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Belém registra uma das menores inflações do país em junho, aponta IBGE

Para o Dieese-PA a queda no ritmo da inflação não representa alívio no custo de vida

Gabi Gutierrez

A inflação perdeu força em junho tanto em Belém e outras capitais brasileiras, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Apesar disso, os preços acumulados ao longo do ano continuam elevados e seguem pressionando o orçamento das famílias, principalmente das que têm menor renda.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese-PA), mostram que o IPCA, considerado a inflação oficial do país, avançou 0,16% em junho no Brasil. Em Belém, a alta foi ainda menor, de 0,07%. Em outras palavras, os preços continuaram subindo durante o mês, mas em um ritmo mais lento do que o observado nos meses anteriores, sinalizando uma desaceleração da inflação.

Esse foi o menor índice mensal de inflação registrado em 2026. Na prática, isso significa que os preços continuaram subindo, mas em um ritmo mais lento do que nos meses anteriores.

No acumulado do ano, os índices mostram que o custo de vida continua elevado:

  • IPCA acumulado em 2026 no Brasil: 3,36%;
  • IPCA acumulado em 2026 em Belém: 3,93%;
  • IPCA acumulado em 12 meses no Brasil: 4,64%;
  • IPCA acumulado em 12 meses em Belém: 3,80%.

Embora Belém tenha registrado uma inflação menor em junho, a alta acumulada no primeiro semestre é superior à média nacional, indicando que os consumidores da capital paraense sentiram um aumento maior no custo de vida ao longo de 2026.

Segundo o Dieese-PA, a desaceleração da inflação foi impulsionada principalmente pela queda dos preços dos alimentos. Entre os produtos que ficaram mais baratos estão:

  • Açaí: -14,41%;
  • Café moído: -3,72%;
  • Óleo de soja: -2,78%;
  • Tomate: -2,02%;
  • Frutas: -1,58%;
  • Carnes: -0,64%.

Por outro lado, alguns itens continuaram pesando no bolso do consumidor:

  • Feijão-carioca: 8,31%;
  • Alho: 5,36%;
  • Batata-inglesa: 3,57%.

Em Belém, outro fator que contribuiu para conter a inflação foi a redução no preço da gasolina, que caiu 2,77% no mês. Com isso, a capital registrou uma das menores taxas de inflação entre as 16 localidades pesquisadas pelo IBGE.

Apesar desse cenário mais favorável, alguns grupos continuaram registrando alta nos preços:

  • Habitação: 0,63%;
  • Energia elétrica residencial: 1,53%;
  • Transportes: 0,17%;
  • Saúde e Cuidados Pessoais: 0,23%;
  • Despesas Pessoais: 0,25%;
  • Vestuário: 0,17%;
  • Comunicação: 0,19%.

Outro indicador divulgado foi o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação das famílias com renda de até cinco salários mínimos e é utilizado como referência em grande parte das negociações salariais no país.

Em junho, o índice avançou 0,23% no Brasil e 0,08% em Belém. No acumulado de 2026, o INPC já registra alta de 3,48% no país e de 3,75% na capital paraense. Os dados mostram que, embora o ritmo de aumento dos preços tenha diminuído em junho, as famílias de menor renda continuam enfrentando perdas no poder de compra ao longo do ano.

Para o Dieese-PA, embora o resultado de junho seja positivo, ainda é cedo para afirmar que a inflação está totalmente sob controle. A entidade destaca que alimentos, energia elétrica, habitação e serviços continuam comprometendo uma parcela significativa da renda das famílias, principalmente das de menor poder aquisitivo.