passado, conquistaram, novamente, o segundo lugar e terceiro lugares na categoria ao leite.

Premiações e maior renda

"2025 foi o ano das bênçãos para nós. Ganhamos em primeiro lugar como o melhor derivado do cacau com esse doce de banana com cacau. Então, a gente está muito feliz que isso tenha agregado valor aos nossos produtos e está fazendo a gente sonhar, sair daquele lado lá do sítio vendendo apenas amêndoas,para também vender chocolate de qualidade”, contou Tatiana Galvão.

Boa renda, visibilidade para os produtos e aprendizados. Esses foram três pilares citados pela estudante de medicina pelo processo seletivo quilombola da UFPA, Luana Cardoso Moraes, de 22 anos. Natural da comunidade quilombola Moju-Miri, na área rural de Moju, Luana integra também uma cooperativa e participa do festival ao lado de outras duas cooperadas, Michele Cardoso e Viviane de Melo Machado.

Elas contaram que o grupo estima faturar cerca de R$ 3 mil até o próximo domingo, com a venda de trufas de cupuaçu, de castanha-do-Pará, e de maracujá; biscoitinhos e doces com recheios de castanha-do-pará, e barras de chocolate de 50%, 70%, 60%, além do licor, que é a barra 100% cacau, sem adicional de açúcar e leite. O cacau puro.

"É um privilégio grande estarmos aqui. Nós somos uma cooperativa, não trazemos apenas os nossos produtos, também, os de outros produtores que trabalham junto com a gente. É a quarta vez que a gente vem e tem sido bom economicamente”, disse Luana Cardoso.

Viviane Machado completou: “Também faço parte dessa equipe e é um prazer trazer essas delícias para vocês. Tudo tradicional, é tudo de lá, o nosso cacau, a nossa castanha, o chocolate é feito do cacau nativo mesmo, colhido lá no nosso quilombo que é Moju-Miri”.