MENU

BUSCA

Cursos profissionalizantes ampliam chances de inserção no mercado de trabalho no Pará

No Pará, a oferta de cursos técnicos e de curta duração — muitos deles gratuitos — tem sido ampliada por instituições como o Senac

Fabyo Cruz

Em um cenário de transformações no mundo do trabalho, a qualificação profissional tem ganhado protagonismo como ferramenta essencial para quem busca o primeiro emprego ou tenta se recolocar no mercado. No Pará, a oferta de cursos técnicos e de curta duração — muitos deles gratuitos — tem sido ampliada por instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), acompanhando as novas exigências das empresas e as mudanças nos perfis profissionais demandados.

De acordo com a responsável técnica dos segmentos de Gestão, Comércio e Meio Ambiente do Senac, Renata Quemel, o cenário de empregabilidade no estado segue a tendência nacional de maior seletividade. “O mercado está mais exigente e seletivo, especialmente para quem busca o primeiro emprego ou a recolocação profissional. Há ampliação das oportunidades, porém acompanhadas de novas exigências”, afirma.

Ela diz que um dos principais equívocos é atribuir a dificuldade de inserção apenas à falta de vagas. “O maior desafio não está na escassez de vagas, mas na aderência do candidato ao perfil demandado pelas empresas”, destaca. Nesse contexto, a qualificação contínua passa a ser determinante. “A qualificação profissional contínua se consolida como o principal diferencial competitivo”, completa.

Atualmente, diferentes setores concentram a maior demanda por profissionais qualificados no Pará. Entre eles, destacam-se as áreas de gestão e comércio, com ênfase em logística e administração; tecnologia da informação, especialmente em infraestrutura e redes de computadores; saúde, com foco em enfermagem, estética e podologia; além dos segmentos de beleza e gastronomia, que seguem aquecidos.

A diversidade dessas áreas reflete as transformações no mercado e a ampliação de oportunidades, sobretudo em setores ligados a serviços e à economia digital. Ainda assim, estar apto a ocupar essas vagas exige preparo técnico e desenvolvimento de habilidades específicas.

“A qualificação profissional atua diretamente sobre três das principais barreiras à empregabilidade: a falta de experiência, o desalinhamento com o perfil das vagas e a baixa competitividade entre candidatos”, explica Renata. A representante do Senac afirma que os cursos ajudam a reduzir a distância entre o que o mercado exige e o que o trabalhador oferece.

“Ela contribui para reduzir o gap entre as exigências do mercado e as competências do candidato, além de minimizar a ausência de experiência por meio do desenvolvimento de habilidades práticas”, afirma. A formação também fortalece competências comportamentais e aproxima o aluno do ambiente profissional, fatores que impactam diretamente na produtividade e na percepção de valor do trabalhador.

Além de facilitar a inserção no emprego formal, a qualificação também amplia possibilidades no empreendedorismo. “A capacitação eleva o valor percebido do trabalhador e amplia as oportunidades de inserção, seja no emprego formal ou no empreendedorismo”, pontua.

Entre os cursos atualmente ofertados, há opções voltadas para diferentes níveis de escolaridade e objetivos profissionais. Estão disponíveis capacitações em áreas como vendas pela internet, redes sociais, tecnologia da informação, turismo, saúde e beleza, além de cursos técnicos em administração, logística e desenvolvimento web.

Uma das principais portas de acesso para quem não pode pagar é o Programa Senac de Gratuidade (PSG), voltado a pessoas de baixa renda. “O PSG foi concebido como um instrumento de inclusão produtiva”, explica Renata. Ela conta que o acesso ocorre por ordem de inscrição, o que exige atenção dos interessados. “É fundamental acompanhar regularmente a divulgação das vagas e estar atento à documentação exigida para garantir a matrícula”, orienta.

Para quem busca uma entrada mais rápida no mercado, a recomendação é apostar em cursos de curta duração e com foco prático. “Cursos que desenvolvem habilidades específicas permitem uma inserção mais rápida no trabalho”, afirma. Entre as opções mais indicadas estão formações como assistente administrativo, logística, cozinheiro, garçom, barista, confeiteiro, técnico em enfermagem e cursos ligados ao marketing digital e e-commerce.

O avanço da tecnologia também tem impulsionado novas oportunidades. O Senac, por exemplo, mantém parcerias com grandes empresas do setor para oferecer cursos alinhados às demandas atuais. “Na área de tecnologia, trabalhamos com formações conectadas às práticas do mercado e às necessidades das empresas”, destaca.

Diante desse cenário, a orientação para quem está desempregado é começar pelo autoconhecimento. “O ponto de partida é identificar interesses e habilidades, observar as demandas do mercado local e iniciar por cursos de qualificação de curta duração”, recomenda.

Ela também ressalta que, além das competências técnicas, é fundamental investir no desenvolvimento de habilidades comportamentais. “Competências como comunicação, proatividade e capacidade de adaptação são essenciais para ampliar as oportunidades de inserção e crescimento profissional”, conclui.