Exportações do Pará devem crescer em 2026 puxadas pelo agronegócio e commodities agrícolas
Após mais de US$ 11 bilhões exportados em 2025, o estado mantém mineração como base da pauta externa e amplia peso do agronegócio
O Pará encerrou 2025 com um desempenho sólido no comércio exterior e inicia 2026 com expectativa de crescimento das exportações, impulsionado principalmente pelo agronegócio e pela manutenção da demanda por commodities minerais. A avaliação de economistas e representantes do setor produtivo é de cauteloso otimismo: embora o cenário internacional siga marcado por incertezas, a base construída ao longo de 2025 sustenta perspectivas positivas para o próximo ano. Dados do ComexStat mostram que, em 2025, os principais grupos exportados pelo Pará somaram mais de US$ 11,4 bilhões em matérias-primas não comestíveis, em grande parte ligadas à mineração. No primeiro semestre do ano, as exportações totais do estado representaram, aproximadamente, 7% no total nacional, mantendo o Pará entre os maiores exportadores do país.
O balanço de 2025 indica que o resultado ficou dentro das expectativas iniciais, com leve viés positivo, mesmo diante de um ambiente externo menos favorável. Para 2026, a leitura predominante é de continuidade do crescimento, puxada pelo agronegócio, especialmente pelas cadeias da soja, das carnes e de outros produtos agrícolas.
Na avaliação do professor Douglas Alencar, do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Pará (UFPA), o desempenho exportador de 2025 confirma a resiliência da economia paraense. Segundo ele, a mineração permaneceu como o principal pilar da pauta externa, com destaque para o minério de ferro, mas outros segmentos ganharam espaço ao longo do ano.
O agronegócio apresentou crescimento relevante, sobretudo no início de 2025. No primeiro trimestre, as exportações do setor avançaram cerca de 14% em relação ao mesmo período de 2024, alcançando aproximadamente US$ 650 milhões. Indicadores locais também apontam aumento no número de produtos exportados, medido pela ampliação da quantidade de códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul, sinalizando maior diversificação da pauta em comparação com o ano anterior.
Mineração segue dominante, agro amplia participação
Em 2025, “o desempenho exportador do Pará foi sustentado por dois pilares: a mineração e o agronegócio, com pesos bastante distintos, mas complementares”, afirma Alencar. A mineração respondeu pela maior parcela do valor exportado, beneficiada pela demanda internacional e pela resiliência dos preços de alguns minerais. Além do minério de ferro, o ouro teve desempenho destacado, impulsionado pela valorização no mercado global em um contexto de incertezas econômicas e geopolíticas.
O agronegócio consolidou-se como o segundo motor das exportações. Dados da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará indicam que, entre janeiro e novembro de 2025, o setor exportou US$ 4,14 bilhões, crescimento de 23,1% em relação ao mesmo período de 2024. Em volume, o avanço foi de 15,4%, evidenciando expansão real do fluxo exportador. Com isso, a participação do agro na pauta estadual subiu de cerca de 16% para quase 19%.
Dentro do setor, o complexo soja manteve-se como base estrutural das exportações agrícolas. As carnes tiveram o crescimento mais expressivo em valor, impulsionadas pela abertura e consolidação de mercados e pela demanda internacional por proteínas animais. Animais vivos, especialmente bovinos, também tiveram papel relevante, reforçando o protagonismo do estado nesse segmento.
Commodities e preços no mercado internacional
O comportamento dos preços das commodities em 2025 teve impacto desigual sobre a balança comercial paraense. Houve pressão negativa sobre produtos agrícolas, em um cenário de queda média dos preços globais, segundo projeções internacionais. Ainda assim, o aumento de volumes exportados ajudou a sustentar a receita do setor.
No caso dos minerais, os preços mostraram maior estabilidade. Metais e minérios registraram variações positivas ao longo do ano, contribuindo para manter o valor total exportado pelo estado. O ouro foi o exemplo mais evidente, com valorização significativa no mercado internacional, o que se refletiu diretamente no aumento da receita das exportações paraenses desse produto.
China segue como principal destino
Em 2025, a China manteve a liderança como principal parceiro comercial do Pará, absorvendo cerca de 43,8% das exportações do estado no primeiro semestre, com destaque para minério de ferro, soja e carnes. Outros mercados tradicionais, como Malásia, Japão, Países Baixos e Espanha, continuaram relevantes na pauta externa.
Ao mesmo tempo, houve avanço na diversificação geográfica, com maior presença de países do Oriente Médio, Norte da África e Ásia, como Egito, Marrocos, Israel, Líbano e Hong Kong. Esse movimento é visto por especialistas como estratégico para reduzir a dependência de um único mercado e aumentar a resiliência da balança comercial estadual.
Expectativas para 2026
Para 2026, a expectativa é de crescimento das exportações do Pará, puxado principalmente pelo agronegócio. Projeções do setor indicam aumento no volume exportado de soja, estimado em torno de 5%, reflexo de boas perspectivas de safra e da demanda externa. Esse percentual refere-se especificamente à soja e não ao conjunto das exportações do estado.
Outros produtos agrícolas, como milho e carnes, também devem apresentar desempenho positivo, enquanto a mineração tende a manter participação elevada, ainda que mais dependente do comportamento dos preços internacionais.
Apesar do cenário favorável, o especialista aponta riscos importantes para 2026. “O desempenho das exportações do Pará estará sujeito a uma combinação de riscos e oportunidades. Entre os principais riscos, destaca-se a volatilidade da demanda externa, especialmente em mercados-chave como a China, e a infraestrutura logística limitada, com gargalos em estradas, portos secundários e transporte fluvial, que aumentam custos e dificultam o escoamento de produtos fora das grandes cadeias minerais”, pontua.
A volatilidade da demanda externa, sobretudo da China, segue como fator de incerteza. Gargalos logísticos continuam sendo um dos principais entraves, com limitações em estradas, portos e transporte fluvial, especialmente fora das grandes cadeias minerais.
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Por outro lado, o câmbio relativamente competitivo favorece as exportações, e a diversificação de produtos e mercados abre espaço para novos ciclos de crescimento. A demanda global por produtos com maior valor agregado e certificação ambiental também aparece como oportunidade estratégica para o Pará.
Para Alencar, com uma base sólida construída em 2025, o estado entra em 2026 com fundamentos para sustentar a expansão das exportações, desde que consiga avançar em infraestrutura e consolidar a diversificação de sua pauta externa.
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