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Oferta de pescado em Belém para a Semana Santa deve crescer com decreto

Só será permitida a comercialização de peixe para quem estiver cadastrado junto à Secon para transportar o produto

Elisa Vaz

Nesta terça-feira (3), representantes da Secretaria Municipal de Economia (Secon), com o titular do órgão, Rosivaldo Batista, e representantes dos setores produtivos e econômicos da cidade se reuniram ontem para estabelecer os detalhes sobre a comercialização do pescado na Região Metropolitana de Belém durante a Semana Santa, na doca do Complexo Ver-o-Peso. Também foram alinhadas, durante o encontro, as preparações para o seminário “A pesca no município de Belém”, no próximo dia 12 de março, a partir das 15h, no auditório da Escola Superior da Amazônia (Esamaz), no bairro do Reduto. Na ocasião, serão realizadas palestras sobre o setor pesqueiro da região, para que os participantes conheçam as necessidades para alavancar a atividade no Estado. Além disso, haverá o lançamento da Revista do Pescador e a assinatura, por parte do Prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, do Decreto nº 95.574/2020, que dispõe sobre a circulação intermunicipal de pescado em Belém.

A partir da assinatura do documento, será permitida a comercialização de peixe apenas para quem estiver cadastrado junto à Secon para transportar o produto que chega aos portos de Belém para outras localidades. A medida vai valer entre 31 de março e 9 de abril, e o embarque só será permitido, durante esse período, entre meia-noite e 6h. Segundo o secretário de economia, Rosivaldo Batista, o decreto tem o objetivo de manter a maior parte do pescado dentro do Estado durante a Semana Santa, quando o consumo cresce na região.

“Vamos fazer o controle do que é vendido para fora, para que a população local tenha oferta necessária para suprir sua demanda. O objetivo é apenas ter a oferta, porque temos produção e estoque suficiente para abastecer o consumo paraense nesse período, que vende muito. O grande motivo é que cerca de 70% da população do Pará é católica. Mas não teremos problemas porque temos a quantidade suficiente”, declarou.

Ainda de acordo com o órgão, na época da Semana Santa, cerca de 140 toneladas de pescado passam a cada noite pelo Ver-o-Peso, o que totaliza mais de 600 toneladas no decorrer do período. “Se formos pegar o preço médio do quilo de peixe, que é de R$ 3, temos uma movimentação muito significativa no comércio belenense durante o início do mês de abril”, disse o secretário.

Conforme explicou o economista Roberto Sena, técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), órgão que faz o acompanhamento dos preços do pescado no Pará, o decreto deve ser positivo para o bolso do consumidor. Ele explicou que os peixes começam a ficar mais caros a partir de novembro e os valores sobem até abril, chegando a variar até 20% nesse intervalo. “O objetivo do decreto não é deixar os preços menores, mas, como os produtos ficam em maior quantidade no mercado local, aumenta a oferta. Quando isso ocorre, uma consequência é a queda de valor. Então talvez os consumidores não sintam tanto as altas que ocorrem nesse período”, comentou o especialista.

O presidente do Sindicato dos Peixeiros de Belém e Ananindeua, Fernando Souza, disse que as vendas, geralmente, crescem entre 50 e 60% na Semana Santa e que as expectativas são boas neste ano. “Foi importante ter essa reunião para definir alguns pontos importantes. É essencial ressaltar que o consumidor não vai ficar sem pescado, e com preço acessível, já que os produtos vão ficar no mercado interno, que vai estar abastecido”, ressaltou.