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Falta de planejamento financeiro ainda é principal causa de fechamento de empresas no Pará

Diretor-superintendente do Sebrae alerta que misturar dinheiro pessoal com o caixa da empresa é o erro mais comum dos empreendedores

Gabriel da Mota

A falta de planejamento financeiro continua sendo o principal motivo para o encerramento das atividades de micro e pequenas empresas no Pará. O diagnóstico é do diretor-superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no estado, Rubens Magno, que aponta o erro clássico de misturar finanças pessoais e empresariais como um entrave para a longevidade dos pequenos negócios.


De acordo com o Sebrae, a expectativa de vida das empresas paraenses melhorou, mas os índices ainda exigem atenção. "No passado, as empresas não chegavam a dois anos de vida — o que acaba sendo a média brasileira. Hoje, alargamos esse tempo para uma média de quatro anos. Ou seja, as empresas já têm um pouco mais de longevidade. Isso é bom, apesar de não ser satisfatório ainda para a gente", avaliou Rubens Magno em entrevista ao Grupo Liberal.

Para o diretor, o encerramento precoce das atividades comerciais está diretamente ligado a falhas primárias de gestão.

"A maioria fecha por falta de planejamento. Quando falo em planejamento, refiro-me a diversas coisas, mas o principal é o planejamento financeiro, onde o empreendedor confunde o dinheiro do seu negócio com o da sua carteira pessoal. É um problema muito sério que precisa ser corrigido; é preciso haver essa divisão", alertou.

Como a confusão entre CPF e CNPJ gera endividamento

O superintendente explicou que a capacitação oferecida pela entidade foca em mudar a mentalidade administrativa de quem gerencia um Microempreendedor Individual (MEI).

"A primeira, e principal [capacitação], é entender a diferenciação entre o seu dinheiro e o dinheiro do seu negócio. Fazer com que ele tenha a mente para tirar o seu salário, o seu pró-labore, e entender que CPF é diferente de CNPJ", detalhou Magno.

Além da desorganização diária, o endividamento prévio impede que os negócios obtenham novos recursos para crescer. "O principal problema é o endividamento causado pela falta de planejamento. Muitos negócios ficaram endividados por questões da pandemia. Ajudamos o Estado a fazer o Fundo Esperança, um movimento integral do governo, mas muitos tomaram recursos no mercado com juros altos e se enrolaram por não planejarem a utilização. Isso trouxe o endividamento e o 'nome sujo', o que dificulta o acesso a operações bancárias", concluiu o diretor, lembrando que o Sebrae atua como garantidor por meio do Fundo de Amparo às Micro e Pequenas Empresas (FAMP).

A entrevista completa você pode assistir no YouTube de O Liberal: